Decidimos juntar-nos todos para um jantar em casa da mais velha do grupo. A casa dela tinha um jardim maior e, portanto, perfeito para se colocar umas mesas e cadeiras, mesmo ao lado do churrasco. Durante o jantar, e quando ninguém reparava, eu olhava-o insistentemente. Houve apenas uma troca de olhar entre nós os dois e rímo-nos silenciosamente. Neste momento, já não tenho a certeza se ele se riu mas quero acreditar que sim.
Depois do jantar, eu e mais quatro amigos fomos para o sotão. É enorme, com uns sofás compridos mesmo bons. Ficámos dividimos em três sofás. Eu e ele não estávamos no mesmo mas logo a seguir ele sentou-se mesmo ao meu lado. Conversámos bastante e eu transpirava por estar nervosa, por estar tão perto dele. Admito que essa sensação me incomoda bastante. Mas falámos bem.
Alguém pôs um DVD a dar e apagou as luzes. A única luz que havia vinha da Lua, do outro lado da janela da varanda. Fez-se silêncio e começamos a ver o filme. Estávamos sempre a por pause porque os outros amigos estavam sempre a entrar, para também ver o filme. Quando todos se sentaram, apenas se ouvia o filme. Eu e ele estavamos ainda mais perto um do outro. Ele pôs o braço à minha volta e eu dei-lhe a minha mão. Mesmo na quase total escuridão, eu consegui ver o sorriso mais sincero que alguma vez me fez. Pousou a sua cabeça no meu ombro e eu ouvia-o a respirar.
Estivemos assim até a meio do filme. A história de amor do filme fazia lembrar-me da nossa. Aposto que ele não reparou. Logo em seguida, ele descolou a mão dele da minha, levantou a cabeça do meu ombro e pôs-se de pé. Tirou o telemóvel do bolso e eu vi que estava com uma luzinha acessa. Atendeu e dirigiu-se rapidamente à varanda, falando baixinho pois não se ouvia nada. Fiquei triste. Porque razão saiu daqui com aquela rapidez toda para falar simplesmente ao telefone? Passados cinco minutos mais ou menos, o meu bolso esquerdo começou a tremer. Tiro o telemovel do meu bolso e abro a mensagem. É dele...
Anda cá fora, tens que ver esta Lua @
Ps: foi a única maneira de vir para aqui sem dar nas vistas.
Cinco minutos depois levanto-me eu. Ao dirigir-me para a varanda fiz questão de ver se alguém olhava para mim mas nenhum amigo meu deu conta... o filme estava a ser mesmo bom.
Ele estava virado de costas para a porta da varanda, eu aproximo-me e esmago-o com um abraço forte. Ele voltou-se para mim e disse-me com um sorriso " - Estava a ver que nunca mais....". Eu, surpreendida, pergunto-lhe o porquê de ele querer que eu esteje ali com ele e responde-me que me queria beijar. Paralisei. Congelei. Repeti as palavras dele para dentro. Paralisei. Pergunto-lhe, novamente, porquê e ele responde:
- Porque aquela história fez lembrar-me da nossa.
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Trimmmm, toca a campainha do seu novo apartamento. Ela, ainda ocupada com as mudanças, abre a porta. É a sua nova amiga da faculdade que, por sinal, é a melhor amiga dele. Cumprimentou-a, convidou-a para entrar e fechou a porta.
A sua amiga senta-se na secretária na sala e repara que o diário dela está em cima, aberto na data de há dois dias atrás. Quando ela foi arrumar umas coisas na cozinha, a sua nova amiga começou a lê-lo.
Tu pões-me triste. Tu fazes-me miserável. Olhar para ti é doloroso. Pensar em ti é de morte. Estar contigo é arrepiante.
A sua amiga sabia que ela se referia ao seu melhor amigo. Ficou triste e escreveu-lhe uma nota numa folha solta. Meteu-a dentro do diário e fechou-o. Quando ela chegou da cozinha reparou que a sua amiga estava com um ar triste.
- Tu ainda gostas dele, depois de todos estes anos?!, perguntou a amiga.
Sim. Simm. SIMMMM.
- Não. Porquê que perguntas?
