Não sei que lhe dizer, então calo-me . Calo-me no carro, a passear lado a lado na rua, até à mesa seja à uma da tarde ou às oito da noite. Fico calada e a observar tudo o que se passa à volta porque eu não tenho nada para lhe dizer. Já lhe disse tudo e já foi tanto, já lhe dei tudo e demasiado. Nunca lhe disse que o amava mas o meu olhar nunca enganou ninguém. Já lhe disse que me fazia a rapariga mais feliz e ao mesmo tempo também já me fez a mais triste delas todas. Já me apeteceu beijar-lhe e bater-lhe com toda a minha força. Já lhe abri a porta de minha casa como lhe fechei a porta na cara. Já troquei olhares com ele como também já evitei olhar-lhe. Já disse e fiz tanto com ele que agora não me resta nada, se não as más recordações que eu guardo porque as boas não são suficientes. Penso nele, e penso tristeza. Estou com ele e sinto tristeza. Querer tê-lo de volta é como aceitar de volta a tristeza que eu mandei embora quando me calei ao teu lado. Se eu não falar contigo, tu não falas comigo e não me dizes as mentiras que saem da tua boca todos os dias. Não te ouço a gozar com tudo e a responder-me mal como me tens respondido. Se eu me calar, apenas recebo silêncio e neste momento é tudo o que eu peço de ti.
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