quarta-feira, 27 de outubro de 2010
I'm done...
hurting, crying, screaming, caring, believing, talking, laughing, smiling, loving. I'm done.
lição dos 20 anos
Recordei hoje com as minhas amigas o filme Orar, Comer e Amar. E estávamos a falar da palavra preferida da protagonista. E fiquei a pensar. Qual será a minha? Pensei e pensei e não sei. Depois passei para "E frases?". Também não cheguei a conclusão nenhuma. E depois veio-me à cabeça "E frases que odeies?". Neste momento? Odeio que me telefonem e a primeira coisa que me perguntem é "Sofia, é verdade que disseste isto ao não-sei-quantos? é que a não-sei-que-mais disse que o não-sei-quantos disse que tu tinhas dito". É uma longa frase que envolve a quebra de confiança no não-sei-quantos, cusquice da não-sei-que-mais e incompreensão de quem telefona e desilusão minha. Senti-me completamente nua e enganada. Tal como ontem na minha primeira aula do novo curso, a mensagem que a professora dizia a uma aluna por gestos, não chegava à outra aluna que estava de costas. Na transferência de informação, há sempre algo que se perde e muitas vezes é o sentido/contexto do que foi dito. E com isso, geram-se mais conflitos e mais desconfianças.
Ao contrário do que alguém uma vez disse "bem ou mal, falem é de mim", não o façam. E não digas ao B que eu que te disse que o céu estava azul.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
KARMA
Com tudo o que aconteceu desde que este ano começou, apenas sublinho a frase de uma letra de uma música.
"what goes around comes always back around"
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
noite
Ali estavas tu, sentado no meio da praça rodeado de amigos e de minis. Eram duas e meia da manhã e nem a chuva dessa noite te estragou os caracóis castanhos. Eu sentei-me à tua frente no chão branco sujo e comecei a conversar com os teus amigos mas o meu olhar estava sempre em ti. Não me olhaste nem me falaste durante 20 minutos. Foi preciso eu sorrir para tu reparares em mim. Levantaste-te e foste sentar-te ao meu lado. "Como te chamas?" e eu respondi-te Sofia. "E tu?" e ele perguntou-me "O que achas?" e eu disse-lhe o primeiro nome que me veio à cabeça e acertei. Ele ofereceu-me uma mini e começou a falar-me sobre o que ele gosta de fazer. E disse-me que me ensinava. A chuva não parecia incomodar ninguém. Puseram música mais alto e começamos todos a dançar. Ele pegou na minha mão e encostou-me a ele. "Dança comigo" e eu dancei a noite toda. Os meus olhos castanhos não conseguiam desviar-se dos teus olhos verdes.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
mentiras e mais mentiras.
Sabes quando achas que é impossível desiludirem-te mais e depois ainda conseguem fazê-lo na perfeição? Foi o que aconteceu com ela. É claro que ela sabe que toda a gente mente, toda a gente engana, toda a gente esconde. Ela não é criança nenhuma. Aprendeu ainda nos seus frescos 16 anos que a mentira pode arruinar a vida de alguém. No dia 6 de Novembro, ela lembra-se bem. O namorado preferiu acreditar num rapaz qualquer do que nela e antes de se ir embora para nunca a mais a ver, apenas disse "não consigo olhar para a tua cara". E durante meses chorou e suplicou-o de volta. Perdeu todo o seu orgulho para tentar que ele voltasse para ela. Não voltou. Pelo menos, não nesse ano nem nos dois próximos. Até entrar para a faculdade, essa foi a única mentira que lhe virou a vida ao contrário. Sabem porquê? Ela não se envolveu com mais ninguém. Nem sequer fazia novas amizades porque não queria sentir nada. Queria continuar anestesiada e com as lágrimas congeladas. Isso durou até três anos depois. Fez novos amigos e o seu melhor amigo mentiu-lhe e escondeu-lhe coisas importantes. Outra viragem na vida dela e as lágrimas descongelaram instantaneamente e começou a chorar um rio. Não