quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Passagem de Ano

Andei o dia todo de ontem a correr pelos centros comerciais à procura do vestido perfeito para hoje. Depois de ver praticamente todas as lojas existentes em dois centros comerciais diferentes, decidi-me. É mesmo este o vestido que eu quero. É branco, com uma longa fita preta que me cobre do pescoço até aos joelhos, onde o vestido acaba. De um lado e de outro desta fita, é cor branca.
Já perto da hora de jantar, fui-me arranjar. Lavei o meu cabelo e fiz dele caracóis grandes e leves. Vesti umas meias calças pretas e, por cima, enfiei o vestido. Calcei os meus sapatos por estrear e acrescentei umas tantas pulseiras e o anel. De frente para o espelho do meu quarto de banho, começo a maquilhar-me. Base da cor da minha pele, pó nas bochechas até às têmporas, rímel nas pestanas de cima, risco preto por cima do olho e a finalizar, o batom de cor rosa da minha irmã. A sair de casa, vesti o casaco e alcancei a minha carteira cinzenta.
Liguei o carro e arranquei. Percorri quase três quilómetros para apanhar quatro amigas minhas e seguimos viagem. Após quinze minutos a conduzir, finalmente estacionei o carro à frente da casa onde a festa se vai realizar.
Saimos as cinco do carro a comentar os nossos vestidos e a rir de alegria. Este ano seria para festejar esta passagem de ano e a do ano passado, já que não passamos todas juntas. Hoje, eu admito, eu estou feliz.
Tocamos à campainha e abriram-nos imediatamente a porta. Cumprimentamos e começamos a circular pelo enorme salão, tão bem decorado com as cores de preto e dourado. Conhecia praticamente toda a gente daquela sala, excepto, uma. Uma rapariga mais baixa que eu uns bons dez centímetros, magra, que usava uma vestido azul água até um pouco acima dos joelhos e bastante decotado tanto à frente como atrás. Usava o cabelo como se não tivesse tocado nele desde que acordou e a maquilhagem, muito, muito suave. Estava a vê-la agora de lado, a conversar com dois grandes amigos meus. Quem será?
Afastei-me das minhas amigas e fui ter com o anfitrião da festa, que neste momento estava a servir bebidas no bar, junto à mesa de bilhar. Aproximo-me sem ele dar conta.

- Quem é ela? - pergunto sem nunca deixar de olhar.
Ele ri-se por se ter assustado e de ter molhado o balcão com vodka. Ao limpá-lo, pergunta-me. - Quem? - Ele segue o meu olhar e sabe a resposta. - Aaah, ela. - Fez uma pausa e enche o copo até ao fim, entregando-me nas mãos. - É a namorada dele. - E faz-me um sinal com os olhos, para o outro lado da sala, quando pronuncia dele.
Eu viro o olhar e percebo quem é ele. Deixo rapidamente a postura de curiosa e adopto uma surpreendida. - Ele está cá? - pergunto quase engasgando-me. Bebo metade do copo e sinto as minhas mãos a tremer. - E ninguém me diz que ele está cá? - Olho outra vez na direcção dele e ele olha-me de volta. - Bolas! - E fico estática a olhar para o anfitrião, com cara de envergonhada. - Ele reparou, não reparou? Reparou?
- Com licença. – e afasta-se de mim, segurando incrivelmente cinco copos cheios nas suas duas mãos.
Eu viro-me para trás e ele está ali, ao meu lado.
- Olá, estás boa? – com o seu sorriso envergonhado e, ao mesmo tempo, provocador.
- Hum. – bebo um trago da vodka. – Sim, e tu?
- Também. Estou admirado por te ver aqui, ninguém me disse que ias estar cá.
- O mesmo se passou comigo. – admito, olhando em volta, cruzando o olhar com a namorada dele. – E já vi que vieste acompanhado.
Ele olha para ela e depois baixa o olhar até olhar o chão. Em seguida olha para mim. – Pois vim. – e fez um sorriso atravessado. – Vieste com alguém?
- Sim.
- Quem? – olhando para a sala à procura de rapazes que não conhecia.
- As minhas quatro amigas, que estão ali. – disse, apontando-lhes.
- Aah, está bem. – E fez silêncio.
Mas que silêncio tão constrangedor. Normalmente, os nossos silêncios não eram assim. Conseguia ficar uma tarde inteira sem lhe dizer nada e sem ele me dizer nada, ficando os dois abraçados, apenas. Não que isso normalmente acontecesse. O que era habitual era estarmos constantemente a falar um com o outro, fazendo perguntas um ao outro, tentando descobrir um pouco mais sobre o outro. Normalmente não nos abraçavamos assim. Aliás, não me lembro de ficar abraçada a ele uma tarde inteira. Mas sei, que se tal acontecesse, eu conseguia. E não me sentiria constrangida com o silêncio dele. Ele interrompeu o meu pensamento.
- Hm, vou ter que ir ter com ela.
Eu olhei-lhe nos olhos e em seguida olhei para ela, a fazer-lhe sinais para ir ter consigo.
- Claro, vai, ela está a chamar-te.
- Gostei muito de te ver, sabes? – sorrindo daquela maneira que me deixa sem palavras.
Mas ele tem noção do que me faz quando me sorri assim?
- Eu também.
E saiu do meu lado. Atravessou meia sala e abraçou-a, dando-lhe um beijo na testa. Eu não vi esta demonstração pois, fui incapaz de olhar os dois. Uma das minhas amigas é que me contou mais tarde, quando fomos todas para o pé da pisicina.
- De certeza que estás bem? Eu não devia ter dito aquilo…
- Querida, não te preocupes. Fizeste bem em me dizer que se nota que eles gostam muito um do outro. Eu estou bem, a sério, meninas.

Eu não estou bem. Ainda há pouco admiti a mim própria que hoje estou feliz mas essa felicidade desapareceu no momento em que soube que ele estava naquela festa… acompanhado.
Pedi licença e fui para dentro da casa. Atravessei a cozinha e aproveitei para pousar o meu copo vazio na banca. Continuei para dentro da casa e parei apenas à porta do quarto de banho. Estava ocupada. Encostei-me à parede oposta à porta, à espera. Quando vejo a porta a abrir-se, eu desencosto-me da porta e dirijo-me até ela. Ele sai por detrás da porta. Eu detenho-me, deixando-o passar por mim.
Porquê que o vou deixar ir embora, uma vez mais? Estou sozinha aqui com ele e vou deixar que ele se vá embora ter com ela neste preciso momento quando só estamos nós os dois aqui? Sem ninguém por perto para nos ouvir a conversar. Vou deixar que ele passe por mim sem me dizer nada? E eu a ele? Mas porquê que eu tenho que fazer isso?
Enquanto passa por mim, eu seguro-lhe a mão, apertando-o com a minha. Ele pára, sem me olhar.
Ele vai largar a mão, ele vai largar a mão…
Não largou, em vez disso, retribuiu o meu aperto de mão e olhou para trás, até os seus olhos encontrarem os meus. Parecia-me indeciso. Então, eu decidi por ele. Puxei-o até a mim até o abraçar. E ele, largando a minha mão, abraçou-me também. E ficamos abraçados.
Ao afastar-se de mim, continuou ainda muito perto. Tão perto que o ouvia a respirar e sentia a respiração dele no meu pescoço. E beijou-me aí.
Fomos até ao salão mas paramos antes de passarmos a porta de vidro. Espreitamos por ela e vimos toda a gente de costas voltadas para nós. De repente, contagem decrescente.
Vinte… Dezanove…

- Não era melhor entrares? – pergunto.
- Era. – disse, olhando pela porta de vidro, sem nunca largar a minha mão. -Era melhor entrar.
Dezasseis… Quinze… Catorze…
- Hm, estás à espera do quê? – esperando que ele não notasse o meu tom de voz triste.
- Não consigo. – olhando-me em seguida.
- Não consegues o quê?
- Deixar-te. – admitiu depois de um momento de hesitação.
Eu estava a olhar para ele, ainda espantada por tal afirmação. Ele, por fim, puxa-me para si, aproximando o seu rosto do meu e hesita. Hesita de maneira a prolongar o momento.
- Dez… Nove… - disse, enquanto se aproximava cada vez mais de mim.
- Oito… Sete…
- Amo-te.
- Eu também te amo.
- Três. – e já sentia a sua respiração.
- Dois. – consigo ainda dizer, fechando os olhos.
Um.

domingo, 26 de outubro de 2008

um dia...

apanho o metro na estação ao lado de minha casa. lá dentro, a segurar a minha carteira e os meus livros, recupero o fôlego. na estação seguinte, eu saio. subo escadas e mais escadas até sentir o frio do vento na minha cara. recuso o jornal do metro e atravesso a rua. caminho mais uns passos até encontrar a minha estação de autocarro. nos próximos vinte minutos, olhava para o meu relógio, mandava uma e outra mensagem, passava o meu peso de um pé para o outro, olhava para o céu de tédio, entre outras coisas. passado algum tempo, sinto alguém a andar em minha direcção e a parar ao meu lado. olho para ele e ele olha-me de volta. rapidamente olho para o chão e rio-me. olhei mais uma vez para o relógio e logo de seguida para ele. ele, mais uma vez, olhou-me de volta. ficamos assim uns dois segundos, nem isso. voltamos a olhar para a frente. cinco minutos depois, dois autocarros chegaram. o meu era o que estava atrás. o dele era o da frente. ele passa pela minha frente e caminha até à entrada do autocarro. eu fiquei a olhar para ele, e ele para mim, até eu entrar no meu autocarro.
uma semana depois, ainda não o voltei a ver.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Faculdade

Deito-me cedo na minha nova cama, na minha nova casa, ao lado da minha nova colega de quarto. Acordo com o meu despertador à hora do costume, bem cedo. Levanto-me e vou para o quarto de banho arranjar-me e vestir-me. Vou até à cozinha e tomo o meu sempre igual pequeno almoço. Pego nos livros e carteira e saio de casa. Desco pelo elevador os cinco pisos do prédio e apanho o metro à saída. Na paragem a seguir, saio e subo as sempre intermináveis escadas, atravesso a rua e ando até à paragem de autocarro. Fico sempre à espera dele uns bons vinte minutos e quando finalmente o vejo e ele pára, eu entro. Sento-me nas quatro paragens que se seguem e na quinta, pressiono o botão do stop e saio. Caminho até ao jardim e finalmente consigo ver a faculdade. Faço esse caminho até lá dentro sem tirar os olhos da minha faculdade. Subo as escadinhas e aí sim, sou feliz quando a piso!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

say it isn't so

Que sensação tão estranha que tive agora. Parecia que estava noutro lugar mas quando dou por mim, estou parada no semáforo. A rua está cheia de carros e pessoas com os seus guarda-chuvas. Sinto-me perdida, como nunca me senti. Olho para o relógio para ver as horas e o dia de hoje. São oito e vinte e duas da manhã de sexta-feira dia dez de outubro de dois mil e oito.
Para onde é que eu estou a ir?, pergunto-me a mim mesma. Não sei. Enquanto aguardo pelo sinal verde, chego até à minha carteira e tiro de lá a minha agenda. Reunião às nove e um quarto lá no escritório. Ah, lembro-me! E aí, voltei em mim. Tenho uma reunião e se estes semáforos não se despacham, eu vou chegar atrasada! Chego ao meu gabiente mesmo em cima da hora e só tenho tempo de atirar a minha carteira para cima da secretária e pousar o casaco na cadeira. Pego num bloco de notas e na minha pasta e vou, a passo apressado, até à sala onde costumo ter as reuniões com os meus clientes. Olho discretamente muitas vezes para o relógio porque o Pedro já devia ter cá chegado. Não é nada dele chegar atrasado aos seus compromissos.
Será que teve um acidente? Adormeceu? Que lhe aconteceu? e olho novamente para o relógio.
Chega a uma altura e eu prossigo com a conversa sozinha, sem pensar outra vez no Pedro e onde se meteu ele.
No final, despeço-me dos meus dois clientes sorridentes e vou até ao meu gabiente novamente. Sento-me na cadeira e, dois segundos de descanso depois, pergunto à minha secretária, pelo telefone, pelo Pedro.
- Quem, Dra?
Levanto-me da minha confortável cadeira e vou ter até ela. Explico-lhe quem é e ela diz-me que o Dr Pedro se despediu há quase dois meses.
- Não se lembra? - Pois não me lembro, ainda ontem tive com ele ali no meu gabiente, como é que ele já não põe lá os pés há dois meses? Ainda ontem lá em casa falamos sobre o trabalho. Com cara de incrédula, despeço-me da minha secretária e telefono para casa, para falar com ele. «Telefonou para casa de Pedro Gameiro, por favor deixe mensagem após o sinal». O quê que aconteceu ao «Olá, eu sou o Pedro e esta é a mulher da minha vida... Então, Carolina, diz o teu nome... Vá, deixa de ser envergonhada!»? Estaciono o carro à porta de casa e, depois de encontrar as chaves de casa, vou até à porta. Não entram. Tento uma e outra vez e não entram mesmo. Ainda hoje de manhã tranquei a porta, como é que já não dá?
Vou até ao carro e sento-me lá. Ligo o telemóvel e ligo-lhe para o dele. Toca e toca e toca e nada. Insisto mais uma e outra vez para saber porquê que ele mudou a fechadura da casa sem falar comigo primeiro. De telemóvel ao ouvido olho para o outro lado da janela e vejo-o a ele a dirigir-se para casa. Ao sair do carro, ouço alguém a chamar por ele, que o faz desviar a atenção dele em direcção a ela. Quando se aproxima dele, dá-lhe um beijo e entram em casa de mão dadas. Nesse momento, vejo a minha vida a andar para trás. Como é que o Pedro foi capaz de me fazer isto? O quê que aconteceu? Meu deus!

