sexta-feira, 30 de maio de 2008

( )

«Something always brings me back to you.
It never takes too long.
No matter what I say or do I'll still feel you here 'til the moment I'm gone.
You hold me without touch.
You keep me without chains.
I never wanted anything so much
than to drown in your love and not feel your rain.»

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Take five

Miguel apercebeu-se do clima desconfortável entre Madalena e Jimmy. Pediu licença às pessoas com quem estava a falar e foi ter com eles os dois. Atravessou a sala e acrescentou, quando chegou perto deles:

- Hi, Madalena. So, are you enjoying the party?
- Oh you can talk in Portuguese. Apparently, he understands it.
- Really? - perguntou Miguel a Jimmy.
- Kind of, some words. Anyway, Miguel, why don't you introduce us ?
- Oh, right! I'm sorry. Madalena, this is Ji...
- James. James Cavanaugh.
- James? Since when? - questionou, rindo-se.
- Shh.
- Ok, Jaaames. And of course, this is Madalena Vilaça.

A noite acabou entretanto. Miguel acompanhou Madalena até ao seu carro e depois seguiu-a, no seu carro, até ao apartamento dela. Ele era, como o costumava chamar, «amigo super protector», mas obviamente que não se importava. Até porque detestava fazer viagens sozinha, ainda por cima às quatro horas da manhã.
Madalena chegou ao apartamento e após ter posto alarme para as nove horas da manhã, deitou-se e adormeceu logo.

«Triiiiiiim, Triiiiim». Eram nove horas em ponto e o seu despertador não parava de tocar. Ela atirou-o para o chão, calando-o. Madalena era daquelas pessoas que não tinha o seu humor ao mais alto nível pela manhã. Não falava com ninguém nem esboçava nenhum sorriso. Mas, vivendo sozinha, isso não fazia diferença nenhuma.
Vestiu umas calças de ganga, uma camisa azul às riscas. Calçou umas sapatilhas e penteou o seu cabelo todo para trás, fazendo um rabo-de-cavalo. Tomou café e saiu de casa, fechando a porta. Quando já ia a sair do seu prédio, aperecebeu-se que se tinha esquecido dos óculos de sol. Atrasada como estava, não voltou atrás.

Ao chegar ao Hospital cumprimentou toda a gente com um aceno de cabeça. Não proferiu uma única palavra nem mostrou nenhum sorriso. Qualquer um a acharia antipática e talvez um pouco arrogante, mas todos aqueles que a conhecem, sabem que ela não é assim. Dirigiu-se até aos balneários para trocar de roupa. Já de bata vestida, dirige-se até ao balcão para recolher algumas fichas e começar o seu turno. Uma das estagiárias começou a dirigir-se até Madalena mas uma enfermeira impediu-a, acrescentando:

- If I were in your shoes, I wouldn't do that.
- Why?
- Dr Vilaça doesn't have good temper in the morning. Talk to her after lunch. - disse, sorrindo.
A estagiária seguiu o conselho da enfermeira e voltou aos pacientes. Depois da enfermeira ter chegado ao balcão, Madalena perguntou:

- Are you already saying bad things about me to the interns? - sorrindo.
- Oh no, sweetheart. That one is very annoying. Always 'blabla', you know? I just made you a favour.
- Oh, I guess I owe you one, Mrs Scavo. Now lets go to work, ladies.
- No no no. First, Madaleine, you have to tell me how was last night.
- Terrible. Just terrible. I met a guy and *Arghhhh* he's always showing off, you know.
- I see, I see...
- Why are you doing that face?
- What face, darling? - piscando os olhos.
- That face! Nothing happened last night. And nothing will happen as I will never see that man again in my life.
- What is his name, do you know?
Madalena olhou para o relógio e disse: - I don't have time for this. I have to see the pacients, ok? Good work, Mrs Scavo.
- Ohhhhh! ... Good work to you too.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Confia em MIM

E ali estava ela. Tinha-se ido abaixo, literalmente. Estava sentada de joelhos no chão, encostada à parede do meu quarto de banho. Ela, a rapariga que eu admiro por ser capaz de estar sozinha, por não depender os rapazes como as suas amigas dependem e por se orgulhar de ser assim, está agora encostada à parede do meu quarto de banho. De rastos, com o coração completamente partido e toda a sua confiança perdida. Sem saber para onde se virar, eu digo-lhe para confiar em mim. Ela limpa as lágrimas e levanta-se, procurando ganhar forças. Já de pé, arranja a roupa e ajeita o cabelo. Olha-se ao espelho e no seu reflexo repete as minhas palavras «Confia em mim». Disse uma e outra vez, disse-o gritando até confiar. Disse-o sem tirar o olhar dos seus olhos.
Já mais confiante, sai do quarto de banho, fechando a porta e apagando a luz.

