quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

runaway train

"Can you help me remember how to smile
Make it somehow all seem worthwhile
How on earth did I get so jaded?
Life's mystery seems so faded...
Little out of touch,
little insane,
Just easier than dealing with the pain"

domingo, 27 de dezembro de 2009

run

"Have heart my dear even if it’s just for a few days."

lost and found

"Why do we say things we can't take back? Why do we miss what we never had? Both of us fell to the ground. The love was so lost, it couldn't be found.
Why do you tend to forget whose vain? I'm tired of crying out at the sound of your name...
Why don't we turn this around?,
love ain't the enemy."

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

ano de dois mil e nove

Este foi o ano que melhor começou na vossa companhia em Vila do Conde. Foi o ano que eu fiz os primeiros exames na Faculdade. O ano em que eu não festejei o carnaval e os teus anos. O ano em que me magoaram a sério. O ano da minha serenata e do traçar a capa. O ano do tribunal de praxe. O ano das vossas comunhões. O ano em que vivi com vocês ao fim-de-semana. O ano em que passei um mês no Sul do país. Em que fiz parasalling pela primeira vez. O ano em que ainda não estive com um amigo, o ano em que estive pela primeira vez com outro amigo e o ano em que estive três meses sem ver outro amigo. O ano em que entrei no segundo ano da faculdade. O ano em que eu odiei a faculdade. O ano em que eu senti mesmo falta de um amigo. O ano em que fizemos os tão esperados 20 anos. O ano em que fui de férias durante um fim-de-semana com os amigos da faculdade para o Algarve. O ano em que eu entrei no espírito natalício e olhei para os enfeites de Natal com outros olhos.
Na passagem de ano, enquanto o ponteiro ia marcando os minutos e a meia-noite ia chegando cada vez mais rápido, eu só pensava no quanto o ano de 2009 ia ser bom, óptimo, o melhor... Porque o ano de 2008 tinha sido um dos melhores anos até agora, o ano a seguir só poderia ser melhor.
Não podia estar tão enganada.
Aqui me despeço de ti.

domingo, 13 de dezembro de 2009

feliz?

"Tens de escolher o que queres ganhar e perder porque não podes ter tudo."

domingo, 6 de dezembro de 2009

huh, que tal ?

Quando queres uma coisa que nunca tenhas tido, tens de fazer algo que nunca tenhas feito.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"Don't pretend to not love me at all"

sei lá

todos os dias eu caminho entre pessoas no mesmo sentido que o meu e outras no sentido contrário. todos os dias em passo por elas e nunca reparo nelas. todos os dias eu olho para a calçada do passeio ou o alcatrão da rua. caminho a olhar para baixo em vez de em frente, como se tivesse medo de enfrentar o que me aparece e a olhar as pessoas.
a partir de hoje, isso muda. vou olhar em frente, vou olhar as pessoas, vou olhar o que se passa à minha volta e, claro, de vez em quando para baixo para não tropeçar em nenhuma pedra fora do lugar. mas tirando isso, é sempre em frente. tanto o caminhar na rua como a minha própria vida. está provado que não se volta atrás, então porquê pensar em voltar? porquê pensar no que passou? há coisas que acontecem pelo simples facto de nos apercebermos que não deveriam acontecer. não vou pensar mais.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Descartes.

"os meus sentidos por vezes enganam-me, e é prudente nunca confiar completamente naqueles que nos enganam uma vez que seja".
“Se te convém, despacha; não converses. Eu não dou mais”.
«I pass another day wasting thoughts on what's ahead asking, what if and why not and who's to say? When all I really know of you is you're just as lonely too 'cause desperate hearts are hearts that need someone. I'm careless sometimes. I'm sure that you'll find, but that's now how I want to live my life. I wanna to be sure but don't know how to...»

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tantas vidas 2.

Durante o meu turno, vi várias vezes o doutor que me convidou para logo à noite. Sempre que o via, era um arrepio que sentia em todo o meu corpo. Sentia-me adolescente outra vez, como se estivesse na escola apaixonada por um professor. Não conseguia esconder um sorriso em mim, não conseguia equilibrar-me mesmo usando sapatilhas, não conseguia respirar sempre que ele passava por mim, não conseguia falar nem pensar. A única coisa que conseguia de facto, era ouvir o meu coração a bater cada vez mais rápido e cada vez mais alto. Meu deus, como é que eu já podia estar tão apaixonada?...