Acordo sobressaltada na minha cama. Que sensação estranha. Parecia mesmo real e afinal não passou de um sonho. O Gonçalo está na cama ao meu lado. Faço barulho a levantar-me da cama e acordo-o.
- Já vais embora, Rita? - Digo-lhe que sim e dou-lhe um beijo de bons dias. Tomo o pequeno-almoço e vou para o escritório. Apanho quase todos os semáforos vermelhos e parada num deles, recordo-me do sonho. Volto à realidade com o meu telemóvel a tocar. Atendo-o.

- Querida, demoras muito? Estamos todos à tua espera! - O quê? Ainda há pouco me despedi dele em casa.
- Gonçalo? - E ouço risos.
- Há algum Gonçalo que te chama querida? Sou eu, Sara. O Dinis.
- Desculpe, deve ser engano. - E desligo.

Chego ao escritório dez minutos depois do telefonema estranho. Cumprimento toda a gente e sento-me na minha cadeira, no meu escritório. Truz-Truz.
- Entre.
- Sara, querida, então porquê que só chegaste a esta hora? - pergunta-me alguém que nunca vi na minha vida.
Sara, outra vez?
- Tu és o Dinis do telefonema? - pergunto-lhe.
- Sim, querida. - E ri-se. - Achei imensa piada ao telefonema mas agora estás a deixar-me preocupado. Passa-se alguma coisa?
- Porquê que me chamas querida?
- Hm, será por seres minha namorada há sete anos, queridinha? - e tenta dar-me um beijo mas, eu afasto-me. - Passa-se mesmo qualquer coisa. Que aconteceu depois de eu te deixar em casa hoje de manhã?
- Acordei com o Gonçalo na minha cama e o meu nome é Rita.
A expressão da cara do tal Dinis mudou. Tornou-se pesada e preocupada. - Não tomaste os comprimidos hoje de manhã, pois não?
- Agora sou maluca? Vais-me dizer que não há Gonçalo nenhum e que eu não sou Rita, é?
- Sara, querida, não és maluca mas precisas mesmo de os tomar por causa da tua condição. É exactamente para evitar estas situações que os tomas.
Ambos são interrompidos por uma senhora baixinha e muito bem educada. - Dra Sara, precisava que me assinasse isto.
- Agora não, Rosário, deixe isso para depois, sim? - ele responde.
- Com certeza, Dr Dinis.
Sento-me na cadeira sem expressão.
- Sara? Mas eu não sou Sara, eu não me chamo Sara. Eu não me chamo Sara. Ninguém percebe isso? Eu sou a Rita. Chamo-me Rita. O meu nome é Rita. E o Gonçalo existe. Eu não te conheço. Eu não acredito em ti. Eu não sou a tua querida, eu nunca te vi na minha vida! Eu sou a Rita. Percebe isso: Rita!
Abraço-me e sinto-me a ir para a frente e para trás há medida que grito o meu nome.

Acordo e fico feliz por ter sido apenas um sono. Não estou a ficar maluca, que sensação. Parecia tão real e, afinal, não passava de um sonho, de um pesadelo! Olho para o lado e vejo o Diogo a dormir na nossa cama.

domingo, 5 de outubro de 2008

:D

i am living the life i always dreamt.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Despedida

Hoje tomei consciência de algo. Pensei bem e soube-o logo. Hoje eu estou a libertar-te de mim. De todo o meu eu. Hoje já não me pertences. Hoje és livre de seres quem tu és na realidade e gostares quem tu gostas de verdade. Hoje já não me deves explicações, nem eu as quero para nada. Hoje contento-me apenas com um cumprimento da tua parte. A partir de hoje, não vou exigir nada de ti, nada de que eu não tenha direito de exigir. Hoje vou deixar-te. Deixar-te em paz. Deixar-te com quem queres. Deixar-te para sempre. Hoje já não ocupas os meus pensamentos o dia todo, todos os dias. Hoje é o dia em que para mim, tu e eu acabámos. Demorou mas é como dizem «mais vale tarde do que nunca». Esta minha despedida veio tarde, mas veio. E aqui está ela. Aqui me despeço de ti e de tudo o que foste para mim. E aqui, também, te dou as boas-vindas como um amigo. E apenas isso.

O que devemos ter?

«Paciência e a altura certa... tudo acontece quando tem que acontecer. Uma vida não pode ser apressada, não pode ser inserida numa programação como tanta gente pretende. Temos que aceitar aquilo que nos é dado em qualquer momento, sem pedir mais. Mas a vida é interminável, o que quer dizer que nunca morremos; na realidade, também nunca chegamos a nascer. Apenas nos limitamos a passar por fases diferentes. Não tem fim. Os seres humanos têm muitas dimensões. Mas o tempo nao é como o vemos, trata-se em vez disso de um conjunto de lições que são aprendidas.»

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Uau

Hoje pisei pela primeira vez uma faculdade de Medicina, como aluna. Eu ainda não estou em mim!!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

a verdade é que...

... não gosto que as pessoas exijam de mim quando não estão em posição para o fazer.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Grey's Anatomy

MEREDITH: "Pain. You just have to ride it out. You can only hope it goes away on its own, hope the wound that caused it heals. There are no solutions, no easy answers, you just breath deep and wait for it to subside."

Albert Camus

«Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.»

terça-feira, 26 de agosto de 2008

undivided

Se pudesses voltar atrás mudavas alguma coisa na tua vida?

Se me tivessem perguntado isso há uns anos atrás, eu teria respondido logo sem pensar duas vezes, SIM. Sim, eu mudava umas coisinhas no meu passado. Mudaria algumas atitudes minhas, algumas opiniões formadas, algumas decisões tomadas. Depois ficava a imaginar como seria a minha vida no presente com as mudanças que faria. Ainda teria o namorado antigo, as amigas de infância com quem perdi contacto; imaginava-me muito feliz. Depois cresci e, obviamente, mudei de ideia. Já não mudaria nada na minha vida se pudesse fazer o ponteiro do relógio rodar para trás uns anos. Imagina que eu mudava. Eu mudava as atitudes, as opiniões e as decisões. Imagina que eu mudava. Teria, de certeza absoluta, o namorado e as amigas? Não teria provavelmente. E todo aquele meu futuro mudaria a partir daquele momento. Tudo o que eu conhecia antes da excelente ideia de voltar atrás no tempo, tudo mudaria. Deixava de ter as novas amizades que fiz, os outros namorados que vieram, as coisas fantásticas que vivi com todos eles. Imagina que eu voltava atrás e tinha um futuro pela frente sem nenhum deles; seria eu feliz? Comecei a pensar que não devemos mudar as coisas que fizemos – até porque nem conseguimos voltar atrás, mas faz de conta. Faz de conta. Se pudéssemos, não devíamos. Porque todo o caminho que nós traçamos por ali fora, é o caminho que nós devemos tomar. Nós aprendemos com cada erro, cada indecisão, cada dilema, cada tristeza, cada alegria, cada amigo. Nós, todos os dias, seguimos o caminho que queremos e abrimos novos caminhos por seguir. Quando dizemos “se eu pudesse voltar atrás…” quer dizer que aprendemos e, que para a próxima, já fazemos da maneira correcta. E, é por isso, que não devíamos voltar atrás. Devíamos ficar contentes por termos aprendido mais uma coisa nesta vida, neste nosso caminho por seguir. Não acham, vocês, um máximo não podermos mudar nada no passado? Isso obriga-nos a mudar no futuro e a evoluir com as novas mudanças. E se voltarmos a errar nada de dizer “ai se eu pudesse voltar atrás”, nada disso! A solução está no futuro. E em relação ao futuro? Preferem olhar ou arriscar?

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

seis anos e uma vida

Hoje é a véspera do meu casamento. Amanhã, dia dois de Setembro de 2009, vou-me casar com o homem que me faz feliz há seis anos. Estamos os dois deitados na nossa cama da nossa casa. Ele há pouco perguntou-me "Não acreditas naquele mito de que os noivos não devem passar a noite antes do grande dia juntos, pois não?" e eu respondi-lhe que não. Não acredito e aliás nunca passaria mais uma noite sem ele. Agora ele já está a dormir, abraçado a mim, como faz todas as noites. Desejou-me boa noite e deu-me um beijo. Amanhã espera-nos, a mim e a ele, um grande dia. Já pûs o despertador para tocar às oito horas da manhã e agora vou tentar dormir.
Às oito horas da manhã, o despertador toca sem falhas. Desligo-o e viro-me para o lado da cama onde ele dorme sempre. Encontro-a vazia, ele não está aqui. "Estranho", penso, "Ele já se levantou!". Sendo assim, saio da cama e vou até ao quarto de banho que é mesmo aqui ao lado. Visto-me com a primeira peça de roupa que vejo à frente e prendo o cabelo num rabo-de-cavalo. Desco as escadas do meu duplex e entro na cozinha. Preparo o meu rápido pequeno-almoço e, assim que vou ao frigorífico, reparo que as minhas fotografias com ele já não estão coladas na porta. "Devem ter caído, não sei", penso. Depois de ter engolido a torrada e o leite, ligo à minha mãe. Do outro lado da linha, ouço-a a pedir-me para esperar por ela cá em casa. E espero. Assim que toca à campainha, dez minutos depois do telefonema, eu abro-lhe a porta. "Onde é que vamos, afinal?", pergunta-me. "Ao cabeleireiro, como combinado, mãe. Tenho que estar perfeita para logo à tarde, no casamento" respondo-lhe e penso que a minha mãe já se anda a esquecer de muitas coisas, o que não é normal. Depois disso, pergunta-me com cara de interrogação "Que casamento, filha?". Ora, não acho normal tal pergunta e respondo-lhe "O meu". "Deixa-te de brincadeiras" é tudo o que eu ouço da boca dela. Eu, a não achar piada nenhuma, respondo-lhe logo "Mãe, estou não estou a brincar. O casamento é meu. Hoje à tarde vou-me casar. Não me diga que se esqueceu, mãe. Há cinco meses que eu estou a prepará-lo, com a sua ajuda. Não se lembra?" e diz-me muito pausamente "Filha. Se te cassasses hoje, achas mesmo que me iria esquecer? Tu deves ter sonhado ou coisa assim do género. Hoje não te vais casar, não há nada preparado.". Eu respiro fundo. Obviamente que o estado de saúde da minha mãe está a piorar. Uma coisa é não saber onde deixou as chaves de casa ou se não se lembra se sempre chegou a trancar o carro; outra é esquecer-se do casamento da sua filha única. Eu sento-me e faço-lhe um gesto para ela se sentar ao meu lado, também. Sentadas, eu começo a falar. "A mãe tem de se lembrar, até me ajudou a escolher o vestido no outro dia. Ajudou-nos, a mim e ao Guilherme, com os convites, as flores, o local, a igreja. Com tudo praticamente." e tudo o que ela me diz em seguida é "Quem é o Guilherme, minha filha?". Ora, aí eu levanto-me com uma rapidez parva. Quem é o Guilherme?! Minha nossa, o Guilherme é o noivo. Como pode ela não se lembrar de uma pessoa com quem conviveu durante seis anos. Seis. Para lhe mostrar quem ele é, procuro na minha carteira uma fotografia dele. Tenho sempre uma guardada no meu porta-moedas. Uma de nós os dois a festejar o quinto ano juntos. Mas não a encontro. Talvez seja por estar nervosa que não encontro o que procuro. Quando a minha mãe se apercebe que não tenho fotografia dele, começa a falar calmamente como se eu estivesse a endoidecer. EU, a endoidecer. Por favor. Decido ligar à minha melhor amiga para comprovar à minha mãe que o noivo sempre existe e que o casamento hoje à tarde também, obviamente. Quando ela atende o telefone e eu lhe ponho a par o que se passou, ela pergunta-me quem é o Guilherme. Eu desligo o telefone. Mas o quê que se passa para ninguém se lembrar do Guilherme? Estou a ficar preocupada e onde é que está o Guilherme?, pergunto a mim própria. Despeço-me da minha mãe que me olha como se eu estivesse doente e vou a correr para o carro. Tenho de ir ter com ele, só ele pode então provar de que de facto existe. Apanho cinco semáforos todos eles vermelhos, para variar, e condutores lentos e mal educados. Ao longe já vejo o edifício onde ele trabalha como vice-director. Estaciono o carro mesmo em frente à entrada principal e, já no piso onde ele tem o seu escritório, passo pela secretária e dirigo-me com pressa à porta dele. Digo-lhe que quero falar com o Arq. Guilherme Gouveia e ponho a mão na maçaneta da porta. Lá ao fundo ouço-a a dizer que teria primeiro que me anunciar antes de eu poder entrar. Eu não lhe liguei. Bati à porta e ouvi a voz dele do outro lado. Fiquei mais calma. Sempre existe, não estou a ficar maluca como a minha mãe me sentenciou com o seu olhar ainda há pouco. Abro a porta e digo-lhe com um sorriso rasgado "Sou eu, amor, a Sofia.". Ele focou-me o seu olhar e com ar de ponto de interrogação pergunta-me "Desculpe, quem?".