- Porque li uma passagem do teu diário de há dois dias atrás...
Merda.
- ... que foi quando estivemos todos juntos ... e depois até apareceu a namorada dele.
- A namorada dele... exacto.
- E vais desistir?!
Não. Nunca.
- Vou. Ele escolheu estar assim. E eu também escolhi.
- Tens a certeza de que não gostas dele?
Não.
- Sim, amiga.
Elas levantaram-se e a sua amiga foi-se embora. Depois de fechar a porta, ela começa a chorar e pega no seu diário. Deixa cair uma folha dobrada. Que estranho. Desdobra o papel e lê-o para si.
Não sei porque que as pessoas mentem em relação ao que sentem. Admite o que sentes e quem sabe se não descobres uma surpresa. Deixa o orgulho de lado porque tens aqui uma bela oportunidade de seres feliz. Eu sei do que falo.
A tua amiga.
A sua amiga senta-se na secretária na sala e repara que o diário dela está em cima, aberto na data de há dois dias atrás. Quando ela foi arrumar umas coisas na cozinha, a sua nova amiga começou a lê-lo.
Tu pões-me triste. Tu fazes-me miserável. Olhar para ti é doloroso. Pensar em ti é de morte. Estar contigo é arrepiante.
A sua amiga sabia que ela se referia ao seu melhor amigo. Ficou triste e escreveu-lhe uma nota numa folha solta. Meteu-a dentro do diário e fechou-o. Quando ela chegou da cozinha reparou que a sua amiga estava com um ar triste.
- Tu ainda gostas dele, depois de todos estes anos?!, perguntou a amiga.
Sim. Simm. SIMMMM.
- Não. Porquê que perguntas?
- Porque li uma passagem do teu diário de há dois dias atrás...
Merda.
- ... que foi quando estivemos todos juntos ... e depois até apareceu a namorada dele.
- A namorada dele... exacto.
- E vais desistir?!
Não. Nunca.
- Vou. Ele escolheu estar assim. E eu também escolhi.
- Tens a certeza de que não gostas dele?
Não.
- Sim, amiga.
Elas levantaram-se e a sua amiga foi-se embora. Depois de fechar a porta, ela começa a chorar e pega no seu diário. Deixa cair uma folha dobrada. Que estranho. Desdobra o papel e lê-o para si.
Não sei porque que as pessoas mentem em relação ao que sentem. Admite o que sentes e quem sabe se não descobres uma surpresa. Deixa o orgulho de lado porque tens aqui uma bela oportunidade de seres feliz. Eu sei do que falo.
A tua amiga.
De vestido azul, de gregas nos pés e de carteira amarela grande, ela sai do metro na estação da Trindade. O seu cabelo estava perfeitamente esticado e, apesar de ainda não se ter habituado ao novo look, as franjas ficavam-lhe a matar. Desta vez, esqueceu-se dos seus 'sempre presentes' Rayban porque o sol do final do Verão já não lhe magoava a vista. Subiu as escadas da estação até lá em cima para se encontrar com um seu amigo e apanhar o metro com ele com destino a matosinhos. Procuro-o na multidão e, de repente, alguém me tapa os olhos. Sei que é ele e riu-me. Nesse instante, ainda com os olhos tapados, sinto alguém a aproximar-se pela frente. Então aí sinto quatro mãos na minha cara: duas do meu amigo nos meus olhos e duas nas bochechas de um desconhecido. Em seguida, sinto a língua dele a passar no meu lábio superior e reconheco-o por esse gesto. Damos um beijo e quando as mãos caem dos meus olhos, eu abro-os e aí, tenho a certeza de que é ele. Estava a procura-lo na multidão e, de repente, alguém lhe tapou os olhos. Riu-se porque sabia quem era. De repente, sentiu alguém a aproximar-se pela frente. Sorriu por dentro. Dão um beijo mas não como ela pensou. Quando as mãos cairam dos seus olhos, ela não precisou de os abrir para saber que estava a beijá-lo e que o seu amigo estava atrás de si. O beijo acabou e abre os olhos. Assustou-se e levou as mãos à boca. Tinha acabado de beijar o seu amigo. Então quem me tapou os olhos? Olhou para trás e viu-o. Era ele.
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