domingo, 25 de maio de 2008

25 MAIO 2OO7

E já passou um ano. A noite de 25 de Maio de 2007 foi, sem dúvida, uma noite para ser recordada com sorriso estampado na cara. Nesta noite, juntaram-se os meus professores, actuais e antigos, os amigos que conheço desde o infantário, a Maria do Carmo, os amigos que fui ganhando ao longos dos anos e as amizades recentes. Tudo isto dentro de uma sala, na
Casa da Música.

sábado, 24 de maio de 2008

Take four

Já de bebidas nas mãos, Miguel apresentou Madalena a mais convidados. Entre eles havia advogados, médicos, arquitectos, artistas, todos eles com um interesse em comum: a Arte. Madalena era perita em decorar os nomes. Conheceu Wes Bach e a sua mulher, Jasmine Smith, John Dean, Jennifer Morrison, Amy e Peter Mayfield, entre outros.

Depois de Jimmy ter dado uma volta pela espaçosa sala, reparou que Madalena se encontrava sozinha. Decidiu ir ter com ela. Não sabia o que lhe dizer mas isso não o impediu. Parou ao lado dela, a apreciar o quadro que se encontrava a frente deles. Nesse momento, Madalena inclinou a cabeça para o lado esquerdo e ele fez o mesmo, dizendo:

- É engraçado como desta forma se percebe melhor.
Madalena endireitou-se, surpreendida, e acrescentou, sem tirar os olhos do quadro: - Tem toda a razão.
Olhou para o lado e viu-o, questionando:
- Fala Português? Pensava que era Americano.
Madalena voltou a virar-se para a frente, em sinal de desprezo.
- E sou. Nasci e cresci aqui, em Miami. Falo um pouco Português, com certeza que me sinto mais a vontade falar em Inglês.
- I see... - suspirou Madalena.
- Don't tell me you are still mad at me... Come on!

terça-feira, 20 de maio de 2008

( )

«There are nights when I can't help but cry
and I wonder why you had to leave me.
Why did it have to end so soon?
You said you would never leave me.
Where did I go wrong?
What did I do to make you change your mind completely?
I thought this love would never end
but if this love's not ours to have
I'll let it go with your goodbye.»

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Take three

Às dez horas da noite, os convidados foram sentados à mesa. A sala estava cheia de mesas, com toalhas e conjuntos de cor branca. As paredes eram vermelhas e toda a mobília era de madeira escura. Madalena ficou sentada ao lado de Marin e Miguel. A conversa entre elas as duas ainda durava, desde que foram apresentadas. Já falaram de Portugal e os seus costumes, dos trabalhos de ambas e a vida familiar de cada uma. Madalena soube que Marin e Joseph conheceram-se no primeiro ano da faculdade e desde então que nunca mais se largaram. Casaram-se aos 25 anos e tiveram duas filhas, ao completarem os 30 anos. As gémeas chamam-se Lauren e Louise. Madalena contou-lhe que nunca se tinha apaixonado verdadeiramente e o rapaz que ainda lhe passava pela cabeça, de tempos em tempos, era o seu primeiro namorado, aos 14 anos. Disse-lhe, também, que estava solteira desde que pôs os pés nos Estados Unidos.
A conversa, neste momento, era sobre a actualidade. Madalena conduzia a conversa quando foi rudemente interrompida.

- I don't think that's entirely true, lady.
- I beg your pardon? - questionou, céptica.
- About what you're saying. I really don't think it's the way you're saying to Mrs Marin.
- Well, I believe I know what I am saying.

Todos os que estavam sentados naquela mesa tinham deixado as suas conversas de lado para escutarem o que os dois diziam, uma vez que a conversa parecia encaminhar-se para uma discussão, politicamente correcta.

- Where did you get that information? - ele perguntou.
- It is all over the news...
- Do you believe in everything you hear? - esboçando um sorriso de maneira a provocá-la.

E provocou-a. Se esta era a forma de Jimmy se fazer notar e chamar a atenção dela, com certeza que conseguiu. A conversa continuou e os presentes estavam a adorar as respostas que cada um dava ao outro. Parecia quase como que uma competição em que os outros eram os juízes.
No final da sobremesa, Marin levantou-se e pediu-lhes para se dirigirem à «Drinking Room».