only lonely

mal aqui chego, sinto-te . és o vento que sopra silenciosamente nos meus ouvidos . és o calor que a minha pele sente . és as ondas a baterem-me ruidosamente nos meus pés . és cada grão de areia que eu piso . quando eu chego aqui, tu voltas para mim . toda a nossa história vem-me à memória . nunca a esqueci, obviamente . apenas a relembro como se voltasse atrás, talvez . aí, posso jurar que tu estás ao meu lado . quando fecho os olhos, tento ouvir-te no vento . ouço-te a dizeres-me 'meu amor, eu voltei' e deito uma lágrima que tu me secas com o calor . descalço-me e piso-te a areia branca e quente . estendo a toalha perto do mar azul e deito-me e fecho os meus olhos . sinto-te com todos os meus sentidos . sinto-te como há quatro anos que não sentia . sinto-te mal aqui chego.
sinto-te.

domingo, 17 de agosto de 2008

Já

Como muita gente, eu já fiz muitas coisas. Já gritei de susto ao ver filmes de terror, gritei para incentivar os meus amigos, gritei para os chamar à atenção. Já fiz a dança da vitória e músicas do tipo cheerleader. Já fiz t-shirts com o nome do meu grupo e exibo-a com imenso orgulho. Já fiz duas revistas e um filme com as minhas amigas. Já andei a filmar entrevistas sobre moda, na Baixa. Já dei abraços a pessoas completamente desconhecidas. Já fiz um piercing e quero fazer outro. Já comprei algo que nunca usei. Já sorri com os olhos. Já tentei ler pensamentos. Já joguei ao sério mas nunca ganho. Já ganhei cinco vezes seguidas a sueca. Já fui ao estrangeiro com as minhas amigas. Já sai oito (?) noites seguidas. Já desfilei a pensar que era a Tyra Banks. Já desisti de muita coisa. Já fiz promesas de início de ano que nunca cumpri até hoje. Já tentei esquecer pessoas sem sucesso. Já ri muito até me doerem as bochechas. Já fiquei feliz por conseguir fazer novos amigos. Já chorei sem deitar uma lágrima, a ouvir música, a ver fotografias antigas do meu albúm. Já chorei por não confiarem em mim. Já perdi amigos. Já me desiludiram e já me mentiram, assim como eu também já fiz isso. Já houve alturas em que não consegui dizer a verdade. Já disse a verdade muitas vezes e ainda bem que o fiz. Já dou valor às pessoas e o que elas fazem por elas e por mim. Já cai vezes sem conta e umas vezes precisei de ajuda, outras vezes consegui levantar-me sozinha. Já cometi muitos erros e voltei a repeti-los duas, três vezes.

Já consigo ouvir elogios sem ficar convencida. Já ouço críticas sem ficar ofendida. Só fico ofendida quando me dizem que guio mal enquanto guio. É verdade, já tenho a carta de condução e já bati com o carro.Já esperei pelos outros e ainda espero por alguns. Já estive apaixonada. Já lutei pelo que quis quando me pareceu que podia ter. Já pensei que não iria recuperar algo. Já não espero mais de quem eu sei que não dá. Agora dou aquilo que recebo. Já tens alguns grandes amigos. Já desmarquei compromissos para estar com outra pessoa. Já usei coisas de outras pessoas sem pedir autorização. Já magoei amigos e já fui perdoada. Já sonhei bem alto. Já falei durante o sono, mas o costume é apenas rir-me. Já dei muitos “sacos”. Já fiquei roxa de vergonha. Já tremi por nervosismo. Já senti o meu estômago a dar valentes nós. Já experimentei fumar. Já pertenci a grupos. Já fiz promessas de semanas sim.

Já aprendi que a vida é demasiado curta. Já só quero saber do que realmente importa. Já aprendi espanhol, francês e linguagem gestual. Já cantei músicas sem saber a letra. Já enfrentei quem me apunhalou pelas costas. Já dei e dei e dei. Já dei o máximo de mim até doer. Já recebi massagens óptimas depois. Já consegui muita coisa que queria. Já cresci muito. Já penso mais em mim. Já aprendi que tudo o que vale a pena é difícil de o conseguir.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

reencontros com o passado

Francisca é fotógrafa e foi para África do Sul num trabalho. Neste momento encontra-se a olhar, pela objectiva da sua máquina, para tudo o que encontra. Avistou uma médica a tratar de um menino africano lá ao fundo. Foi tirando fotografias e aproximando-se cada vez mais. A uma certa altura ouviu:
- Are you new here? - Perguntou-lhe a médica. Pela pele branca e cabelos loiros, Francisca reparou logo que era britânica.
- Oh, hi... Yes, I arrived today.
- Are you here alone? - Sem nunca tirar os olhos da criança.
- No, no. I'm here with a friend of mine. Paulo. Do you know him?
- Oh yes, I know him.
Francisca parou para reflectir no que a médica acabou de responder. Claro que não o conhece. Não sabe que ele foi o primeiro rapaz quem ela beijou no quarto ano. Não sabe que quando entrou no oitavo ano, o Paulo lhe tinha pedido em namoro e ela tinha aceite. Não sabe, claro, que eles namoraram mais de oito anos. Não sabe que ela veio nesta viagem na esperança de se reconciliar com ele. Nem sonha que ele a beijou na casa de banho do avião há menos de duas horas. Como podia ela conhecê-lo?

Paulo saiu da pensão e viu a Francisca lá ao longe. Foi ter com ela e reparou que ela estava a falar com a médica. Quando chegou perto delas, disse, abraçando a inglesa.
- Have you met each other already?
Francisca hesitou um pouco ao vê-los abraçados e não respondeu. A médica respondeu por ela.
- We’ve just met right now. Is she your partner, honey?
- Yes, baby. Let me introduce you two. - olhou para a portuguesa - This is London Ledger, my wife. - olhou para a inglesa - And this is Francisca Lemos, my highschool friend.
«Wife? Friend?!» perguntou Francisca a si própria. «Como é que ele não me contou?». Para não ficar muito tempo sem dizer nada, Francisca acrescentou:

- Are you going to stay here? For how long?
- No, I'm leaving today. I'm needed somewhere else. - virou-se para Paulo - Honey, could you please help me over there with some stuff?
- Sure, sweetie. We'll be right back, Francisca.
- Nice to meet you, London. - afirmou a portuguesa.

Os dois afastaram-se da fotógrafa de mão dada. Ela não conseguia parar de olhar para os dois, felizes. Quando os perdeu de vista, virou-se para o lado, olhando pela objectiva, largando uma lágrima. Reparou que a sua máquina já estava a ficar sem bateria e, então, foi buscar o carregador da máquina. Entrou na pensão e, depois de ter perguntado qual era o seu quarto, dirigiu-se até ele. No quarto ao lado ouvia Paulo e London, a conversarem.

- Baby, I didn't ask... How is Coco? Is she fine? - perguntou Paulo.
- Oh, she misses us. I spoke to her two nights ago and she said that. You know, with four years old, she doesn't understand why do we have to be so far away from her.
- She'll understand some day. I miss her too. I'm staying here for one month but as soon as I'm done here, I'm going to meet the two women of my life.
- One month, baby? I am missing you already and you're still here.

Francisca, do outro lado da parede, começou a chorar. Desenterrar os sentimentos do passado não foi uma coisa certa. Aquele beijo nunca devia ter acontecido. Ela sabia que isto voltava ao de cima.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

reencontros com o passado

Anita foi quase a correr para o carro. Sentou-se ao volante e pousou a sua carteira no banco do lado. Já mais calma, ligou o carro e conduziu-o até ao parque de estacionamento dos escritórios. Subiu até ao quarto piso e entrou no seu gabinete. Ligou a luz do candeeiro ao lado para poder ver melhor e começou a trabalhar.

- Truz truz! Posso?
Ela levantou os olhos e viu a cara dele.
- Claro que sim, Tomás. Obrigada pelo trabalho que fizeste. Ficou excelente. - Sim, fizemos um óptimo trabalho. Estava à espera que me ligasses de volta, que aconteceu?
- Deixei o telemóvel em casa.
- Hm, e já pensaste na minha oferta irresistível?
- Já. - disse, sem expressão nenhuma.
Pedro ficou na dúvida, confuso, sem saber o que pensar. Ela esperou mais alguns segundos assim e em seguida esboçou um sorriso.
- A sério?! Fizeste uma óptima decisão! Não conseguias resistir, pois não? Eu sabia.
Ele abraçou-a com imensa força e ela retribuiu. Não havia dúvida que os dois gostavam muito um do outro e que viver juntos era um bom passo seguinte.
- Sempre soube que iamos viver juntos, desde aquele dia.

**

Eram nove e um quarto da noite. Anita estava a usar um vestido de cor branca até aos joelhos e os seus sapatos eram dourados. Desta vez optou por deixar o cabelo castanho solto. Estava sentada numa mesa no restaurante, à espera da sua amiga Mariana.

- Está à espera de alguém, menina? - perguntou um dos empregados.
- Sim sim.
Minutos mais tarde, um rapaz sentou-se à sua frente na mesa. Ela mostrou-se muito atrapalhada, sem saber o que dizer.
- Tem calma, tem calma. És a amiga da Mariana, não és? - perguntou.
- Uh, sim... Também és?
- Sou. Sabes eu começo a desconfiar que isto é um encontro daqueles... Um blind date, estás a ver? É que eu estava naquela mesa à espera do Martim, um amigo meu, e ele nunca mais apareceu. Depois olhei para ti e reparei que és amiga da namorada dele, a Mariana. Eu acho seriamente que os dois prepararam isto.
- Oh não acredito, isto é mesmo típico deles.
Os dois riram-se juntos pela primeira vez.
- Como é que tu te chamas? - perguntou o rapaz.
- Podes chamar-me de Sofia...
- Não é o teu nome? Não me vais dizer o teu nome?
- Olha... Sejamos sinceros, isto de blind dates não funciona comigo. Eu estou mesmo a ver que amanhã já tudo isto passou e, sinceramente, esta não é a minha maneira de conhecer novas pessoas. Desculpa.
- Não peças. Penso exactamente o mesmo. Podes tratar-me por Gonçalo.
- Ora bem então, estamos na mesma página. Vamos escolher o que vamos jantar?

Depois de algum momento de silêncio e após escolherem da ementa o que ambos queriam comer, «Gonçalo» puxou conversa.
- Então, Sofia, que idade tens?
- Vinte. E tu?
- Vinte e três. Termino este ano lectivo a faculdade.
- Estás a estudar o quê?
- Letras como tu. Eu já te vi lá na faculdade.
- A sério? Nunca reparei.

A conversa entre eles foi cada vez mais natural. Houve poucas pausas pois os dois procuravam sempre saber mais um sobre o outro. Estranhamente, Anita estava a gostar de o conhecer. Ficaram no restaurante até à meia e noite, já quase ninguém estava lá a jantar.

- Vamos sair daqui? - perguntou à Anita.
- Sim, sim. Antes que nos fechem aqui.
- Que me dizes de um chinês agora?
- Parece-me óptima ideia. Estes restaurantes finos não me tiram a fome.
- Também estou esfomeado.
Deixaram dinheiro em cima da mesa e sairam do restaurante. Anita estava à espera de ver um carro lá estacionado, uma vez que ele lhe ofereceu boleia. Em vez disso, ele estende-lhe um capacete.
- Estás a falar a sério? - perguntou, pegando nele.
Ele apenas acenou a cabeça e enfiou o seu capacete.
- Estavas à espera de um Ferrari era?
- Claro que estava. - disse, tentando ser convincente.
- Emprestei-o ao meu jardineiro e ele nunca mais me devolveu.