No final do turno, regresso novamente ao balneário e troco de roupa. Umas calças e uma camisola que eu tinha trazido de propósito para agora. Reparo que deixei cair um post-it assim que abro o meu cacifo. «Quem é? Quero saber. Catarina». Eu tiro da minha carteira um bloco cheio deles e escrevo num «Dr. Bombarda, o da Neurologia! Vemo-nos em casa, Cat.» e deixo-o no cacifo dela, que é ao lado do meu.
Saio do balneário e vou confiante ter com ele, que me espera na entrada no Hospital.
Na manhã seguinte, acordo muito calmamente. Espreguiço-me à vontade enquanto os meus olhos se adaptam à luz do Sol que entra pelas persianas do quarto. Olho à volta antes de me decidir levantar e enfrentar mais um dia de trabalho. Assusto-me ao perceber de que não reconheço nada do que está a rodear-me. Aquelas cómodas, aquela cadeira ali, esta tinta na parede, esta cama, estes lençóis, estas janelas, este pijama… Nada disto é meu. Dormi em casa dele no primeiro encontro? MEU DEUS, Camila, onde é que tinhas a cabeça? Olho para o outro lado da cama e vejo de facto de que dormiu alguém ali. Mas onde estaria ele agora? Levanto-me da cama e saio do quarto. Desço as escadas. Casa bonita que ele tem. Seria exactamente assim que eu a decoraria. Viro à esquerda e entro na cozinha. Mas como é que eu sabia que a cozinha era aqui? Preparo o pequeno-almoço para mim já que não o encontro em nenhum canto desta casa. Se calhar entrou em urgência, era normal. Não me preocupei mais com isso e tomei o café e comi as torradas calmamente. Só entraria em turno daqui a quatro horas e meia. Depois, vou até à entrada. Pode ser que ele tenha deixado lá qualquer coisa para mim. Olho para as fotografias emolduradas na parede e pousadas na mesa e assusto-me. São fotografias de uma mulher, em todas elas. Meu deus, Camila, o quê que tu fizeste ontem à noite? Não me lembro de nada.

Subo as escadas a correr sem tropeçar em nenhum degrau. Procuro a minha roupa de ontem mas não a encontro em lado nenhum. Sem pensar, abro rapidamente o armário e vejo lá a roupa dela. Pego numas calças de ganga e uma t-shirt qualquer. Só não queria que ela desse por falta disso. Saio de casa a correr e sem olhar para trás, nem queria saber onde ele morava e ficar com esta casa na minha memória. Saí sem carteira e casaco mas pouco me importaria. Vou voltar agora ao Hospital e dizer-lhe que deixei isso lá, para ele depois me devolver sem a mulher dele reparar em nada. Burra, burra, burra.Percorro em passos largos ruas e mais ruas até chegar ao Hospital. Entro pela porta principal, cumprimento a senhora da recepção com um grande sorriso como sempre e ela retribui-me com um bom dia um pouco seco. Pergunto se o Dr. Bombarda estava em cirurgia ou se podia falar comigo. «O Dr. Bombarda não está em cirurgia neste momento mas também não lhe posso dizer onde está. Quer que chame e ele vem cá ter consigo?» e eu respondo «Não se incomode. Eu própria procuro por ele. Obrigada.» Saio rapidamente da frente da senhora e percorro os corredores do hospital que eu tão bem conheço. Entro na área da Neurologia e vejo-o lá ao fundo. Foco-me nele e os meus pés andam automaticamente em seu encontro.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

life got cold

«And even though the last hello has left me on the floor, I don't believe in Romeos or heroes anymore»

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Tantas vidas.

«Eu amo-te de uma forma que nunca amei ninguém. Não te amo mais ou menos que os outros que amei na vida. Amo-te diferente. Até porque tu próprio és diferente. Como eu nunca conheci até hoje. És-me o oposto em tantas coisas e, mesmo assim, conseguiste mostrar-me que somos o mesmo em muita coisa também. Despertaste em mim alegria sincera, como eu nunca tinha sentido. Mas mais do que alegria eterna que todos os apaixonados sentem no início, eu experimentei tristeza sobretudo, quase todos os dias. Porque, apesar de estar contigo todos os dias, não me mostravas o teu eu, a tua história de vida. Ficava triste quando desviavas o teu olhar do meu, quando tiravas a tua mão da minha mesmo quando a tinhas tocado por micro segundos, quando ao fim de uma noite te despedias de mim com um beijo na face e um até amanhã. Todos os dias experimentava um cocktail de emoções e não sabia como digeri-las ou mesmo percebê-las. Tu davas-me a volta à cabeça, ao estômago e ao coração.», disse-me a Catarina, enquanto eu trocava de roupa no balneário. Ela proferia cada palavra com cuidado e fazia pausas dramáticas em casa ponto final, quase como se tivesse a representar, mas não o estava a fazer.

Depois de ter vestido as calças e camisola azuis claro, peguei num elástico e prendi o meu cabelo bem em cima, olhando-me ao espelho, enquanto digeria cada palavra sua. Em seguida, olhei para ela, que estava sentada no banco comprido de madeira lascada com uma folha de papel toda enrugada. – Uau. Mas… diz-me uma coisa… tu estás a acabar com ele ou… é que não deu para perceber o que querias… ou não querias nada? – pergunto, confusa.

