Como as coisas mudam. É ridícula a rapidez com que as coisas de facto mudam. Há uns tempos atrás, andava eu desesperada, desorientada, destruída... Uma quantidade de "des-". Tinha mudanças de humor que era uma coisa doida e quando chegava a casa berrava para as paredes ou para a minha amiga, que me ouvia e nada dizia. Até me calar e me recompor. Há uns tempos eu era assim. Mas agora que penso nisso, parece-me tão distante... Parece-me irreal o que aconteceu. E às vezes tenho que pensar mesmo e perguntar "isto aconteceu?" "eu comportei-me daquela maneira?". Mas a verdade é que passou. Passou e já passou. Tento lembrar-me, tento fazer com que isso não volte a escorregar-me da memória mas a verdade é que não foi assim tão mau para ficar registado. A verdade é que eu já sofri bem pior e já chorei muito mais do que agora. E essas, sim, essas memórias não vão embora tão facilmente como ele foi. Não esqueço essas memórias de há anos atrás tão rápido como tu me esqueceste. É quando penso em tudo ao mesmo tempo e relaciono que me apercebo de que o que eu chorei este ano, foi por toda a tristeza acumulada dos anos anteriores, em que me proibí de deitar uma lágrima. Este ano chorei por todos os anos e todas as tristezas que aconteceram nesses anos. Porque agora nada de mais se passou. Ou, o que se passou foram coisas ordinárias... Coisas que acontecem todos os dias a toda a gente. Sim, mentiram-me uma e outra e outra e outra vez. Sim, magoaram-me. Sim, desiludiram-me. Sim. Mas isso acontece sempre. E este ano as minhas respostas foram exageradas... porque eu já estava magoada. Foi como uma última gota necessária para fazer deitar a água cá para fora, estás a ver? Porque se eu estivesse bem, não deitaria nenhuma lágrima. Eu estava partida. E agora ando a colar-me aos bocados. Mas não preciso de ajuda de ninguém, nem vou pedir. Eu sozinha sei que consigo. E eu vou conseguir, mais cedo ou mais tarde. E vou voltar a ser quem eu já fui. Aliás, isso parece-me impossível. Nunca na vida vou voltar a ser quem fui. Sei que a ingenuidade, essa já se foi. E também abri os olhos nos últimos meses. É incrível, estou a adorar. Portanto, secalhar não quero voltar a ser quem eu era. Quero ser melhor, mais com os pés na terra, sem nunca deixar de ter os meus sonhos. (lamechas)