Riram-se. Depois de a ter ajudado a apertar o seu capacete, saltou para a mota e pôs a trabalhar. Já dentro do restaurante chinês, ambos pediram o mesmo menu. Sentaram-se numa mesa pequena encostada a um canto. Estavam ambos muito à vontade um com o outro apesar de apenas se terem conhecido hoje. Um empregado foi ter com eles e deu-lhes dois bolinhos da sorte, como oferta da casa. Os dois abriram e tiraram de lá os papeizinhos.

- O quê que diz o teu? - perguntou, curiosa.
- Diz tu primeiro.
- O meu diz «Tu és e sempre serás a rapariga mais bonita do mundo». - disse com uma cara muito séria.
- Agora a sério. - disse, rindo.
- Diz «Você deveria conhecer mais pessoas».
- Boa, essa é para mim. Estás a ver? Vá, queres que eu leia o meu?
- Claroo! Vá...
- Diz «Você vai viver junto com a pessoa que está ao seu lado».
- Agora a sério. - disse, dando uma gargalhada.
- Estou a falar a sério. Nós vamos viver juntos um dia. É o que aqui diz. Portanto, vamos.
- Vamos, pois claro.
- Não achas, então, que deveria saber o teu nome já que vamos viver juntos?
- Hmm... pronto, Anita. E tu?
- Tomás.

**

Anita deu-lhe um beijo, assim que se levantou da secretária, e perguntou-lhe:
- Tomás, levo as minhas coisas para o teu apartamento hoje à noite?
- Sim, mas desconfio que seja muita coisa. Metade já pára sempre lá em casa e já.

reencontros com o passado

- Sim... Exacto... É isso mesmo, Pedro. Queria que fosses ao centro imprimir as fotografias para podermos trabalhar hoje de tarde... Sim, pelo menos eu espero... Não, Pedro, não... Ainda não, ainda não pensei sobre a proposta de ir viver contigo... Pedro, falamos mais log...
Ela, no meio da multidão habitual que se forma pela manhã na Baixa, foi contra alguém, largando o telemóvel e deixando cair, sem se aperceber, a sua carteira. De imediato se baixa para pegar no telemóvel e vê que este não se liga. «Perfeito!», pensou. Em seguida, tocam-lhe no braço fazendo-a virar.
- Desculpe, nem a vi. Isto pertence-lhe?
Sem olhar para a outra pessoa, ela acenou a cabeça afirmativamente, pegando na carteira. Enquanto tentava mais uma vez ligar o telemóvel, ouve:
- Cam?
- Já há muito tempo que ninguém me chama isso.
Olhou para cima e fitou-lhe os olhos. Segundos mais tarde, que lhe pareceram uma eternidade, pergunta:
- Miguel?!
- Exactamente! Bem, aos anos que não te vejo. Então agora como é que te chamam?
- Camila da Cunha, a extraordinária fotógrafa da Must Portugal. - disse com orgulho.
- Uau. Sempre seguiste fotografia?
- Sim. Então e tu? Sempre seguiste o sonho de viajar pelo Mundo sem curso?
- Não. - disse, sorrindo. - Tirei o curso de jornalismo mas continuo a viajar pelo Mundo inteiro. Achei melhor ter qualquer coisa para fazer.
Eles riram-se e ela desistiu de tentar ligar o telemóvel. Guardou-o na carteira e olhou-o novamente.
- Queres... Queres vir tomar um café? - perguntou Miguel.
Ela, hesitante, respondeu-lhe que sim. Faz onze anos desde a última vez que se viram. Entraram no primeiro café que encontraram e sentaram-se na esplanada. Ambos se sentiam desconfortáveis mas, ao mesmo tempo, contentes por estarem novamente na companhia um do outro. Para quebrar o silêncio, ele começou a fazer conversa.
- Estás diferente, Cam. Quer dizer, continuas igual mas, ao mesmo tempo, diferente. Não deves perceber o que estou a tentar dizer, desculpa.
- Não, eu percebo-te. Continuo igual por fora: cabelo longo sempre apanhado com o primeiro lápis que eu apanho, calças de ganga gastas pelo tempo... Agora, claro, troco as sapatilhas velhas pelos sapatos de salto alto novos e as mochilas pelas carteiras.
Ele riu-se e ela continuou:
- Estou, obviamente, mais crescida. As minhas primeiras rugas já fizeram questão de aparecer, já não aguento correr meia hora sem parar de cinco em cinco minutos... Já sou mais inteligente intelectualmente e emocionalmente. Enfim, cresci.
- É mesmo isso. Agora é que me apercebi de uma coisa, que dia é hoje?
- Quarta-feira, dia 30 de Julho de 2008. Porquê?
Ele não respondeu. Em vez disso, ficou a olhá-la nos olhos, insistentemente. Ainda se sentia desconfortável mas, o Miguel não conseguia parar de o fazer. Ela lembrou-se.

**

Camila acordou cheia de energia para enfrentar o dia de hoje: era o seu último dia de aulas. Tomou o pequeno-almoço a correr para poder ter tempo de escolher a roupa para usar hoje. Queria, mais do que noutro dia qualquer, estar perfeita hoje. Demorou meia hora a escolher e, por fim, vestiu umas calças de ganga gastas, calçou as suas sapatilhas preferidas que já tinham muitos anos, vestiu um top azul turquesa e pegou na sua mochila. Saiu de casa e foi a pé até à sua escola. Quando chegou, foi ter com a sua melhor amiga, a Luísa e, juntas, acabaram o presente que Camila tinha feito para o seu namorado. Numa cartolina grande, fez uma colagem com as fotografias dos dois desde a altura em que se conheceram. A Luísa desenhou-lhe uns corações, enquanto que Camila escrevia o nome dos dois «Cam e Miguel Noronha» e espalhava pela cartolina datas importantes.
- Cam, podíamos também escrever assim um seis grande, já que vocês fazem seis anos de namoro. Que achas?
- Perfeito! Fazes tu?
- Sim, chega-me aí a caneta vermelha.
Enquanto a Camila lhe chegava a caneta, a Luísa comentou:
- Adoro esta vossa fotografia, vocês eram tão novinhos. Que idade tinham?
- Nessa eu tinha dez anos e ele tinha onze. Foi nesse dia que começamos a namorar. Lembro-me tão bem do dia. 30 de Julho de 1991.
- Vocês metem-me tanta inveja, também quero!
- E hás-de ter, Lu. Recebi uma mensagem do Miguel a dizer que já chegou à escola e que quer falar comigo. Até quero ver o que ele tem para me dar.
As duas amigas deram pulinhos de felicidade. Camila nunca esteve tão feliz como hoje. Mais do que nunca, sabia-o hoje que queria passar muitos mais anos ao lado do Miguel.
Camila foi ter com ele ao sítio onde costumavam passar os intervalos a namorar. Ele estava sentado nas escadas, à espera dela. Ela chegou-se perto dele e mostrou-lhe o que tinha preparado. Ele gostou imenso do que recebeu e deu-lhe um beijo.
- Também tenho uma coisa para ti.
Tirou da mochila um envelope e deu-lhe. Sentaram-se os dois nas escadas, um ao lado do outro.
Ela abriu-o e tirou de lá uma carta e uma fotografia dos dois. Virou-a e atrás estava escrito «amo-te cam, para sempre. 30.07.1991 - 30.07.1997» Ela sorriu-lhe, deu-lhe um beijo na cara e disse-lhe «também te amo.». Desdobrou a carta e começou a lê-la para si. O sorriso que à pouco esboçou tinha desaparecido por completo. Quanto mais lia, mais triste ficava e, quando acabou de ler a carta, levou as mãos à cara e começou a chorar. O Miguel apertou-a contra si. Ela abraçou-o com força e pediu-lhe que não se fosse embora. Os dois decidiram faltar às aulas e ficar ali, abraçados. Durante a manhã toda, ficaram a relembrar os bons tempos que passaram juntos. Camila só voltou a chorar na hora de se despedir dele, à hora do almoço. Camila foi directa para o seu quarto assim que entrou em casa. Não almoçou e não disse uma única palavra até à hora do jantar. Deitada na sua cama, relembrava o dia de hoje e aquelas palavras que nunca saiam da sua cabeça e a faziam a rapariga mais triste do mundo.

«meu amor, hoje fazemos mais um ano de namoro. toda a gente nos disse que nós íamos resultar porque formamos um par incrível e, eu próprio, também sou da mesma opinião. desde os meus onze anos que sou feliz, tudo graças a ti. estiveste sempre ao meu lado enquanto eu crescia e, hoje sou assim por tua causa. e só por isso, tenho que te agradecer outra vez. contudo, no futuro não nos vamos lembrar deste dia com grande alegria porque neste dia tenho uma noticia para te dar. eu não gostei, já gritei com os meus pais mas parece-me que eles já tomaram a decisão e eu, apenas com 17 anos tenho que a respeitar. os meus pais e eu vamo-nos mudar para inglaterra hoje de tarde. passei a noite toda de ontem a fazer as malas e a pensar em como te deveria contar isto. tive que escrever esta carta porque dizer-te pessoalmente e magoar-te, magoa-me. foste a minha primeira namorada e espero que saibas que nunca te vou esquecer. desculpa-me meu amor. se eu pudesse fazer alguma coisa para ficar contigo, fazia. mas não há. por isso, o dia de hoje vai ficar marcado com o dia em que começamos e o dia em que acabamos. mas, para mim, nós nunca vamos acabar. seremos sempre um do outro, independentemente de tudo o que possa vir. amo-te, Miguel Noronha.»

**

- Já sei do que estás a falar. - disse Camila - Grande coincidência encontrarmo-nos exactamente onze anos depois.
- É verdade, o mundo tem destas coisas. Com quem estavas a falar ao telefone à pouco?
- Uh, um amigo. Mas falando de ti, que vieste fazer para Portugal?
- Estou cá a viver, há dois que já estou cá.
- Dois anos? Uau. E nunca te lembraste, durante esses dois anos, não sei, de dizeres alguma coisa?
- Desculpa, tens razão.
- Eu é que peço desculpa. Não tenho o direito de te exigir isso. Tu seguiste com a tua vida e eu com a minha.
- Vá, estamos os dois desculpados então. Não vejo nenhuma aliança no dedo, logo casada não és. Namorado?
- Sim, há já dois anos. Chama-se Pedro.
- Pedro. E isso é para durar?
- Eu acho que sim. Ele já me propôs ir viver para casa dele mas eu ainda não sei. Tinha que tomar uma decisão hoje. Era ele ao telefone à pouco.
- Porquê que disseste que era um amigo, então?
- Fiquei com dúvidas por causa do rapaz que foi contra mim.
- Camila... - disse, baixando a cabeça.
Camila ficou envergonhada por ter dito aquilo.
- Desculpa, eu não devia ter dito isto. Vou-me embora.
Levantou-se da mesa e Miguel, com a mesma rapidez, fez o mesmo. Ficou à frente dela, agarrando-lhe um braço, impedindo-a que se fosse embora.
- Não deites tudo a perder com ele por minha causa, não faças isso.
Mesmo de saltos altos, ela tinha de olhar para cima para lhe ver os olhos.
- Não achas que foi um sinal teres vindo contra mim exactamente no momento em que eu falava sobre isso com ele?
- Não foi sinal nenhum, Camila, foi apenas uma coincidência. Não fiques a pensar no que não deves. Tu gostas do Paulo... uh, Pedro... Não vais ganhar nada se fores atrás do passado.
Camila queria chorar mas não o fez. Rapidamente se largou do Miguel e foi-se embora. Ele ficou a olhá-la enquanto ela saia do café.

terça-feira, 22 de julho de 2008

religião

Hoje de manhã estava sentada no sofá a ver televisão. Estava a dar o programa da Tyra Banks e o assunto era sobre crimes de ódio. Estavam sentadas ao lado da apresentadora uma mãe e as suas três filhas. Da boca delas apenas se ouvia citações da bíblia e a «palavra de Deus». Todo o público - e eu própria - ficou de boca aberta com todas aquelas afirmações fortes. As quatro diziam, uma a uma, que todos os «pecadores iriam arder no inferno se não se arrependessem dos seus actos». Da boca delas ainda saia que todos os homossexuais eram igualmente pecadores e que, na sua opinião, deviam ser mortos. Eu não percebo de religião – admito - mas, segundo ela, não fomos todos feitos por um único e o mesmo criador? Então, como podem eles discriminar os seus «irmãos»? Não entendo quem se rege pelo que foi escrito há dezenas de anos, onde o conhecimento e as ideias de antigamente foram completamente ultrapassadas pela ciência. Contudo, obviamente que não julgo nem critico ninguém que o faça, mas entender? Entender, não entendo. Não consigo. É exactamente por isto tudo que eu vi esta manhã e que, infelizmente, vê-se muitas vezes, que eu mantenho uma postura agnóstica. A religião não traz benefício nenhum a não ser preconceito, tabus e razões para se iniciar guerras e cometer crimes de ódio. Agora vocês dizem «Há quem se agarre apenas à religião para conseguir ter forças para ultrapassar algo de mau» e eu pergunto-vos: Vocês não encontram isso dentro de vocês mesmo?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

The Last Goodbye

I've gotta turn and walk away
I don't have anything left to say
I haven't already said before
I've grown tired of being used
And I'm sick and tired of being accused
Now I'm walking away from you
And I'm not coming back.