há nada pior que perder um melhor amigo. E disso ela sabe bem. Já perdeu a sua melhor amiga uns anos antes disso e ficou sem sentido. Não sabia o que fazer até que fez dos seus dias uma tentativa de conquista diária pela sua amiga. E conseguiu. Conseguiu tão bem que ainda hoje são inseparáveis e se adoram mais do que nunca. Sabes, elas são daquelas pessoas que podem estar separadas por vários (e muitos) quilómetros que sentem-se próximas uma da outra mesmo assim. E elas precisam tanto uma da outra. Agora mais do que nunca. As nossas vidas estão a mudar tão rápido que precisamos de quem conhecemos na adolescência, quando éramos umas crianças inocentes e víamos o mundo cor-de-rosa, para não nos perdermos nesta selva que é a vida. Mas agora perdeu outro amigo. E enquanto o ouvia a perder não conseguia parar de rir. Será ela normal? A única solução que ela encontrou, a meu ver - claro -, é que para não o perder terá que se afastar emocionalmente dele. Ela não é a mesma amiga que ele enganou. Aliás, ela agora é crescida e de olhos bem abertos. Ela sabe como é que as pessoas são e o que as pessoas fazem. Se isto vai afectar nos próximos relacionamentos dela? Não tenho dúvidas que sim. Ela agora finge que não lhe mentiram porque não quer odiar ninguém nem está preparada para perder alguém. E como dizem, o tempo cura tudo. O tempo leva tudo. Mas não me leva a mim nem à tua mentira.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
21 anos
Está escuro quando acordei mas já era de dia. A única luz que eu via era a do meu telemóvel a piscar. Alguém está a telefonar-me. Estico-me até à mesinha de cabeceira e carrego na tecla verde. Sim?, perguntei com a minha voz de sono. Do outro lado ouvi um ríspido Sofia, é o seguinte. Ainda nem eram oito horas da manhã e este já estava a ser o pior dia da minha vida. A vontade de lhe desligar o telemóvel era tanta mas tive de me controlar para não criar mais problemas com ele. Deixei-o falar em silêncio. Também era-me impossível proferir qualquer palavra porque ele nem parava para respirar. Acabou com um igualmente grosseiro Percebeste? Então agora se me dás licença. Piii. Som de chamada terminada. Pousei o telemóvel na mesinha e voltei a cara para o tecto escuro que não o via. Respirei fundo e sai da cama contrariada. Meti-me debaixo da água fria à espera que ela lavasse todo o meu mau humor desta manhã. Não lavou nem o levou. Vesti uma t-shirt e uns leggins e sai de casa, sem relógio nem telemóvel. Entrei no café ao lado de minha casa e tomei um café duplo e um croissant para me dar energia. Corri durante 45 minutos no parque à frente de minha casa. Não falei com ninguém nem sequer vi ninguém. Para mim, foi como estar sozinha no parque. Pelo menos foi o que eu senti. Sozinha. No final, deitei-me no banco castanho velho e comecei a respirar. A respirar e a pensar. A única coisa que me rasgou um sorriso neste corpo cansado foi saber que falta um mês para eu fazer os tão esperados 21 anos. Eu tenho sempre este pensamento estranho. Penso sempre da mesma maneira nos meus anos e nas passagens de ano. Tudo vai ser diferente daqui para a frente. Ou então, que vou mudar aquilo que não gosto em mim ou o que faço. Acabo por mudar de penteado, roupa e carteira. E nos primeiros dias, até mudo um pouco de mim e tento sempre fazer algo melhor. Mas passados uns dias, volta tudo ao mesmo. E depois volto a correr pelo parque sentindo-me sozinha. Mas isto vai mudar. Eu sei que é difícil acreditar que sim, mas desta vez é a sério. Os 21 anos não são brincadeira nenhuma. E toda a gente diz que é a idade que as coisas à nossa volta mudam. Pois bem, eu vou mudar com elas. Quando eu tiver 21 anos, aquele telefonema não me deixar tão mal ao ponto de me obrigar a ir correr.
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