quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"i told you so"

Hoje acordei sobressaltada . Sonhei contigo . Outra noite em que tu apareces e eu não sei explicar porquê . Não quero nada sair da cama e enfrentar o mundo sozinha . Não quero nada sair de casa , ainda por cima com esta chuva e ventania que me leva tudo menos os sonhos . E eu já sei que vou ficar a pensar em ti o resto do dia . A contrariar a minha vontade , os meus músculos movem-me para fora da cama e em direcção à casa de banho . Arranjo-me e visto-me rapidamente por causa do frio . Tomo o pequeno-almoço concentrada no que se passa no outro lado da janela e tento prepara-me mentalmente para enfrentar o mau tempo . Pego no guarda-chuva e saio de casa . Entro no autocarro e vou até Belém para as minhas aulas . Tão distraída que eu estava de pensar em ti e eu só olhava para o relógio para ver quando me podia ir embora . Só queria sair dali porque nem sequer estava a ouvir o professor nem o que as minhas amigas conversavam baixinho comigo . Eu simplesmente não estava ali . Oh, se fisicamente também não estivesse...
Depois do ponteiro marcar uma hora da tarde , eu começo a arrumar as minhas coisas e a pensar sair sem ninguém dar por mim . E consigo . Abro o guarda-chuva outra vez - claro que ainda não parou de chover , quer dizer , estamos em Janeiro , não é? - e vou quase como a correr para a paragem de autocarro . Entro no primeiro que pára . A meio do caminho , começo a não identificar as casas e as ruas por onde estou a passar . Queres ver que me enganei no autocarro? Perguntei a uma senhora por onde estávamos a ir e ela respondeu-me que aconteceu um acidente , pelo que o percurso fora alterado . Ah, está bem . Quando começo a situar-me onde estou e vejo o Marquês ao fundo , eu carrego no stop e saio . Bolas, não era bem aqui que eu queria sair . Abro o meu guarda-chuva muito apressadamente , pelo que ele me foge das mãos e cai a quase um metro de mim . Neste preciso momento , está a chover como se não houvesse amanhã e eu já sinto toda a minha roupa molhada exageradamente . Agarro bem nos meus livros para não cairem nas intermináveis poças de água que por ali se formaram e baixo-me , alcançando o guarda-chuva estendido . Ao mesmo tempo , alguém faz o mesmo que eu . Levanto a cabeça para o ver , não precisando de muito porque ele está ao mesmo nível que eu e vejo . Vejo-o por detrás de todas as gotas de água que nos separam , por todos os fios de cabelo que se atravessam na minha cara e por detrás das pálpebras que se teimam em fechar e abrir para ver quando é que ele desapareceria e eu chegasse à realidade de que afinal fora uma ilusão . Ele sorri-me . O mesmo sorriso atravessado que faz em todos os meus sonhos e me faz apaixonar por ele . Ele abre o guarda-chuva e levanta-me pelo cotovelo , abrigando-me . Afasta o meu cabelo da minha cara e levanta o meu queixo na direcção da sua boca.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

às vezes

"Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e ...então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a fazer. E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordeiramente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade. Às vezes, é preciso partir antes do tempo, dizer: aquilo que mais se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um Deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que a vontade de mudar é sempre mais forte, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim. Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito. Somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor. Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo a baixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda-fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo. Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio, paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer."

sábado, 2 de janeiro de 2010

passagem de ano

Faltavam quinze minutos e eu sentada no chão em frente da lareira lá de casa, atenta aos meus primos enquanto tentavam explicar a palavra que lhes saiu. Eu e o meu primo mais velho conseguimos fazer doze palavras seguidas, enquanto que a minha prima mais nova disse que sabia que a palavra escrita era "quimioterapia". Claro que sabias. Ela fez-me rasgar um sorriso naquele momento e eu abracei-a. Faltavam uns dois minutos para a meia noite quando eu estava sentada no sofá, em frente à minha prima e lhe explicava por outras palavras, a palavra que ela tinha que me dizer. Ela tentou e tentou mas eu só pedia "sinónimo disso" e ela continuava a tentar até a minha mãe nos agarrar pelos cotovelos e nos levar para a sala ao lado. Começou a contagem decrescente e eu só pensava "é agora. é agora que saio deste ano e entro na nova década." e eu berrei os números desde 19 até zero e depois abracei a minha família toda e desejei-lhes do fundo do meu coração um óptimo ano para eles. Já em 2010, telefonei aos meus amigos e desejei-lhes o mesmo. Depois, desafiei um dos meus primos num jogo de bilhar. Sempre a meter as bolas e quando eu não conseguia, ele não acertava na branca e tinha que tirar uma das pequenas. Consegui, finalmente, meter todas as grandes e faltava-me a preta. Ficou encostada ao buraco, pelo que ele depois de enfiar a última pequena que tinha, enfia a minha preta. Well done. É hora de ir ter com as amigas e partir para a Trofa. Foi só beber e dançar, sozinha e acompanhada. Claro que não faltaram os rissóis e as tentativas de me arranjar um namorado para dois mil e dez. Adorei tudo. Tudo mesmo.
Na manhã seguinte (ou devo dizer, hora do jantar?) acordo em Braga ao lado da minha irmã. E logo no primeiro dia do ano, fui enganada por uma aranha que se fez passar por morta. Tenho de confiar menos.
Este ano começou ainda melhor que o ano passado. Será que tudo o resto vai ser melhor?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

:D

Year of two thousand freaking ten ! WELCOME