This is my last goodbye.»

always

I always let go of everything I have because I don't have time to hold it.

sábado, 5 de julho de 2008

Take twenty two

Uns meses depois, Junho chegou e rapidamente o dia 24 de Junho de 2008. Era habitual neste dia realizar-se uma festa em casa de uma amiga de Madalena. Quase todos os presentes exerciam medicina, mas aparecia uma ou outra pessoa fora deste ramo. A anfitriã é a Kirsten e o jantar realiza-se na sua casa, tal como todos os anos.
Madalena, ainda no Hospital, leu um papel que estava no seu cacifo. Abriu-o e leu «Do you want to come with me to the dinner party? Love» Era do James. Há dois meses que tinham iniciado uma relação e esta seria a primeira vez que iriam a uma festa como casal. Madalena procurou-o e mal o encontrou, disse: «Yes». James sorriu de volta e disse que às oito horas passava por casa dela para a ir buscar.
Ela estava preocupada por assumir o namoro em casa de Kirsten pois eles os dois já tinham namorado. Contudo, depois pensou que ela, já casada, não se incomodaria com a nova relação do James.
Os dois chegaram à festa e já lá estavam quase todos os convidados.

- Hi, guys. Come in, please.
- Hello Kirsten. – Saudou James. E Madalena, em seguida acrescentou: - Hi, Kiki.
- Wait a minute. Are you two together?
Madalena engoliu a seco e, por fim, disse: - Yes? Are you OK with that, honey?
- Of course, Maddie. Please. I’m happy for you two.
Enquanto disse isso, James deu a mão a Madalena e, juntos, foram cumprimentar o resto dos convidados. A relação de Kirsten e James terminou de forma um pouco dramática. Há um ano, ela acabou com ele, depois de dois meses de discussões. Ela queria casar e começar a construir família e ele ainda não se sentia preparado para isso. Não se queria comprometer dessa maneira.

Jantar no dia 24 Junho de 2007

- Madalena, I am going to the kitchen to bring some more cookies, ok?
- Oh, please. I’ll do it.
Kirsten estranhou Madalena estar a demorar muito tempo na cozinha e decidiu e ter com ela. Reparou nuns biscoitos espalhados pelo chão e depois encontrou Madalena sentada atrás do balcão. Não parava de chorar e quase que não se percebia o que dizia por causa dos soluços.
- Maddie, what happened? What? Why are you crying, honey?
- I can’t do this anymore. I can’t stand see Kev with his wife. Oh, they are always kissing and hugging… It’s unbearable, Ki. I should not have come.
- Maddie, come on. You need to be strong. Don’t you think that my brother have forgotten your history just because he married her so soon. He suffered a lot and she was always there for him. It’s not like you weren’t there for him, honey, but you were also hurted and he didn’t stand it.

Jantar no dia 24 Junho de 2008

- Madalena, I am going to the kitchen to bring some more cookies, ok?
- Oh, please. I’ll do it.
Kirsten estranhou Madalena estar a demorar muito tempo na cozinha e decidiu e ter com ela. Ao entrar na cozinha, ouvi os característicos risos de Maddie e a voz do James. Não chegou a entrar e em vez disso, espreitou apenas, ouvindo a conversa dos dois.
- Baby, have I told you lately that I love you? – Perguntou James.
- Ohhh, are you singing Rod Stewart to me, love?
- You make me want to sing. And to say that I love you like I never did.
- Uh, and right now you make me want to kiss you, James.
E assim que se beijaram, Kirsten entrou na cozinha, a perguntar pelos biscoitos. Os dois separaram-se logo e a anfitriã perguntou: - Uh, am I interrupting something?
O casal foi para a sala de estar e sentaram-se num sofá com dois lugares. Kevin tinha vindo sem a companhia da sua mulher, Savannah, pois esta ficou em casa a tomar conta da Jane. A Victoria Sanchez dedicava o seu tempo a todos, estando sempre a circular na sala. James e Madalena não tiravam os olhos um do outro.

Jantar no dia 24 Junho de 2007

A Madalena depois de se ter recomposto na cozinha com a sua ex-cunhada, foi para a sala. Sentou-se num sofá individual e ficou a observar toda a gente e a ela própria. Tinha vindo sem a companhia do Kevin uma vez que estes tinham acabado há cerca de seis meses e este já se tinha casado com outra. A Kirsten dedicava o seu tempo a todos, estando sempre a circular. Kevin e Savannah não tiravam os olhos um do outro.
Kirsten reparou que Madalena estava sozinha e decidiu ir ter com ela.
- Madeleine, are you hearing me?
- Huh? – Despertou dos seus pensamentos.
- There’s someone I would like you to meet. She’s a doctor in the Hospital and I’m pretty sure you haven’t met her. Ok?
- Sure, let’s go.
- So, Victoria Sanchez this is Madalena Vilaça.
- That’s not an English name, is it? – Perguntou Victoria.
- No, no. It’s Portuguese. I’m from Portugal.
- Uau. Seriously? How long have you been here in Miami?
Kirsten deixou-as a falar à vontade uma com a outra. Madalena estava bem a precisar de conhecer novas pessoas para se distrair da sua própria vida. Nessa noite, Madalena nem imaginava que essa nova conhecida iria ser a sua nova melhor amiga.

Jantar no dia 24 Junho de 2008

Ainda sentada no sofá com James, Madalena repara numa rapariga que parecia estar um pouco distanciada do resto dos convidados. Nunca a tinha visto em nenhum dos outros jantares.
- Where are you looking at, love? – Perguntou o namorado.
- At that girl. She seems a little bit alone, don’t you think?
- Do you want to talk to her?
- I better do that. I am going to meet her, ok?
- Sure.
Depois de ter atravessado a sala, Madalena chegou-se perto dela.
- Hello. I’ve never seen you in these dinner parties…
- Oh, hi there. I know, it’s my first time here. - Disse. E, ao estender a mão, acrescentou: - My name is Blair Burns. You?
- Madalena Vilaça. – Respondeu, apertando a mão dela. Mas acrescentou logo um «You can call me Madeleine» quando viu que a tinha atrapalhado com o nome Português.
- Oh, it’s better. - Admitiu, rindo-se.
- So, are you a doctor as well?
- No, no. Gosh. I don't have the stomach to be a doctor. I’m a journalist.
- I know what you mean. Journalist, really? You must be the only one who’s not a doctor here. Do you work here in Miami?
- No. Manhattan, New York.
- So, why are you here? Business trip? Sorry, I'm just curious.
- That's fine. And yes, I came to Miami to do some research for the magazine and Kirsten invited me to come. We’ve met in school. What about you?
- I work in the same Hospital Kirsten once worked. We’ve met there.
- So you work with Kev also, right?
- That’s right. I mean, I work with all these people in the Hospital. - Disse, apontando para todos os presentes.

Jantar de 24 Junho de 2007

Depois do jantar, Madalena despediu-se de toda a gente. Trocou números de telefone com a sua nova conhecida, Victoria. Deu os parabéns a Kiki por a festa estar muito agradável e pediu desculpa pela sua má companhia. Kevin e Savannah ofereceram boleia a Madalena mas esta recusou. Preferia apanhar um táxi e não os ver mais esta noite. Chegou a casa sozinha, a chorar.

Jantar de 24 Junho de 2008

Depois do jantar, Madalena e James despediram-se de toda a gente. Ela trocou números de telefone com a sua nova conhecida, Blair. Deu os parabéns a Kiki por a festa estar agradável, tal como em todos os anos. James e Madalena ofereceram boleia a Kevin mas este recusou. Chegaram os dois a casa dela, a rirem-se.

* *
Madalena Vilaça e James Cavanaugh casaram-se sete meses mais tarde. Logo em seguida, aumentaram a família com a filha Serena Vilaça-Cavanaugh. Inês e Bernardo Queiroga, com os seus três filhos, adpataram-se bem a língua e aos costumes americanos. Ambos eram bem sucedidos no que faziam. Miguel Ventura conquistou o tão esperado reconhecimento na sua área. Kirsten continuou casada com o seu marido mas ainda era apaixonada pelo James. Kevin e Savannah Walker separaram-se ao fim de Jane fazer um ano de idade. No entanto, a amizade entre eles continua. Mrs Scavo foi promovida a chefe de enfermeiras.

The End.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Take twenty one

- Please, talk to them… I just can’t deal with that now… Please…

Madalena pega no telefone. Era do Hospital, novamente. Desta vez era o médico responsável pela irmã.

- Good night… Uh-huh… I’m Dr. Madalena, I’m a friend of James. He’s right next to me… Yes, you can talk to me, Dr… So, how is… Uh-huh… Uh-huh… What happened? … Right… No… Oh, no… What? … Is she going to be okay? … What? … Really? Oh, thank god… Okay… Thank you, Dr. Lyell. Thank you for your time… Good night.

Pousa o telefone e olha para James com uma cara bastante preocupada.

- James, Sarah was involved in a serious car accident… There were two drunk drivers in the streets running away from the police. Sarah’s car fell off the bridge and she was stuck in the car.

James levanta-se, virando-se para a janela do seu escritório. Sentiu-se mal ao pensar no sofrimento que a irmã tinha passado.

- Sarah almost drowned… They think she faint before, tough… She broke both legs and she had a bad injury in her head. The surgery went well but they are expecting her to wake up to see if there is any problem. Oh, and the baby is fine…

James volta-se, virando-se para Madalena, surpreendido.

- What baby?!
- Sarah is pregnant… Two months pregnant…
- What? My sister is pregnant? I can’t believe… She didn’t tell me…

James leva as mãos à boca, começando a chorar. Madalena não aguenta vê-lo assim e aproxima-se dele, abrançando-o com força. James coloca os seus braços à volta dela, sentindo o seu corpo a tocar no dela. Afasta-se um pouco, olhando para a cara de Madalena. Repara nos seus olhos castanhos esverdeados, que nunca tinha reparado. Repara naquele sinal que Madalena tem na bochecha direita e nas covinhas que faz, quando faz um sorriso tímido. Repara nos seus lábios e na vontade de lhe beijar, a vontade de beijá-la hoje era maior do que nos outros dias. Coloca a sua mão direita no pescoço de Madalena, inclinando-lhe um pouco a cabeça. Aproxima-se mais. Dá-lhe um beijo no pescoço. Afasta-se um pouco e aproxima os seus lábios dos dela. Aproxima-se mais e consegue senti-los. Madalena afasta-se um pouco.

- James, don’t do this… You are weak right now… You don’t want this… James…
- No. I want to kiss you… I think I wanted to kiss you since the day I saw you in the museum.

Madalena sorri e beija-o.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Take twenty

Às sete horas da manhã, as duas levantaram-se e tomaram o pequeno-almoço juntas, sentadas em cima do balcão da cozinha, como costumam fazer. A Inês estava ansiosa e ao mesmo tempo nervosa porque não praticava o seu inglês há muito tempo mas a Madalena acalmou-a e disse que a maior parte dos que trabalham lá são Portugueses.
Ao chegarem à Clínica, a Inês ficou maravilhada com a beleza do edifício e adorou, mais uma vez, o nome que a sua amiga lhe pôs. MUST Clinic. A sua amiga foi apresentada à secretária Graça e ao Dr Espírito Santo, o outro sócio da Clínica. Também apresentou aos outros médicos e enfermeiros portugueses e uns quantos americanos. Madalena mostrou-lhe as instalações e o seu escritório.

Entretanto, Bernardo ficou encarregue de inscrever os filhos na escola Langmuir, pois havia lá uma professora Portuguesa que os iria ajudar a perceber a língua. O Miguel passou para o terceiro ano e os gémeos entraram para o primeiro ano. Já sozinho, o Bernardo foi a outras escolas à procura de emprego para professor de história de arte. Todas as escolas preparatórias disseram o mesmo “We don’t need another teacher, I’m sorry”. Sempre confiante, ele tentou as galerias de arte e os Museus. Ao fim de ser recusado duas vezes em galerias, entrou numa outra. Chamava-se Art Gallery. «Tanta originalidade!» pensou. Abriu a porta de vidro e entrou, esperando ver mais outra galeria igual às outras. Mas não foi isso que viu. Em vez disso, viu uma sala enorme pintada por artistas mundialmente conhecidos. Viu quadros lindíssimos e lindas esculturas. Ficou parado no centro da sala admirando e absorvendo tudo o que estava a ver. Contudo foi interrompido pelo próprio dono da galeria.