Ela suspirou e depois disse-me. – Eu tenho que acabar com ele… é que ele não me faz bem… ele… com ele é como andar numa montanha russa… desde o início, e eu andei nessa montanha este ano todo e até agora – pausa – até agora tenho sempre descido o mesmo que tenho subido. – Enruga a testa ao mesmo tempo que me pergunta «percebes?».
- Mas tu não gostas dele?
- Camila… Para mim, ele é tipo… uma droga, estás a ver? Uma droga fortíssima e eu estou completamente viciada… Eu mais do que gostar dele, eu preciso dele para viver… Eu fico de rastos quando não estou com ele, ou quando não falo com ele, ou quando não estou a centímetros dele, quase a tocar-lhe. Quando o meu telemóvel toca, é uma ânsia em saber se é ele e quando não é, meu deus, quando não é apetece-me atirar com o telemóvel à parede. – Enquanto me fala, eu fico estática a olhar-lhe os olhos. – Estás a ver a gravidade do meu sentimento por ele? Parece-te saudável? Eu digo-te por experiência própria que não é. – Percebo que acabou de falar quando fica a olhar para a folha de papel e a começa a dobrar uma e outra vez.
- Não é nada saudável. Não sabia que te sentias assim… Como é que eu não reparei? Eu vi que vocês eram muito chegados, muito íntimos mas não sabia que vocês eram mais do que amigos…. – E interrompe-me.
- Mas nós não somos mais que amigos, aliás, nunca o fomos. E, por isso mesmo, é que eu estou assim e preciso de acabar com ele… mas é um acabar entre aspas porque não começou nada entre nós que se possa acabar.
- Sim. – Respondo, sentando-me ao lado dela no banco. – Acho que deves fazer o que for melhor para ti. E se isso é o melhor, tens todo o meu apoio, Catarina. Vais falar com ele hoje?
- Não, só amanhã. Entro de banco daqui a pouco.
- Hm, está bem. Mudando agora de assunto, para temas mais alegres… Nem sabes quem me pediu para ir tomar café depois do meu turno de hoje… - digo-lhe toda entusiasmada, quase a sair o nome dele da minha boca. Mas controlo-me.

Ela muda de expressão e faz uma cara curiosa como se gritasse «Diz! Diz!» e eu sorrio-lhe. – Quem me convidou para ir tomar café com ele hoje à noite foi o…
Fui bruscamente interrompida pelo bater da porta do balneário e pela entrada pesada e autoritária do nosso assistente. – Chega de conversa, vamos todos trabalhar. Os que vão começar agora o turno, venham rápido que chegaram duas ambulâncias. Não quero ver ninguém aqui dentro.

Eu olho para a Catarina e ela pergunta-me entre os lábios «foi este?» e eu respondo-lhe apenas com o meu olhar horrorizado. Não. Levanto-me, dou-lhe um beijo na testa e lá vou eu atrás do Dr. Castanha.
Experimenta dizer uma coisa que não consigas pensar.

show me love

«heartbreaks and promises, I’ve had more than my share
I’m tired of giving my love and getting nowhere
What I need is somebody who really cares
I really need a lover, a lover who wants to be there
It’s been so long since I touched a wanting hand
I can’t put my love on the line, that I hope you’ll understand
So baby if you want me
You’ve got to show me love
Words are so easy to say
You’ve got to show me love»

as long as you love me

«And how you got me blind is still a mystery
I can't get you out of my head
Don't care what is written in your history
As long as you're here with me
I've tried to hide it so that no one knows
But I guess it shows
When you look into my eyes»
Backstreet Boys

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

chasing cars

«Forget what we're told
Before we get too old
Show me a garden
That's bursting into life.
All that I am
All that I ever was
Is here in your perfect eyes
They're all I can see.»
Snow Patrol.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Comboio de ida

“Um bilhete de ida para o Porto, se faz favor.” Eu peço à senhora por detrás do balcão da estação de comboios de Coimbra. “Sim senhora, aqui o tem. Faça uma boa viagem.” Retribuiu-me. “Obrigada.” Viro-me para trás e observo as minhas amigas. “Estou pronta para ir, meninas. Vocês também deveriam ir já embora, para não perderem a camioneta.” Pausa. “Gostei muito destas duas semanas aqui.” E elas sorriem-me. “Também gostei imenso e obrigada às duas por terem vindo. Vemo-nos só em Lisboa, agora, não é?” Perguntou, sabendo já à partida qual seria a resposta.
Despedi-me das duas com um abraço colectivo e peguei na minha mala azul. Já fora da estação, olho através do vidro e aceno-lhes, enquanto me viro e continuo o meu caminho até encontrar a linha número quatro. Pouso a mala do chão e espero pelo comboio que ainda não chegou. A minha carteira começa a tremer e eu imediatamente procuro o telemóvel dentro dela. Deve ser ele, só pode. Ele sabe que hoje me vou embora daqui, deve quer despedir-se, já que não me disse nada desde a última vez que estivemos juntos. Olho para o ecrã e não é ele. Seca. Não me apetece atender o telemóvel à minha melhor amiga. Quando chegar lá, falo com ela. Depois de ela ter desistido de tentar falar comigo, eu vou até à caixa de entrada das mensagens procurar a última mensagem que ele me mandou. Foi há cinco dias atrás e dizia que já me telefonava. Mas não chegou a fazê-lo. Eu ainda cheguei a telefonar, mas como seria de esperar, ninguém atendeu do outro lado.

