terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Margarida Rebelo Pinto

«Quando se ama alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.»

sábado, 24 de janeiro de 2009

elogio ao amor puro, mais uma vez

«
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
»

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Outro dia normal

Acordei com a minha colega de quarto a tropeçar na sua mala quase pronta. É quarta-feira mas ela já vai para casa, um fim de semana prolongado. Disse, entretanto, umas asneiras e agarrou-se ao seu pé. Eu levantei-me da cama e abri a persiana. Quando a vi espalhada no chão, rio-me descaradamente e o meu riso puxa pelo riso dela. Estendi-lhe a mão e ela levantou-se. Peguei, em seguida, na minha toalha de banho e enfiei-me debaixo da água quente do chuveiro. Quando sai, os meus músculos contraíram devido à temperatura gélida de hoje. Corri para o meu quarto e vesti-me em menos de dois segundos. Ainda a passar a camisola de gola alta pela cabeça, saio do meu quarto e vou até à cozinha antes que o leite quente acabe. Chego lá e nada de leite quente, para variar.

- Tinhas que ter vindo mais cedo – disse, sorrindo, outra rapariga que divide casa comigo.
- Para a próxima já sei – respondo, retribuindo-lhe o sorriso.
Preparo a minha torrada e o meu leite frio com chocolate e sento-me, finalmente, desfrutando do meu pequeno-almoço. Ela irrompe o silêncio.
- Aii, hoje tenho um dia mesmo atarefado lá na faculdade, vou ter orais a quase todas as disciplinas… Estou a ficar nervosa, sabes?
- Não estejas, não precisas. Tu estudaste, não foi? Então vai correr bem, porque razão iria correr mal?
- Tens razão – disse, após hesitação – Então e tu?
- Hoje vai ser mais um dia normal na vida de Sofia, como sempre.

A conversa acabou por ali e eu aproveitei aquele momento de silêncio para lavar a minha louça e ir buscar o meu casaco, carteira e livros e ir para a faculdade. Apanho o metro na estação ao lado de minha casa e saio nos Restauradores. Atravesso a rua e vou em direcção ao elevador que sobe aquela subida monumental até à minha faculdade. Quase que não chegava a tempo, porque mal coloquei um pé, arrancou. Validei o meu Lisboa Viva e sentei-me no único lugar vago que havia. Na minha frente, estava um rapaz que não me era nada estranho. Donde é que o conhecia? Não conseguia parar de o olhar e quando ele olhava para mim, eu desviava o meu olhar para o ipod. Saimos do elevador, ele à minha frente e aí apercebi-me de onde o conhecia, era lá da faculdade. Eu comecei a andar e coloquei os dois phones nos meus ouvidos.

Apercebi-me que ele começou a andar ao mesmo passo que eu, na tentativa de falar comigo. Tirei um dos phones do meu ouvido e continuei a andar ao mesmo passo que ia. Via-o a olhar para mim, sem falar. Então olhei-o e comecei a conversa. Perguntei-lhe se também iria ter teste naquela tarde. Ele olha-me nos olhos e com um sorriso rasgado atrás da barba de dois dias diz-me que já fez essa cadeira há três anos atrás. As minhas faces coraram de vergonha mas ele pareceu não se importar. Caminhamos lado a lado até à faculdade. Ao entrar, ele segura-me a mão, fazendo-me rodar sobre os calcanhares. Após hesitação, pergunta-me se quero tomar café com ele neste preciso momento. Eu digo, sem hesitar, que sim. Fomos para o café ao lado e sentamo-nos frente a frente.
Falamos e falamos sobre o tudo e sobre o nada. Fiquei a conhecê-lo tão bem e há medida que ele me contava mais sobre ele, mais fascinada ficava e mais apaixonada me sentia.

Hoje, foi tudo menos um dia normal na vida de Sofia como eu pensei hoje de manhã. Hoje foi o dia em que me apaixonei verdadeiramente.