- Good afternoon, Sir. Can I help you?
- Wow. I’ve never seen such a beautiful gallery as this one.
- Thank you very much. I’m sorry, I’m Miguel Ventura, the owner of this beauty.
- Miguel Ventura? Are you Portuguese?
- Yes, I am in fact.
- Que coincidência. Também sou. Chamo-me Bernardo Queiroga. Acabo de me mudar para Miami e estou desesperadamente à procura de emprego. Tirei o curso de História da Arte…
- Na Faculdade de Arquitectura do Porto?
- Sim! E até ontem dava lá aulas. Você também?
- Também tirei lá o curso. O professor Guilherme Cruz continua lá?
- Também foi seu professor? Então, muito provavelmente, tiramos o curso mais ou menos na mesma altura. Já se reformou há um par de anos.
- Que engraçado. Nunca mais contactei com ninguém da faculdade. Mal acabei o curso vim trabalhar para Miami.
- E que tal?
- Estou a gostar muito da experiência e, como pode ver, estou muito bem instalado aqui.
- Estou a ver que sim.
- À procura de emprego, não é verdade? Acho que se arranja alguma coisa aqui.
- Está a falar a sério? Isso seria perfeito.
- Sim. Dava-me jeito mais um par de mãos aqui. Parece que não mas trabalho nesta galeria é o que não falta. Vamos ali ao meu escritório assinar contracto então?
- Perfeito.

Miguel mostrou as instalações ao seu mais recente empregado. Falou-lhe das festas que costuma fazer em vários Museus, dos artistas que conhece e como funcionava a galeria. No final, telefonou à sua mulher para contar as novidades e pediu-lhe que fosse ela a ir buscar os filhos à escola porque já tinha marcado um compromisso com o dono da galeria. A Inês concordou e ficou alegre por tudo estar a correr como imaginava.
À hora do almoço Madalena despediu-se da Inês e deu-lhe a chave do apartamento. Esta noite iria fazer o turno da noite do Hospital. Enquanto estava a ir para lá, decidiu telefonar ao Bernardo para lhe contar que tal tinha corrido a procura de trabalho.

- Foi óptimo. Já arranjei trabalho.
- Já? Perfeito! Onde?
- Numa galeria com um nome super original, nem eu me lembraria disso. Estou a brincar. Chama-se Art Gallery. O dono é o Migu…
- Miguel Ventura. Não acredito!
- Ui, conheces?
- Conheço. Conheci-o no aeroporto quando viemos os dois para Miami. É meu amigo e digo-te que melhor trabalho não poderias encontrar.
- Já reparei. Bem, vou almoçar com ele agora, Madalena. Até logo.
- Manda-lhe um beijo por mim. Até logo.

Dr. James entrou no seu escritório. Já passava da meia-noite e tinha acabado de atender o seu último paciente. Estava bastante cansado e só queria ir para casa. Ainda faltava mais uma hora para o seu turno acabar. Sentou-se na cadeira e começou a organizar uns documentos que estavam em cima da secretária. O seu telefone, em cima da mesa, começa a tocar. James carrega no botão, para ouvir em alta-voz Mrs Scavo.

- Dr. James, there’s someone who wants to talk to you and it seems to be very important… Line two.
- Thank you, Mrs Scavo.
James carrega no botão dois e pega no telefone.

- Dr. James Cavanaugh speaking.
- Good night, Dr. James. I’m calling from the Hope Hospital, in Los Angeles. Are you Sarah’s husband?
- Sarah?! What? No! I’m her brother. What happened? – Pergunta, bastante preocupado.
- Sarah Cavanaugh had a car accident this afternoon and she’s in surgery.
- What?? What? No! How bad is she? Please, tell me the truth, I’m a doctor.
- I don’t know yet. She’s still in surgery but when she arrived, she was in a very bad condition.
- Who’s the doctor in charge?
- Dr. Lyell, he’s the best…
- Oh! I know, he’s a friend of mine… Please tell him to call me as soon as possible, okay?
- Okay, Dr. I’m so sorry. Good night.
- Thank you. Good night.

James pousa o telefone sem ainda acreditar que a sua irmã mais nova teve um acidente de carro, no outro lado da América. Queria estar lá para ajudar e sentia-se incompetente e impotente. Atira com todos os documentos ao chão e começa a chorar.
Madalena entra no escritório de Dr. James, começando a falar.

- James, you have to help me in here… I just don’t know what… What… What happened? Why are all those documents in the floor? Are you crying? James, what happened? You are making me nervous… Tell me.
- Sarah… My god, Sarah had a car accident in LA.
- What? An accident? When? Are you sure? How do you know, James?
- Tonight… Yes, I’m sure Madalena… They call me from the Hospital one hour ago… This means she’s still in surgery and I don’t know how bad it is… I wish I was…

O telefone toca outra vez.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Take nineteen

Madalena levantou-se cedo da cama hoje, apesar de ser um Domingo. Iria ter com a Inês e a família ao aeroporto de Miami ainda hoje de manhã. Antes de tomar o pequeno-almoço, preparou os dois quartos de hóspedes que tinha. Tomou um café e uma tosta mista depois e seguiu, cheia de pressa, para o supermercado.
Às onze horas da manhã chegou ao aeroporto e ficou sentada à espera deles. Meia hora depois, viu o Miguel com a sua irmã Sofia. Atrás deles, vinham o Bernardo, a Inês e o Martim no colo do pai. Levantou-se e pegou na sua afilhada ao colo, abraçando-a. Cumprimentou os outros de seguida.

- Finalmente em território americano. – Disse a Inês.
- Welcome to Miami my friends.
- O quê que a tia Madalena disse, pai? – Perguntou o Martim.
- Bem-vindos a Miami, filho. Uma visita guiada aqui aos futuros cidadãos é que fazia jeito, não achas?
- Claro que sim. Almoçamos no meu apartamento e depois vou-vos mostrar a vossa futura casa e futura escola para os miúdos. O vosso carro quando chega? Hoje? – Perguntou Madalena.
- Só amanhã. Mas vai ser preciso carro para hoje? Sim, porque no teu carro não cabemos todos. Que mania de carros desse género. E quando tiveres família, como vai ser? – Questionou Inês.
- Oh, nessa altura compra-se outro, assim como o teu. É um BMW, não é?
- Já trocamos. Mercedes. Como é que nos vais mostrar a nossa futura casa, Madalena? – Perguntou Bernardo.
- Aquela minha amiga que eu já falei à Inês, a agente imobiliária, emprestou-me as chaves de algumas casas para eu vos mostrar, já que ela ao domingo não trabalha.
- Boa, isso é que é ter os contactos certos. Amanhã começo a trabalhar, não é, Madalena? – Perguntou Inês.
- Sim, já é amanhã. E tu, Bernardo, tens que procurar algum trabalho na tua área. Se precisares de ajuda, é só dizeres.
- Não te incomodes, eu safo-me bem sozinho. Mas obrigada.
- De nada. Bem, e quem é que tem fome?
- Eu. Eu. Eu. – Disseram os gémeos e o Mi.

Apanharam todos um táxi para casa de Madalena. Quando chegaram, as duas amigas foram para a cozinha preparar o almoço. Aproveitaram para trocar novidades e foi aí que Madalena lhe contou tudo acerca de James. Falou também da nova filha de Kevin e do facto de este se ter declarado a ela. A Inês contou-lhe que estava a viver a melhor fase da sua vida e que vir para a América era como realizar um sonho que ambos, ela e o seu marido, tinham desde que se conheceram no Colégio.

- Mas e o James está interessado em ti?
- Quando éramos pequeninos estava. E quando nos conhecemos pela terceira vez na festa do Museu, o Miguel… Ainda te lembras do Miguel Ventura? Pronto, ele disse-me que o James se fartou de andar atrás de mim. No princípio não lhe liguei mas óbvio que não posso negar que o acho atraente. Sempre o achei.
- Vai ser desta que vocês vão namorar. O destino juntou-vos três vezes. – Disse-o de forma cómica. E acrescentou: E já sabes que à terceira…
- Quem sabe, Ineis. Tudo pode acontecer.

Da sala de estar só se ouviam risos e gritos. O Miguel já tinha tirado a sua playstation da mala e uns quantos jogos e estava a ensinar o seu pai e o Martim a jogar. A Sofia tinha adormecido no sofá e, admiravelmente, não parecia ficar incomodada com aquele barulho todo. Depois do almoço, saíram todos de casa e aventuraram-se à procura de uma nova. Madalena mostrou-lhes seis casas mas os dois já tinham ficado doidos com a casa número dois. Era uma casa com estilo antigo por fora mas com divisões modernas por dentro. Tinha um jardim razoavelmente grande atrás, pelo menos cabia lá uma piscina. A casa tinha dez divisões e três pisos. Lá em cima havia três quartos. No final, voltaram então à segunda casa e afirmaram:

- É esta. É esta, querido.
- Com certeza que é esta. Que tal, meninos?
Os três foram a correr para lá para cima escolher o quarto que mais gostavam. No piso inferior, os adultos estavam a falar de preços. A casa, evidentemente, era cara mas os dois, mesmo assim, comprometeram-se a comprá-la. Madalena ficou satisfeita porque as casas situavam-se a três quarteirões de distância uma da outra. Após terem tomado a decisão, o Bernardo telefonou para Portugal para mandar vir a sua mobília para Miami e colocarem a sua casa à venda.

Ao chegarem ao apartamento, encomendaram o jantar e logo depois os miúdos adormeceram. O casal de amigos também estava cansados e então, após terem ajudado a arrumar a cozinha, foram-se todos deitar. Amanhã era esperado um grande dia para todos. Inês iria começar a trabalhar na Clínica; o Miguel, o Martim e a Sofia iam conhecer a nova escola e fazer novas amizades; e o Bernardo iria procurar trabalho.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Take eighteen

- Madeleine, there’s someone in your office.
- Who’s? – Pergunta, admirada.
- Today is the interviews day, didn’t you remember?
- No! Really? I completely… Geez, I forgot! See you later, Mrs Scavo, I have a lot of work to do.

Apressou-se e chegou ao seu escritório, um pouco atrapalhada. Arranjou o cabelo e entrou, fazendo um grande sorriso.

- Good morning. I’m sorry. I’m Dr. Vilaça.
- Hello.
- So, let’s talk about you. Where did you study? – Pergunta Madalena, sentando-se na sua cadeira.

Madalena demorou cerca de meia hora a entrevistar cada um, eram cinco médicos ao todo, ansiosos por um lugar nas urgências. No final, sabia muito bem quem queria contratar para trabalhar consigo. Saiu do escritório e dirigiu-se até eles, que se encontravam sentados no corredor à espera.

- I must say I’m very happy with all of you but I only get to choose one. So congratulations, Dr. May Cooper. Come with me, I’ll introduce you everybody.
Despediram-se nos outros quarto médicos e foram até às urgências, onde Madalena começou as apresentações.

- Ok, Dr. May, this is Mrs Scavo, she’s an excellent nurse. I bet you’ll enjoy to work with her… - Diz, sorrindo para Mrs Scavo.
- Hi. Nice to meet you, darling. – Cumprimenta Mrs Scavo.
- Oh, there’s our chief. Let me introduce him… Dr. James, this is…

Sem tempo para acabar de falar, Dr. May abraça-o, com uma enorme gargalhada.

- James!
- May? I can’t believe. What are you doing here? – Pergunta James, bastante admirado.
- I work here! It’s my first day, James. Are you happy to see me?
- I didn’t expect. Wow. Now you are a doctor… I can’t believe.
- Yes, you inspired me to become a doctor like you. Oh, I can’t believe we will work in the same building. It’s like a dream, don’t you think? Are you happy to see me?
Madalena sentiu-se um pouco deslocada, também com um pouco de inveja.
- Mrs Scavo, please show Dr May where the changing room is. – Pediu Madalena.

Quando as duas se afastaram, James dirigiu-se a Madalena.

- Who hired her?!?! My god, she’s such… errrr… Oh, I know… I bet it was Dr. Sanchez who hired May… That woman drives me crazy… God.
- Uh… Right… You know… Uhh… - Começa Madalena.
- What? No! No… You?! Madalena! What were you thinking?
- What do you want me to say, James? May is adorable! She seems to be a good doctor and she was an excellent student! Of course I hired her! I’m glad I have someone like her working with me… Anyway, you two seem to be good friends, what seems to be the problem?
- Good friends?! She’s my sister’s friend! I met her when she had fourteen years old and since that day she never left me alone. She likes me. What can I do? – Pergunta James, sorrindo. – Anyway, I just can’t stand her anymore. She’s a nice girl but I have my own limits, you know.
- Sister? You never told me.
- Yes, Sarah. She’s five years younger than me…
- Wait! Sarah Cavanaugh? The Sarah Cavanaugh? No way! Is she your sister? – Pergunta, admirada. – I just love her work! She’s such a great writer.
- Yeah, I have a famous sister.
- Wow. I never thought…

Ao longe, Madalena vê Kevin a chamá-la, por gestos. Despediu-se de James e dirigiu-se até ao escritório de Kevin.