Dou por mim a voltar à realidade com o ruído do comboio a travar à minha frente. Abro a porta automática, carregando no botão, e sento-me na primeira cadeira livre que encontro. Coloco os dois fones nos meus ouvidos e ponho a música no nível máximo. Encosto a cabeça à janela e fico a olhar lá para fora, absorvida nos meus próprios pensamentos, que já nem escuto a música. Vejo as pessoas a entrar e a sair do comboio e da estação, pessoas a andar de um lado para o outro, com malas ou sem malas, todas elas cheias de pressa, como se a vida delas acabasse se não apanhassem o comboio a horas. Fico a pensar se a vida delas seria sempre assim, todos os dias atrás das coisas que tendem a fugir. Até dentro das carruagens existe uma atmosfera de velocidade, pessoas a passar de um lado para o outro, a baterem com as malas em tudo que é superfície, com falta de tolerância para as pessoas que se encontram atravessadas no seu caminho. Parece-me a mim que eu e o comboio somos os únicos parados, tudo o resto está em movimento, até o relógio que não pára nem um segundo.
Chegada à hora, começo a sentir a vibração do comboio, ansioso por partir. Sento-me mais confortavelmente na cadeira, sem nunca deixar de olhar para o lado de fora. Quando vejo o relógio a marcar a hora exacta, todos os passageiros estão sentados e surpreendentemente sem movimento. Lá fora, aconteceu o mesmo. As pessoas estão de pés juntos, com as suas malas ao seu lado. Estão à espera de outro comboio já que neste não conseguem entrar. Neste preciso momento, não detecto movimento em lado nenhum. Quase nem sinto a minha respiração, de tão calma que está. O comboio não se apressa para começar a viagem, pelo que eu olho novamente para o relógio da estação e vejo que apenas se passou um minuto. Em seguida, os meus olhos são desviados rapidamente para o movimento rápido que captaram por debaixo do relógio.
É uma pessoa a correr. Não. É ele a correr. Os seus pés não param no mesmo sítio e os seus olhos movimentam de uma maneira louca para dentro das carruagens, enquanto as suas mãos o impedem de embater nas outras pessoas ou de se desequilibrar com as malas deixadas ao acaso no chão. O meu coração apanha o ritmo dos seus olhos, sinto a adrenalina a correr pelas minhas veias, provocando a contracção do meu estômago e a aceleração da minha respiração. Rapidamente salto do meu lugar e com as minhas mãos, puxo-me para a frente como no mar, para tentar vencer a força da maré. Ele vê-me e corre na minha direcção e eu, dentro do comboio, corro também na direcção dele. Só que nenhum de nós pode entrar ou sair porque as portas estão trancadas. Neste momento, a única acção, o único movimento, a única velocidade é a dele e a minha, fora e dentro. Tudo o resto está parado. Paramos ao mesmo tempo numa das portas de vidro e ele colocou a mão dele, com a palma virada para mim. E eu imito-lhe o gesto, colocando-a também virada para ele.
O relógio continua a percorrer os segundos e, agora sim, o comboio começa a percorrer o caminho. Eu e ele sorrimos, enquanto nos vemos a afastar um do outro.

sábado, 5 de setembro de 2009

Cry

«I have seen peace. I have seen pain,
Resting on the shoulders of you name.
Do you see the truth through all their lies?
Do you see the world through troubled eyes?
And if you want to talk about it anymore,
Lie here on the floor and cry on my shoulder,
I'm a friend.

I have seen birth. I have seen death.
Lived to see a lover's final breath.
Do you see my guilt? Should I feel a fright?
Is the fire of hesitation burning bright?
And if you want to talk about it once again
On you I depend. I'll cry on your shoulder,
You're a friend.»

James Blunt

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

estou a esquecer e a perdoar.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

lições.

