quinta-feira, 22 de novembro de 2007

(Re)lembrar

Atravessei a rua e entrei na alameda. Está imenso frio, para aí uns quinze graus celsius, e eu aperto melhor o meu casaco preto e levo as minhas mãos à gola, para me proteger melhor do frio. Sinto o vento a bater na minha face. Então, é aí que páro e fecho os meus olhos. Ali de pé, sozinha no meio da alameda, sinto o vento como se fosse a tua respiração. O meu coração acelera e a minha mente leva-me para outro lado.
Ainda de olhos fechados, sinto-te muito perto de mim, com a tua mão entrelaçada com a minha. Abro os olhos e vejo-te no escuro à minha frente. Estamos no dia 16 de Novembro de 2002 e estamos no meu quarto. Fico nervosa e saio cá para fora. No próximo jogo das escondidinhas, outra vez no escuro, estamos sentados no chão ao lado da minha cama. Tu aproximas-te de mim e ao meu ouvido dizes "namora comigo, sofia" e eu fiquei a olhar para ti e tu cada vez mais preocupado e ansioso pela resposta ouves-me dizer "sim". Levas a mão à boca por instinto e sorris por detrás dela. Chegas mais perto de mim e dizes "gosto tanto tanto de ti" e eu digo que também, ao mesmo tempo que fecho os meus olhos e tu me dás o nosso primeiro beijo.
Abro os meus olhos e sinto o vento na minha cara.

Tarde de mais

No meio de tanta gente, num sítio pequeno e abafado, com as luzes a mudar de cor e intensidade e a música a acompanhar-lhe o ritmo, ele conseguiu encontrá-la. Ela estava mesmo no meio da pista de dança, com as suas amigas.
Ele apressou-se até ela, passando com dificuldade entre as outras pessoas. Parou atrás dela e após ter ganho coragem, pegou-lhe na mão e virou-a para si, tentando beijá-la. Ela desvia a cara para o lado esquerdo e perguntou-lhe:
- O que queres de mim?, tentando resistir.
- Não sei..., diz-lhe ao ouvido, parecendo um pouco agitado.
- Tu sabes que eu não tenho "casos" de uma só noite, nunca mais.
- Eu sei... Eu também não te quero só esta noite.
- O que queres dizer?
- ... Eu gosto de ti ! Eu preciso de ti.
- Ah?!
- Queres namorar comigo, outra vez?
Nesse preciso momento, os joelhos dela cedem e antes de cair no chão, ele agarra-a encostando-a a si. Assusta-se quando se apercebe que ela já não reage.
Para ela, aquelas palavras vieram mesmo a tempo; para ele fora tarde demais.