- What do you want, Kev? – Pergunta Madalena, um pouco fria.
- I just want to tell you… Jane was born last night.
- Jane? I thought you were going to name her Bailie or Blanche…
- We were… But when Savannah saw her in her arms she named her Jane and I liked it. She’s has green eyes. She’s cute… Do you… Do you want to see her?
- No… No. Best wishes for you and your new family and… Congratulations, Kevin. I’m happy for you. I have to go now!
- Ok, I guess I see you later.

domingo, 29 de junho de 2008

runaway

não entendo porquê que me atacas sempre. porquê que vês o que eu faço pelo lado errado? eu não sou a inimiga aqui. eu sou tua amiga. ou pelo menos estive a tentar sê-lo estes dias todos. mas tu, tu nunca baixaste a guarda comigo. tu nunca te aproximas de mim. nunca estás comigo e quando eu te peço, tu foges, inventando qualquer desculpa. às vezes acredito, outras faço por acreditar. tu pensas que tudo o que eu faço ou digo é para te prejudicar ou para ficar sempre por cima. porque raio pensaria eu isso?! e porque raio pensas tu sempre dessa maneira quando estamos a falar de mim?! para as outras é só sorrisinhos e palavras bonitinhas, para mim mantêns sempre essa máscara, nunca abres a boca como se tivesses medo de falar comigo. eu não tenho e nunca tive más intenções contigo. parece que não me conheces. parece-me a mim que eu não te conheço. não és quem já foste e quem eu já admirei bastante. mas já tentei muitas vezes ter-te comigo ao meu lado mas tornas-me isto impossível. esta é a minha última tentativa. que se passou contigo?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

bells of freedom

Às vezes penso no porquê que estou aqui. Aqui, sozinha à espera dele. Digo-o para mim que mais vale a pena esperar do que desistir de tudo o que já tivemos. Que um dia ele vai aperceber-se que ainda gosta de mim e que talvez queira, não sei, voltar(?). Enquanto isso não acontece, fico aqui sozinha a pensar. Uns dias isto até faz sentido na minha cabeça, noutros penso que é ridículo pensar assim! Porquê esperar por alguém que não esperou por mim, não é verdade? Não faz sentido. Não faz.
Às vezes penso que tenho que deixar tudo para trás, tudo o que já não me pertence. Ele já não é meu. Há mais de três anos que não o é. Porquê ficar mais tempo à espera que volte a ser? Hoje tomei uma decisão. Agora que penso nisto, já a tinha tomado uma ou outra vez. Mas hoje é a sério! Hoje é tempo de virar a página, de mudar de capítulo ou mesmo de fechar do livro. Já estou cansada desta história. Hoje, sou emocialmente livre e também o vou deixar ser. Hoje, meus amigos, vou fechar esta porta.

Que outras portas se abrirão?

strangers

Olho-te nesta noite e vejo-te em detalhe. O teu cabelo está mais comprido que o costume. O estilo continua o mesmo. Falas com toda a gente menos comigo. Olhas a todos mas evitas olhar-me e ver-me. Quando passas por mim, tocas-me de propósito e eu sinto-te. E tu sentes-me. E só isso já vale a pena. Olho-te a noite toda a não olhares para mim. Quando te dirijo uma palavra, tu diriges de volta sem nunca levantares a cabeça. A meio da noite, o meu olhar, e o teu, cruzam-se por segundos. Nem isso. Mas parece-te a ti, e a mim, que dura mais tempo. Muito mais. Sem ninguém por perto, eu chego-me ao teu ouvido e tu ouves-me dizer-te que te amo. E com o teu beijo, tu mostras-me o quanto me amas. No final, olhamos para lados opostos e seguimos nessa direcção. Sem uma única palavra dita, afastamo-nos cada vez mais.

terça-feira, 24 de junho de 2008

entre dois rios e muitas noites

«só quando o coração percebe, em
sobressalto, que é possível amar entre
dois rios, amar ambos os rios, esses que vão.
e ficam. quando a chegada pode ser a mesma,
simultânea e idêntica. é quando estar na noite pode ser
saber estas verdades»

Ana Luísa Amaral

sábado, 21 de junho de 2008

story of my life

Muitas das decisões que tomamos hoje, vamo-nos arrepender delas mais tarde. Arrependemo-nos quando essas mesmas decisões nos impedem de fazer ou de ser algo que queiramos. Mesmo que tenha sido no passado, elas ficam registadas no nosso «cadastro» mental e levamos a vida inteira com ele atrás de nós, a assombrar novas oportunidades de mudar. Quem diz que «passado é passado» que se desengane pois este está constantemente a voltar. O passado, feliz ou infelizmente, não fica no seu lugar, está sempre no presente e certamente que continuará no futuro. A mim acontece-me muitas vezes isto. Quando me sinto preparada para dar uns passos em frente, recuo uns tantos e volto exactamente onde estava. Será medo de conhecer? Ou será o à vontade do que já conheço?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Take seventeen

James chegou a casa um pouco mais cedo das sete horas da noite para a arranjar um pouco e começar a preparar o jantar. Estava ansioso pela chegada da Madalena. Sabia, no entanto, que este jantar seria mais para mantê-la distraída e animá-la.
Às sete em ponto, James ouve um carro lá fora. Era o Audi TT prateado da sua convidada. Madalena aproximou-se do portão de casa dele e, quando ia a tocar à campainha, ouve-o dizer pelo intercomunicador:

- Seven sharp. Very well, I’m impressed.
- Oh! Thanks chief. – agradeceu ainda um pouco surpreendida.
- Please, let the “chief” out of that door.
- I’m sorry. James it is.
- Deal. Come in. Lets make our dinner.
Madalena abriu o portão e dirigiu-se até à porta. James abriu e disse:
- I mean, I’ll teach you how to do it.
- I’m a very good cooker, you know.
- I don’t doubt it but I am pretty sure you don’t know my secret recipe.

Os dois foram para a cozinha fazer o jantar. Estiveram mais de uma hora a conversar enquanto cozinhavam. Madalena fez duas caipirinhas mas manteve a receita secreta, provocando o James. O jantar estava feito e a mesa posta. Os dois preparavam-se para se sentar quando o telemóvel dela toca.
- Excuse me, J.
Atendeu o telefone e ouviu:
- Madalena, falei com o Bernardo e os miúdos!
- E então? – perguntou, animada.
- Nós falámos sobre o assunto e… Espera aí, o Miguel está a chamar por mim. Espera aí.
- Eu espero… Mas despacha-te, quero saber!
Madalena estava ansiosa por saber se a Inês e a sua família sempre vinham morar para Miami.
- It’s a friend of mine, from Portugal. I invited her to work in the Clinic with me. She was about to tell me if she decided to come here or stay there but her kid interrupted us. – disse-lhe.
- Who’s she? – perguntou James, curioso.
- Inês. We’ve know each since we were 14 years old.
- Gee. I wish I’ve met you in that age. – disse, fazendo um sorriso provocador.
- Oh, you wouldn’t, trust me. – assegurou-o, sorrindo também.

- Madalena? Estás aí?
- Sim, sim Inês. Conta lá.
- Nós vamos! Nós vamos!
- AH! Não acredito! Fico tão contente por terem decidido isso, vou adorar trabalhar contigo.
- Também eu. Bem, e quanto tempo temos até nos mudarmos?
- Para a semana já começas a trabalhar cá. Começas no início da semana, podem vir em qualquer dia até porque já falei com uma agente imobiliária minha amiga que vos vai mostrar apartamentos.
- Óptimo, óptimo. Vá, então telefono-te mais logo, está bem? Vou deitar os miúdos.
- Vai lá, querida. Eu vou jantar com o meu chefe, aqui em casa dele.
- Vais ter tanto para me contar, não te escapas!
- Conto-te tudo assim que cá chegares.

Madalena e Inês despediram-se. Desligou o seu telemóvel para não ser novamente interrompida. Tudo o que queria neste momento era um jantar sossegado com James e esquecer os seus problemas. E foi exactamente isso que teve. Um óptimo e sossegado jantar.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

surprise, surprise, surprise

«People I know, places I go,
make me feel tongue tied.
I can see how people look down,
they are on the inside.

Here's where the story ends.
People I see, weary of me, showing their good side,
and I can see how people look down.
I'm on the outside.

Here's where the story ends,
Oh, here's where the story ends.
It's that little souvenir of a terrible year,
which makes my eyes feel sore.
And I never should of said,
the books that you read were all I loved you for.

It's that little souvenir of a terrible year,
which makes me wonder why.
It's the memorys of the shed, that made me turn red.
Surprise, surprise, surprise»

terça-feira, 17 de junho de 2008

Take sixteen

Kevin entra na sala. Olha para a sua mulher e depois para Madalena, com um ar assustado. Pousa a mão na barriga da Savannah e dá-lhe um beijo rápido.
- How is our baby, honey? – Pergunta Kevin.
- She’s great. Dr Madalena was saying that she can’t move so we are going to be parents today.
- Really? 24 February 2008, it’s a good day to be born. – Diz, sorrindo para Savannah.

Madalena sai da sala, sem dizer uma palavra. Kevin vai atrás dela.
- Madalena!
- I don’t want to talk to you, just leave me alone. – Pediu Madalena.
- Please, let me talk to you!
Entraram no escritório de Madalena.
- She’s eight months pregnant and you didn’t tell me… - Diz Madalena, começando a chorar.
- That’s why I didn’t tell you!
- You married her last year and she’s is now eight months pregnant?! You have no respect for me nor for what happened to us and you have no respect at all for your wife as you told me last week you still have feelings for me!
- I love Savannah. But I still love you.
Ele aproximou-se e abraçou-a com força, como costumava fazer. Madalena começa a chorar.
- Did you already forget what happened to us? How could you ignore and move on? How could you? – Pergunta Madalena.
- No! I’ll never forget it, Madalena. I’m so sorry… I should have been there for you and I just left. I couldn’t live with that. It was too hard and still is.
- Don’t you think it is hard for me too?
- I know it is!
- Losing… - Começa a chorar.
- Honey, we lost our child and that’s too painful. It was hard for both and every time I saw you, I remember our girl. I remember when she was born and how happy you were. That happiness faded away and I couldn’t stand that. I’m sorry!
- We could try again and instead you just left me alone. I will never forgive you, Kevin. I won’t.
Kevin abraça-a de novo. Madalena soltou-se e saiu do escritório. Caminhou de um lado para o outro, tentando controlar-se. Subiu as escadas e foi sentar-se numa mesa escondida da cafetaria. Madalena tira um ursinho cor-de-rosa do bolso da sua bata e aperta-o com toda a força, desatando a chorar.

**

- Kevin, Madalena. Wake up.
Os dois tinham-se deixado adormecer nas desconfortáveis cadeiras da sala de espera do Hospital onde ambos trabalhavam. Foram acordados pelo seu colega de trabalho, o Dr Nelson Lewis. Era o único especialista em pediatria no Hospital e confiaram-lhe a sua filha de cinco meses.
- I’m sorry. – continuou – We’ve done everything we could. I’m so sorry.
O Dr Lewis não era um homem de emoções, mas sendo uma filha dos seus amigos, baixou a sua guarda e mostrou-se abalado. Madalena levou as mãos à boca e começou a chorar, agarrando-se a Kevin, tentando não se ir abaixo.
- What happened? – perguntou Kevin, controlando-se.
- She was too sick and weak. We tried everything we could, Kevin. I’m sorry. I feel like I failed with you two…
- Nelson, don’t you feel that! We know… We know you’ve done the impossible. Thank you for that. Really.
- Can I see her? – perguntou Madalena.
O Dr Lewis levou-os a ver a filha deles. Madalena aproximou-se da maca, levando as mãos à boca mais uma vez. Não podia acreditar que a bebé que ali estava era a sua filha. Aproximou-se até puder observá-la. Parecia que estava a dormir, Madalena queria tanto acreditar nisso. Baixou a sua mão e passou-a pela pequena cara da filha. Kevin foi buscar a manta cor-de-rosa ao saco e pegou nela, embrulhando-a na manta, apertando-a bem. Deu-lhe um beijo na bochecha e entregou-a à mãe. Madalena pegou nela e sentou-se na cadeira. Abraçou com imensa força ao pensar que nunca mais a ia ver. Estiveram mais de duas horas lá até terem ganho a coragem de ir para casa sem ela. Quando chegaram a casa, deitaram-se os dois na cama, abraçados, apertando um contra o outro, tentando, de alguma forma, ganhar força e coragem para o que estava para vir.
Dois dias depois, amigos e familiares juntaram-se todos em nome da filha. Madalena e Kevin, antes de se despedirem dela para sempre, leram-lhe um poema do escritor preferido de ambos:

- «What though the radiance which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.»