Na vida, vais sempre encontrar pessoas sem carácter, que vivem os seus dias a tentar entrar nos teus sapatos, pessoas que mentem sobre ti e espalhem por outras pessoas que ainda não te conhecem bem o suficiente para gritarem "não acredito!", pessoas que te enganam e fazem acreditar nas palavras e sentimentos delas. Vais ficar tão surpreendido pela quantidade de vezes que isto ainda te vai surpreender. O meu conselho? Pensa por ti, duvida de tudo o que ouves, guarda os teus segredos para ti e não ligues aos que os outros (te) dizem.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

hush hush

«Broken, not defeated.»

segunda-feira, 13 de julho de 2009

o caminho faz-se caminhando 2

Eu não o conheço. Não sei como fala, o som da sua voz, não sei se fecha os olhos quando sorri ou se dá gargalhadas muito altas, não sei se olha nos olhos quando fala ou se é daqueles que não gosta desse tipo de contacto. Eu não sei nada sobre ele, nem o seu nome. O que eu sei é que ele frequenta o mesmo ano que eu e que o conheço a apenas dois meses.
“Meninas, por favor, parem de olhar para ele, ele vai reparar.” Disse-lhes quando estavam as minhas três amigas de olhos postos nele e nos seus dois amigos. “Pois, já reparou, bonito, muito bonito”. E rapidamente se viraram, rindo-se e pedindo-me desculpas.
“Provavelmente nem viu, Sofia. Calma”
“Vamos dançar?” Perguntou-me o Afonso, aproximando-se demasiado do meu ouvido. Eu retrai-me um pouco, devido principalmente ao susto e, também, por falta de à-vontade, mas penso que ninguém reparou. “Claro que sim” respondi-lhe, lançando um último olhar ao único rapaz de quem desejaria ouvir aquela pergunta. Ele devolveu-me o olhar e eu rodei os calcanhares em sentido contrário e fui para a pista lado a lado com o Afonso.

domingo, 12 de julho de 2009

love story

«Romeo take me somewhere we can be alone
I'll be waiting all that's left to do is run
you'll be the prince and I'll be the princess
it's a love story baby just say yes

Romeo save me I've been feeling so alone
I keep waiting for you but you never come
is this in my head? I don't know what to think
he knelt to the ground and pulled out a ring

and said marry me Juliet
you'll never have to be alone
I talked to you Dad go pick out a white dress
it's a love story baby just say yes.»

Taylor Swift

quinta-feira, 9 de julho de 2009

bulletproof.

«Life's too short for me to stop
Oh baby, your time is running out
I won't let you turn around
And tell me now, I'm much too proud
All you do is fill be up with doubt

This time baby
I'll be bulletproof.»

quarta-feira, 8 de julho de 2009

conversa ontem à noite.

- ...
- Sofia, tens vinte anos, és bonita, és solteira, aproveita!
- Só tenho dezanove...
- Melhor ainda - diz-me.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

o caminho faz-se caminhando.

Neste momento estou a olhar-me ao espelho pequínissimo da porta do meu guarda-roupa, enquanto decido que penteado hei-de levar logo à noite.
"Gostas deste assim?"
"Sim, está bonito", demorou a responder. Talvez foi o tempo em que teve que se virar da sua secretária e olhar-me.
"Disseste isso dos outros cinco penteados"
"Sofia" - ri-se - "Disse porque é verdade. Ficas bem com qualquer penteado que fizeste, mas nem precisas de fazer nenhum deles, leva-o assim solto como tens agora que largaste o teu cabelo. O vestido vermelho que tens já faz tudo"
Eu olho-me e passo as minhas mãos ao longo do vestido e dou uma voltinha para ela. "Mesmo?"
"Mesmo. Agora, por favor, deixa-me acabar isto que amanhã tenho exame de anatomia e eu não sei nada"
"Dizes isso todas as vezes e depois tiras sempre grande nota, por isso, ainda me vais dar mais uma opinião"
Ela fez um som de preguiça e voltou a virar-se na minha direcção. "Opinião de quê?"
"Sapatos".
Depois fui ter com a Carolina que dorme no quarto ao lado do meu e pedi-lhe a sua maquilhagem. Quando ia a sair do seu quarto com as mãos carregadas com rímel, batom vermelho, base e blush, ela pediu-me para me maquilhar ali no seu quarto que, ao contrário da Filipa, estava sem vontade para estudar para o seu exame de anatomia. E eu fiz-lhe a vontade, até porque ela tem um espelho melhor que o meu. Enquanto me maquilhava, ela contava-me as suas aventuras e os seus dilemas nada problemáticos e eu ia acenando com a cabeça e tentava evitar rir-me para não sujar os meus olhos com o rímel que tinha acabado de colocar. Agradeci-lhe e voltei ao meu quarto para me despedir da Filipa.
"Não esperes por mim acordada, querida"
Ela ri-se. "Diverte-te por mim, Sofia".
Pego na carteira e nas chaves de casa e desco pelo elevador os quatro pisos. Lá fora, está o Afonso à minha espera para irmos para a faculdade, onde a festa já começou à uma hora.
"Desculpa desculpa" digo, enquanto entro no lugar do passageiro.
Ele percorre o seu olhar pelos meus sapatos até ao meu cabelo, voltando novamente para os meus olhos. "Estás linda"
"Obrigada, tu também não estás nada mal de fato e gravata"
Ele ri-se, envergonhado. Respira fundo, e põe o carro a trabalhar. Rapidamente chegamos a faculdade. Estacionamos ali perto e depois fomos a pé até ao recinto, por detrás do edifício da faculdade. Ele reparou que eu estava a ter dificuldade em andar com os saltos altos na rua cheia de buracos e pôs o meu braço à volta do dele para me apoiar. Olhei para ele, e esbocei um sorriso ligeiro.
"Sofia e Afonso" disse ele à entrada a outro aluno e este respondeu-nos apenas "Boa noite".
Entramos e eu largei imediatamente o seu braço. Vi ao fundo as minhas amigas e fui logo ter com elas.
"Estás mesmo gira, Sofia" disse-me a Mariana. Ela diz a quase toda a gente que elas estão mesmo giras, mas eu sei que ela é sincera e, por isso, também lhe retribui. A Rita cumprimentou-me com um beijo ao mesmo tempo que me passou uma bebida alcoólica para a mão, rindo-se. "Sempre a levar-me por maus caminhos, és incrível" e a Camila aproximou-se repentinamente perto do meu ouvido e sussurou apenas. "Ele acabou de chegar". E os meus olhos rapidamente encontraram-no e, nesse momento, juro-vos, todas as células do meu organismo sorriram.

