quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Descartes.

"os meus sentidos por vezes enganam-me, e é prudente nunca confiar completamente naqueles que nos enganam uma vez que seja".
“Se te convém, despacha; não converses. Eu não dou mais”.
«I pass another day wasting thoughts on what's ahead asking, what if and why not and who's to say? When all I really know of you is you're just as lonely too 'cause desperate hearts are hearts that need someone. I'm careless sometimes. I'm sure that you'll find, but that's now how I want to live my life. I wanna to be sure but don't know how to...»

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tantas vidas 2.

Durante o meu turno, vi várias vezes o doutor que me convidou para logo à noite. Sempre que o via, era um arrepio que sentia em todo o meu corpo. Sentia-me adolescente outra vez, como se estivesse na escola apaixonada por um professor. Não conseguia esconder um sorriso em mim, não conseguia equilibrar-me mesmo usando sapatilhas, não conseguia respirar sempre que ele passava por mim, não conseguia falar nem pensar. A única coisa que conseguia de facto, era ouvir o meu coração a bater cada vez mais rápido e cada vez mais alto. Meu deus, como é que eu já podia estar tão apaixonada?...

No final do turno, regresso novamente ao balneário e troco de roupa. Umas calças e uma camisola que eu tinha trazido de propósito para agora. Reparo que deixei cair um post-it assim que abro o meu cacifo. «Quem é? Quero saber. Catarina». Eu tiro da minha carteira um bloco cheio deles e escrevo num «Dr. Bombarda, o da Neurologia! Vemo-nos em casa, Cat.» e deixo-o no cacifo dela, que é ao lado do meu.
Saio do balneário e vou confiante ter com ele, que me espera na entrada no Hospital.
Na manhã seguinte, acordo muito calmamente. Espreguiço-me à vontade enquanto os meus olhos se adaptam à luz do Sol que entra pelas persianas do quarto. Olho à volta antes de me decidir levantar e enfrentar mais um dia de trabalho. Assusto-me ao perceber de que não reconheço nada do que está a rodear-me. Aquelas cómodas, aquela cadeira ali, esta tinta na parede, esta cama, estes lençóis, estas janelas, este pijama… Nada disto é meu. Dormi em casa dele no primeiro encontro? MEU DEUS, Camila, onde é que tinhas a cabeça? Olho para o outro lado da cama e vejo de facto de que dormiu alguém ali. Mas onde estaria ele agora? Levanto-me da cama e saio do quarto. Desço as escadas. Casa bonita que ele tem. Seria exactamente assim que eu a decoraria. Viro à esquerda e entro na cozinha. Mas como é que eu sabia que a cozinha era aqui? Preparo o pequeno-almoço para mim já que não o encontro em nenhum canto desta casa. Se calhar entrou em urgência, era normal. Não me preocupei mais com isso e tomei o café e comi as torradas calmamente. Só entraria em turno daqui a quatro horas e meia. Depois, vou até à entrada. Pode ser que ele tenha deixado lá qualquer coisa para mim. Olho para as fotografias emolduradas na parede e pousadas na mesa e assusto-me. São fotografias de uma mulher, em todas elas. Meu deus, Camila, o quê que tu fizeste ontem à noite? Não me lembro de nada.

Subo as escadas a correr sem tropeçar em nenhum degrau. Procuro a minha roupa de ontem mas não a encontro em lado nenhum. Sem pensar, abro rapidamente o armário e vejo lá a roupa dela. Pego numas calças de ganga e uma t-shirt qualquer. Só não queria que ela desse por falta disso. Saio de casa a correr e sem olhar para trás, nem queria saber onde ele morava e ficar com esta casa na minha memória. Saí sem carteira e casaco mas pouco me importaria. Vou voltar agora ao Hospital e dizer-lhe que deixei isso lá, para ele depois me devolver sem a mulher dele reparar em nada. Burra, burra, burra.Percorro em passos largos ruas e mais ruas até chegar ao Hospital. Entro pela porta principal, cumprimento a senhora da recepção com um grande sorriso como sempre e ela retribui-me com um bom dia um pouco seco. Pergunto se o Dr. Bombarda estava em cirurgia ou se podia falar comigo. «O Dr. Bombarda não está em cirurgia neste momento mas também não lhe posso dizer onde está. Quer que chame e ele vem cá ter consigo?» e eu respondo «Não se incomode. Eu própria procuro por ele. Obrigada.» Saio rapidamente da frente da senhora e percorro os corredores do hospital que eu tão bem conheço. Entro na área da Neurologia e vejo-o lá ao fundo. Foco-me nele e os meus pés andam automaticamente em seu encontro.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

life got cold

«And even though the last hello has left me on the floor, I don't believe in Romeos or heroes anymore»