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Take two

- Hey, Miguel... who's she?
- Oh... no no no, Jimmy, she's not for you.
- Why ?! Does she have a boyfriend?
- No...
- Does she have a husband?
- No, she...
- Is she gay?
- Oh nothing like that, she...
- So, she's totally for me... They, women, are all for me!
- That is why SHE is not for you. Just let it go, J!
- Come on Miguel!
- Shhh... !
- Miguel?

Miguel Ventura era o anfitrião da festa e amigo de quase todos os presentes, inclusive de Madalena. Conheceram-se em Portugal, no aeroporto, quando ambos estavam de partida para o desconhecido Miami. Enquanto esperávam pela avião, ficaram a falar um com o outro, na tentativa de ficarem a conhecer-se. Nessa tarde, Madalena soube que Miguel era formado em História da Arte e que se fascinava por todos os pintores e escultores, em que cada um tinha a sua particularidade. Madalena contou-lhe que tirou o curso de Medicina e que esperava fazer da investigação a sua vida. Mas entretanto esse não foi o seu destino.

- Madalena, minha amiga, sempre pudeste vir!
- Claro Miguel! Sabes que eu adoro as festas que organizas em nome da Arte. - disse, cumprimentando-o com dois beijos.
- Vem, quero apresentar-te a dois bons amigos meus, os donos do Museu.
Quando chegaram perto do casal, Miguel acrescentou:
- Marin, Joseph, I'd like to introcude you a friend of mine, Dr Madalena Vilaça. She's Portuguese like me - ele disse, sorrindo e apontando na direcção dela.
- Hi, nice to meet you both - admitiu Madalena, com a sua confiança característica.
- Are all the Portuguese ladies beautiful as you are, sweetheart? - perguntou Marin.

Miguel pediu licença e foi ter com Jimmy, que não parava de lhe mandar sinais pouco discretos.
- Stop it, J!
- Miguel, seriously...
- I don't want to hear anything else. Madalena's a great woman...
- Madalena? What a beautiful name.

Take one

- Que horas são, Graça? - perguntou à secretária.
- São quase seis horas da tarde, Doutora.
- Oh, estou tão atrasada! - disse, enquanto escrevia uns últimos apontamentos na ficha do paciente que tinha acabado de receber.
- Atrasada para quê, Doutora? Vai trabalhar hoje no Hospital? Pensei que à quarta-feira ficava pela Clínica.
- Não é isso. Hoje há um jantar/festa... No museu...
- A uma quarta-feira?
- Aparentemente. Esquisito, não acha? Mas bem, pode chamar o Dr Espírito Santo pelo pager? O meu turno já acabou há vinte minutos.
- Com certeza, Doutora Vilaça.

Vinte minutos depois, ela chegou a casa. Preparou um banho rápido e escolheu a roupa que iria usar esta noite. Era um vestido longo, formal e de cor amarela. Maquilhou-se - apesar de que não era preciso - e não fez nada ao cabelo. Estava perfeito assim como estava, solto e cheio de caracóis naturais. Ela chamou um táxi e, depois de pegar na carteira e no casaco, desceu e ficou à espera lá fora. Estava uma noite quente, como é habitual em Miami.

- Where to, Madam? - perguntou o taxista.
- To the Museum, please.
O táxi parou mesmo à entrada.
- How much is it?

Enquanto subia as numerosas escadas do museu, ela apreciava a decoração antiga e a pedra velha que suportava o edifício. Deu por si a pensar que nunca tinha lá entrado, apesar de que já vivia em Miami há bastantes anos; seis anos, para ser exacta.

- Name, please, Madam.
- Vilaça. Dra Madalena Vilaça. V-I-L-A-Ç-A.
- Very well. Would you like to give me your coat?
- Sure. Thank you.

Pegou num copo de champagne e começou a andar aos circulos pela gigantesca sala, do estilo século XVIII, com pinturas no tecto e candeeiros grandes e brilhantes. Passava de quadro em quadro, escultura em escultura, apreciando todas as obras e tentando decorar todos os nomes dos autores. De certa maneira, para se sentir mais culta nesta área. Madalena era, sem dúvida, uma mulher que fazia girar as cabeças a muita gente. E, sem dúvida, que virou a cabeça de James, um Americano de nascença.

sábado, 10 de maio de 2008

Passado

Não gosto desta época
Onde o céu é tão escuro
Gostava de viver noutra década
Onde nada era inseguro.
Talvez nos anos setenta
Onde os hippies eram a moda
Ou mesmo nos anos oitenta
Onde se podia andar lá fora.
Portas e janelas abertas
Ninguém tinha medo
Pessoas pouco despertas
Não havia um único segredo.
Viam um futuro promissor
Mesmo à sua frente
Agora resta apenas tristeza e dor
Mas nada de surpreendente.