sábado, 4 de julho de 2009

nada

nunca te aconteceu estares muito ocupado, teres demasiadas coisas para fazer, demasiadas responsabilidades, imensos horários a cumprir, tanta coisa para estudar, recusar propostas que dirias anteriormente irrecusáveis por causa dessas mesmas coisas em demasia na tua vida? nunca te aconteceu chegares a ponto onde pudeste descansar e estás sentado à tua secretária a olhar os livros mas não os vês? estás sentado à secretária a pensar na tua vida e chegas à conclusão de que não tens nada? olhas para trás e apercebes-te de facto que não tens mesmo nada e aquelas propostas ditas irrecusáveis deixaram de surgir, o telefone deixou de tocar e tu ficaste sem nada. tu não tens nada. e sem nada, tu és o quê?
não és feliz, com certeza. eu assim, sem nada, não sou. mas tento todos os dias fazer com que as propostas venham outra vez e faço de tudo para que o telefone toque. mas quando ele toca, eu não o quero atender porque não é quem eu quero do outro lado da linha. mas, não é ser um pouco esquisita? não é ser exigente? eu não sei. eu só sei é que eu nem sequer consigo tocar no telefone e atender quando não é de quem eu quero. mas nunca é de quem eu quero... e eu assim continuo sem nada e sem telefonemas... e eu assim não sou feliz.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

desabafo.

Falta-me qualquer coisa, mas o quê?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

SEGREDOS

Este foi um dos fados que ontem ouvi na casa Fado Maior.

«meu amor, porque me prendes?
meu amor, tu não entendes?
eu nasci p'ra ser gaivota.
meu amor, não desesperes
meu amor, quando me queres
fico sem rumo e sem rota.
meu amor, eu tenho medo
de te contar o segredo
que trago dentro de mim
sou como as ondas do mar
ninguém as sabe agarrar.
meu amor, eu sou assim.
fui amada, fui negada
fugi e fui encontrada
sou um grito da revolta
mesmo assim, porque te prendes?,
foge de mim, não entendes?
eu nasci para ser gaivota.»

Letra e Música: Paulo Valentim

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Festa do Lar

«Qual é a raíz de todos os males?»
«A mentira»
«Qual é o presente mais belo?»
«O perdão»

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Serenata

Serenata Lisboa
«As meninas de Santana não são como as demais»
18 Maio 2009
Algures perto do Castelo de São Jorge

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tribunal Praxe

E, assim foi o nosso tribunal de praxe.
13 Maio 2009
Faculdade Ciências Médicas
Universidade Nova Lisboa
«Nós somos de medicina, receitamos muitas vitaminas,
o que nós vamos fazer, o que nós vamos fazer
amar o curso até MORRER»

sábado, 9 de maio de 2009

breathe me

«
Ouch I have lost myself again
Lost myself and I am nowhere to be found,
Yeah I think that I might break
Lost myself again and I feel unsafe
Be my friend
Hold me, wrap me up
»

domingo, 19 de abril de 2009

I dreamed a dream.

«I had a dream my life would be
So different from this hell I'm living
So different now from what it seems
Now life has killed
The dream I dreamed.»