**

James entrou na cafetaria para tomar o seu café da manhã.
- I think you should talk to Dr. Madeleine. She’s crying over there. – Diz o empregado, apontando.
James dirige-se à mesa e vê Madalena com as mãos a tapar a cara. Senta-se na cadeira da frente e pergunta: - Madalena, what’s wrong? What happened?
Madalena tira as mãos e olha James nos olhos. Estende as mãos na mesa, agarrando o urso de peluche. Madalena baixa os olhos. – I miss her so much! Oh, my god, I miss her a lot! – Começa a chorar.
- Who is she? – Pergunta James, confuso.
- She is… - Diz, soluçando. – She was my child, my baby girl. I miss her. James, why this happened to me?
- What happened?! Madalena, please, stop crying. Please.
- Kevin and I had a child. Her name was Leigh Tyler, she was born on April 26 of 2006. Early that day, Kevin proposed me and when I said yes my waters broke. She died. She was five months old. She had pneumonia. I lost her! It’s so hard to live without her and she was just a baby. I’m a doctor, Kevin is a doctor too and neither of us could save her!
- Madalena… Madalena, it is not your fault, neither is Kevin fault. Don’t be too harsh on yourself. I never knew Kevin had a child, he never told me.
- I can’t stop thinking about Leigh. She was so perfect. I was so happy. Finally I had a happy family and a nice job. It was my dream. Now, Kevin is going to be a father.
James sentou-se na cadeira ao lado dela. Olhou-a nos olhos.
- I’m sure Leigh was perfect. You are a perfect woman, Madalena.
Abraçaram-se com força.
- Thanks, James. You have been such a good friend to me.
- De nada, Madalena. – Diz James, fazendo um pequeno sorriso. – What do you say about having dinner in my place?
- Ooh, I don’t want to, James, I’m sorry. I just want this day to be over.
- Come on, I’ll make our dinner, I promise.
- And do you know how to cook? – Pergunta Madalena, com um pequeno sorriso.
- Of course! I love cooking and everyone loves my meals! You won’t regret.
- Okay. What time?
- Be there at 7 p.m so you can learn how to make such a good meal. Deal?
- Deal, James. – Madalena olha para o pager. – I need to go downstairs, duty calls me.
- I’ll go with you.

domingo, 15 de junho de 2008

Take fifteen

Dois dias depois Madalena voltou para o Hospital.

- Hold the elevator, please. – Gritou Madalena.
- Good morning, Madalena! – Diz James.
- You are so happy today! What happened?
- I’m glad to work here, this hospital brings me good memories, I think.
- Ooh, do you know what I just realised? – Pergunta Madalena.
- Nooo, what?
- Do you still remember… Perhaps you don’t, it was like six years ago! One day, you met Kirsten, Kevin’s sister… Do you remember that day?
- Yes! Of course! It was downstairs, in the lobby… How do you know about Kirsten?
- I’m her friend and I was with her when you two meet. I was the other girl.
- No! Really?! You look so different now… Wait a minute… So, we have been introduced three times already? – Diz, sorrindo.
- How is that possible, right? – Pergunta Madalena.
- Hmm, it’s fate… Who knows? – Diz, piscando o olho.
- Wait… Did you were Kirsten’s boyfriend?
- Yes, we dated for almost two years. Did she talk about me?
- Oh my god! Yes, yes! She did! She talked about you so much… Two years? God, I can’t believe I never saw you two together! I didn’t see you in that dinner we did last year, were you there?
- No, no. I was in California at that time, there was an emergency and I had been call to do a surgery. Kirsten told me it was such a great dinner, this year I’ll go, I promise. – Diz James.
- I think it is in June 24, I’m not sure. I don’t know if I can make it, will see.
- Oh, Madalena, I can’t believe you dated Kevin! I remember I told him you were way too cute for him. Why did you two break up anyway? – Pergunta, curioso.
- Long story… One day I’ll tell you. Not today, not now. Okay?
- Okay, I’m sorry.
A porta do elevador abre.
- I’ll see you later, James. Good day.
- Have a nice day, Madalena.

Mrs. Scavo vê a Madalena de longe e grita: - Madeleine, there’s a pregnant woman with a lot of pain.
- Give me her file and page Dr. Harrington right away. – Pediu Madalena.
Mrs Scavo entrega-lhe a ficha da paciente. – She’s in room four.
- Savannah Harlow-Walker?! – Pergunta Madalena, assustada.
- Do you know who she is?
- Page Dr. Kevin Walker immediately, she’s his wife. – Diz Madalena, dirigindo-se à sala.
Pousou a mão na maçaneta e respirou fundo. Entrou.

- Good morning. I’m Dr. Vilaça, call me Madeleine. Wow! You are very pregnant!
Savannah ri-se. – Yes! I’m almost eight months pregnant… This morning I felt weird and the baby doesn’t move. I’m afraid there’s something wrong.
- Be calm, Savannah. Let me check. – Madalena toca-lhe na barriga, sentindo o bebé. – I’m going to do an ultrasound, so we can see the baby’s heartbeat. How old are you right now?
Madalena liga a máquina e começa o exame.
- I’m almost twenty-five. I didn’t want to have a baby too young and so soon but my husband Kevin wanted to have a child so much! He was so excited when I showed him my pregnancy test. And now, this baby is my life! She’s means everything to me.. She’s beautiful, isn’t she?
- Oh, it is a girl! She’s cute! Does she have a name already? – Pergunta Madalena, curiosa.
- Yes! I mean, not yet… I want to name her after my mother Blanche but Kevin doesn’t like it, he wants to name her Bailie.
- Bailie is cute! Your baby girl has no space to move now, that’s why you don’t feel her. I think today you are going to be a mum, Savannah. – Diz, fazendo um sorriso forçado.

waiting on the world to change

«Me and all my friends
We're all misunderstood
They say we stand for nothing and
There's no way we ever could
Now we see everything that's going wrong.

With the world and those who lead it
We just feel like we don't have the means
To rise above and beat it
So we keep waiting (waiting)
Waiting on the world to change
We keep on waiting (waiting)
Waiting on the world to change.

It's hard to beat the system
When we're standing at a distance
So we keep waiting (waiting)
Waiting on the world to change
Now if we had the power
To bring our neighbors home from war
They would have never missed a Christmas
No more ribbons on their door.

And when you trust your television
What you get is what you got
Cause when they own the information, oh
They can bend it all they want.

It's not that we don't care,
We just know that the fight ain't fair
So we keep on waiting (waiting)
Waiting on the world to change
And we're still waiting.»

Take fourteen

- What happened, Madeleine? – Perguntou Mrs Scavo, preocupada.
- I just want to be alone right now! I need to be alone.
- But why are you crying, dear? Please talk to me.
Madalena continuou sem dirigir outra palavra. Entrou no seu escritório e sentou-se no sofá.
**

- Kirsten, right? - perguntou Madalena, ainda um pouco envergonhada.
- Yes! And you are…
- Madalena! You can call me Madeleine. I’m Portuguese.
- Nice to meet you! You are the first person I know today, I don’t know anyone here… I’m so nervous! It is our very first day here… Aren’t you exciting? Have you already met someone?
- No, I don’t know any single person here in the US. It’s sad, I know… I only leave Portugal last week, it’s hard to be so far away with no friends! You don’t know anyone here? What about the boy who was talking to you? - perguntou a Portuguesa.
- Oh! That is my brother Kevin. I’ll introduce him to you and you can make one more friend today! – Voltou-se e gritou. – Kevin!! Come here.
- I’m here, Kirsten. – Disse, Kevin, sorrindo.
- I want to introduce Madeleine, she’s a Portuguese student and she’s going to work here with us.
- Hi, Madeleine.
- Hello, Kevin. Nice to meet you!
- Well, Kirsten, I want to introduce a friend of mine who is totally in love with you. – Disse, dando uma gargalhada. – Jimmy! Jimmy, this is my sister Kirsten and Kirsten, this is Jimmy. Oh, and this is Madaleine.
- Hi Kirsten. Hi Madeleine. - Disse Jimmy, corado e um pouco atrapalhado.

Madalena e Kirsten pediram licença aos dois rapazes e foram conhecer a Ala Pediátrica do Hospital.

- Kevin, I really think I’m in love with your sister… She’s more beautiful now than… Are you listening? - questionou Jimmy.
- Ah? I’m sorry.. That girl… God, Madeleine is cute! I’m telling you… One day that girl will be my girlfriend! I swear to you, Jimmy!
- Keep dreaming… She’s way too cute for you, my friend!
Meses mais tarde, Kevin apercebeu-se que sentia qualquer coisa mais do que apenas amizade pela sua colega Madalena. No dia em que isso se tornou claro na sua cabeça, Kevin procurou por Madalena. Percorreu corredores e pisos até finalmente encontrá-la sentada na mesa da cafetaria, no último piso do Hospital. Madalena estava sozinha, a estudar anatomia por um livro. Kevin aproximou-se dela e perguntou-lhe:
- How do I say your name in Portuguese?
- Madalena. Why Kevin?
- Madalena, I think I am in love with you. - declarou-se.
- I’m speechless… I’m never speechless!
- What do you feel about me?
- I love you too since the day I met you, Kevin!
- Do you? Why didn’t you tell me?
- We only know each other for seven months and we are always here working… I don’t see how this…
Kevin beijou-a. Um beijo rápido.
- This will definitely work! – Prometeu Kevin, sorrindo.
Madalena beijou-o. Desta vez foi um beijo longo e apaixonado.
**

- Madeleine! Dear, wake up! It’s almost five a.m., your shift is over… Go home and get some sleep. - aconselhou Mrs. Scavo.
- What? Where am I?
- You’re in the Hospital. You fell asleep… Come on, get up and go home. Tomorrow you don’t work here.
- Mrs. Scavo, I think I met James… - disse Madalena, sonolenta.
- Of course you know him! He’s your chief, dear. – sorriu.
- Noo! I think I met him when I started to work here, six years ago… He was so cute!

sábado, 14 de junho de 2008

Take thirteen (Sofia e Sara)

- Meu deus! Estás a falar a sério? A sério? - perguntou a Inês, ainda sem acreditar.
- Claro que estou. Sei que sempre quisseste vir trabalhar para aqui e agora que surgiu esta oportunidade, não podia deixar de te ligar.
- Madalena, ainda nem estou em mim! Estou mesmo, mesmo entusiasmada com a ideia. Tenho que falar com o Bernardo.
- Sim, fala lá com o SuperPai até porque o Miguel também já anda na escola, no terceiro ano, não é?
- Sim, o Miguel no terceiro e a Sofia e o Martim entram para o próximo ano para o primeiro. Mas os miúdos habituam-se num instante, ainda são muito novos. - respondeu Inês.
- Os gémeos, sim. Mas o Miguel já fez amigos. Tens que falar com eles então porque eu quero que vocês venham todos viver para Miami! Nem imaginas a falta que me fazes.
- Saudades tuas também não faltam, Madalena. Então vá, eu vou falar com eles e depois digo-te o que decidimos, está bem?
- Combinado. Fico à espera então, amiga. Beijinho.
- Vá, beijo.

Entretanto já tinha comido o seu nada saudável almoço. Fez sinal ao empregado para por na sua conta. O empregado acenou afirmativamente e Madalena subiu pelas escadas até ao piso das urgências.

- Madeleine! You need to sign these documents, dear.

Madalena aproximou-se do balcão e começou a assinar as altas dos seus pacientes. Olhou para o corredor.
- Since when does Kevin knows James? - Pergunta Madalena.
Mrs. Scavo sorriu. - And since when we call James to Dr. Cavanaugh?
Madalena ficou um pouco atrapalhada. Kevin fitou-a, acenando para ir ao escritório dele.

- Kevin. Good morning.
- Madalena, take a seat. Do you already know who the new chief is? – Perguntou Kevin.
- Yes. Dr Cavanaugh.
- So, what do you think about that?
- What do you want me to say, Kevin? I don’t know Dr Cavanaugh professionally…
- But you two know each other personally, right?
- So what?
- I’m sorry… I don’t know how to ask this so I am just going to ask… What is going on between you two?
- Excuse me? Nothing is going on between us!
- Nothing? I see the way you look at him!
- What are you trying to say anyway?
- Do you like him?
- I don’t see what you have to do with this and…
- He is your chief! This is your workplace!

Madalena soltou uma gargalhada e acrescentou: - That didn’t stop us a few years ago.
- It was five years ago and we were young and immature!
- I can’t understand how this affects you or your job, Kevin.
- It doesn’t affect me! – Afirmou Kevin, um pouco atrapalhado.
- Are you done? Can I go now?
- Wait, Madalena… I am sorry. The truth is I am jealous. He is a friend of mine and you were my girlfriend… I think I still have feelings for you.
- Do you still have feelings for me? You must be joking with me! Did you have those feelings in the day you broke up with me and get marry to her, Dr. Walker?! – Perguntou Madalena, saindo do escritório, fechando com força a porta atrás de si.