Sim, estou irritada. Ando irritada mas não o mostro a ninguém e tento com que ninguém se aperceba e me pergunte porquê. Fartei-me de queixar em voz alta de tudo o que me chateia, mas continua a minha voz irritante a dar-me cabo da cabeça. Quero que as coisas mudem. Quero muito que as coisas mudem. Mas eu sei que não é assim que as coisas funcionam. Queixar, querer e puf, toma lá. Eu sei. Tenho que me queixar menos, tenho que querer mais e tenho que me mexer ainda mais. Está tudo dependente de mim. Eu sou a única que pode mudar o que está mal e o que eu não gosto. E portanto, eu tenho que calar mais e deixar-andar menos. Vou mudar e quero lá saber que tu não gostes... Tu também mudas, constantemente, a todo o tempo e eu tento acompanhar a tua mudança. Umas vezes não gosto, outras até prefiro. Mas sei que se mudas, é porque sentes a necessidade de tal e, por isso, não critico nem desgosto. Tenho que gostar, não é? Afinal se eu gosto de ti, aceito-te como és. Portanto, eu espero o mesmo de ti. Mas se não conseguires acompanhar e sentires enjoada pelas mudanças de vento, aconselho-te a sair do barco. Mas se decidires ficar, acredita em mim quando te digo que vai ser one hell of a trip.
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