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Anyway

«You can love someone with all your heart
For all the right reasons
In a moment they can choose to walk away
Love 'em anyway»
Martina McBride.

segunda-feira, 23 de março de 2009

« »

«Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.»

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

TAKE twenty-two

O primeiro verão de Madalena e James com a filha Serena foi passado em Portugal, no Algarve. Juntaram-se a eles, os amigos de Madalena e a mãe dela. Passaram o mês inteiro de Agosto no aldeamento em Vilamoura, perto da praia da Falésia. Madalena mostrou a James a Marina para onde ia todas as noites quentes ter com os seus amigos, depois de longos dias de praia.

- When we were young, we came here every night and every night we talked how big our boat would be, just like all these boats here and what car we would have when we were older.
- Look at that car, gosh! Beautiful.
- I know… Every time I come to Algarve it’s like I’m turning back time. I can’t explain this feeling but I love it.
- I’m glad you do. Where’s our Serena, baby?
- She’s over there with the twins and Inês.

Os dois ficaram em silêncio, de mãos dadas a olhar para o mar e os barcos atracados. James ficou a olhar para a sua filha de seis meses e apercebeu-se de como o tempo passa a correr. A sua expressão ficou cada vez mais pesada, o que fez Madalena perguntar o que se passava.

- Nothing… It’s just… - E fez uma pausa. Olhou-a nos olhos. – It’s just that I realize I’m the luckiest guy on Earth for having you and our baby. And I also realize how fast time passes by and I’m afraid not having enough time for loving you two as I would like…
- Baby, what are you saying? Stop saying that… You, baby, - E apertou-lhe a mão – you have all the time in the world and you will never lose us… You will have all the time in the world for loving us and for us to love you.
- I know, sweetheart… It’s just that I feel time is going really fast and that scares me, you know?
- I feel that too, baby. All we can do is to live life and enjoy every part of it. Right?
James dá um beijo na face de Madalena e volta a olhar novamente Serena, que se encontra a vir na sua direcção no colo da Inês.
- Madalena – Começa Inês. – Já está a ficar tarde, não devíamos ir?
- Sim – respondeu, olhando para o relógio – Vamos embora, tenho que por essa bebé a dormir. Let’s go, baby? – Perguntou olhando na direcção de James.

Madalena com a sua filha ao colo, Inês de mão dada aos gémeos, um de cada lado, Bernardo e Miguel ao lado de James, começaram a andar em direcção da saída da Marina. Desde que Bernardo foi apresentado ao Americano que a relação dos dois tem evoluído, já se consideravam amigo um do outro e, combinavam muitas vezes saída a dois. Os dois iam entretidos a conversar sobre futebol, mais Bernardo que James, visto que este último nunca foi grande adepto. Num momento para outro, deixaram de ver Miguel à sua frente.

- Where’s your son?

Bernardo foi brutalmente interrompido pela preocupação de James. O Português ficou estático a olhar à sua volta. De repente, como num ápice, sentiu uma onda avassaladora de terror. As suas mulheres rapidamente chegaram perto dele, ficando preocupadas pela expressão de ambos.

- Que se passa, querido? – Perguntou Inês. «Não sei do nosso filho» foi tudo o que saiu da boca dele quase nem se mexendo. Inês sentiu um arrepio pela espinha e empalideceu e conseguiu gritar antes de perder a voz «Miiiiiiiiiguel!»

Rapidamente, James se misturou na multidão em direcção à saída. Deu e recebeu encontrões das pessoas que teimavam em não o deixar passar. James ouvia a sua pulsação a bater muito rápido e sentia as mãos suadas. Conseguiu, finalmente, chegar à rua. Madalena abraçou com uma força que não conhecia a sua filha e apertou o braço da sua melhor amiga. Bernardo, entretanto, tinha ido atrás de James. Inês começa a chorar e tudo o que Madalena consegue dizer é para se acalmar mas, apercebe-se rapidamente que é impossível ela acalmar-se nesta situação. James olha em redor com uma rapidez incrível e vê Miguel a preparar-se a atravessar a rua, lá ao longe. Começa a correr mesmo antes do rapaz pôr o pé no alcatrão. Ele empurra umas quantas pessoas e ao mesmo tempo acrescenta um «sorry» e continua a sua corrida até ao Miguel. Bernardo viu James a correr e olhou na direcção que ele ia e viu o seu filho a começar a atravessar a estrada cheia de carros que não têm tempo de travar em segurança. Ele grita pelo nome da sua mulher olhando para trás de si e começa a correr na direcção do seu filho. Inês ouve e começa a andar a passo apressado até ao stítio onde ouviu a chamarem-na. Madalena ia na sua frente, indicando-lhe o caminho, nunca largando o seu braço. James chegou-se perto de Miguel quando este já ia a meio da rua. Ia pegar nele mas rapidamente olhou para a sua direita e viu um carro a aproximar-se a alta velocidade na direcção deles e que não ia ter tempo para travar nem espaço para se desviar. Tudo que ocorre na mente de James é empurrar o Miguel para fora da trajectória do carro, porque sabe que não consegue sair pelo seu próprio pé dali. E, assim, o fez. Miguel caiu para perto do passeio, entre dois carros estacionados. O carro tentou travar e começou a chiar. As pessoas ali à volta deixaram de parte as suas conversas e olharam para o que ia acontecer. Madalena chegou-se perto da rua e segue o barulho do carro e vê James à frente dele. Rapidamente larga a sua melhor amiga e leva a sua mão à cabeça gritando «Nãããããoooo!!». O carro não consegue parar. Ouve-se para além do carro a chiar, o barulho do embate. Madalena fechou os olhos, já cheios de lágrimas, ao ouvir aquele barulho.
Aquele barulho era o seu marido, pai da sua filha, a ser atropelado.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Margarida Rebelo Pinto

«Quando se ama alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.»

sábado, 24 de janeiro de 2009

elogio ao amor puro, mais uma vez

«
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
»

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Outro dia normal

Acordei com a minha colega de quarto a tropeçar na sua mala quase pronta. É quarta-feira mas ela já vai para casa, um fim de semana prolongado. Disse, entretanto, umas asneiras e agarrou-se ao seu pé. Eu levantei-me da cama e abri a persiana. Quando a vi espalhada no chão, rio-me descaradamente e o meu riso puxa pelo riso dela. Estendi-lhe a mão e ela levantou-se. Peguei, em seguida, na minha toalha de banho e enfiei-me debaixo da água quente do chuveiro. Quando sai, os meus músculos contraíram devido à temperatura gélida de hoje. Corri para o meu quarto e vesti-me em menos de dois segundos. Ainda a passar a camisola de gola alta pela cabeça, saio do meu quarto e vou até à cozinha antes que o leite quente acabe. Chego lá e nada de leite quente, para variar.

- Tinhas que ter vindo mais cedo – disse, sorrindo, outra rapariga que divide casa comigo.
- Para a próxima já sei – respondo, retribuindo-lhe o sorriso.
Preparo a minha torrada e o meu leite frio com chocolate e sento-me, finalmente, desfrutando do meu pequeno-almoço. Ela irrompe o silêncio.
- Aii, hoje tenho um dia mesmo atarefado lá na faculdade, vou ter orais a quase todas as disciplinas… Estou a ficar nervosa, sabes?
- Não estejas, não precisas. Tu estudaste, não foi? Então vai correr bem, porque razão iria correr mal?
- Tens razão – disse, após hesitação – Então e tu?
- Hoje vai ser mais um dia normal na vida de Sofia, como sempre.

A conversa acabou por ali e eu aproveitei aquele momento de silêncio para lavar a minha louça e ir buscar o meu casaco, carteira e livros e ir para a faculdade. Apanho o metro na estação ao lado de minha casa e saio nos Restauradores. Atravesso a rua e vou em direcção ao elevador que sobe aquela subida monumental até à minha faculdade. Quase que não chegava a tempo, porque mal coloquei um pé, arrancou. Validei o meu Lisboa Viva e sentei-me no único lugar vago que havia. Na minha frente, estava um rapaz que não me era nada estranho. Donde é que o conhecia? Não conseguia parar de o olhar e quando ele olhava para mim, eu desviava o meu olhar para o ipod. Saimos do elevador, ele à minha frente e aí apercebi-me de onde o conhecia, era lá da faculdade. Eu comecei a andar e coloquei os dois phones nos meus ouvidos.

Apercebi-me que ele começou a andar ao mesmo passo que eu, na tentativa de falar comigo. Tirei um dos phones do meu ouvido e continuei a andar ao mesmo passo que ia. Via-o a olhar para mim, sem falar. Então olhei-o e comecei a conversa. Perguntei-lhe se também iria ter teste naquela tarde. Ele olha-me nos olhos e com um sorriso rasgado atrás da barba de dois dias diz-me que já fez essa cadeira há três anos atrás. As minhas faces coraram de vergonha mas ele pareceu não se importar. Caminhamos lado a lado até à faculdade. Ao entrar, ele segura-me a mão, fazendo-me rodar sobre os calcanhares. Após hesitação, pergunta-me se quero tomar café com ele neste preciso momento. Eu digo, sem hesitar, que sim. Fomos para o café ao lado e sentamo-nos frente a frente.
Falamos e falamos sobre o tudo e sobre o nada. Fiquei a conhecê-lo tão bem e há medida que ele me contava mais sobre ele, mais fascinada ficava e mais apaixonada me sentia.

Hoje, foi tudo menos um dia normal na vida de Sofia como eu pensei hoje de manhã. Hoje foi o dia em que me apaixonei verdadeiramente.