quinta-feira, 20 de setembro de 2007
De vestido azul, de gregas nos pés e de carteira amarela grande, ela sai do metro na estação da Trindade. O seu cabelo estava perfeitamente esticado e, apesar de ainda não se ter habituado ao novo look, as franjas ficavam-lhe a matar. Desta vez, esqueceu-se dos seus 'sempre presentes' Rayban porque o sol do final do Verão já não lhe magoava a vista. Subiu as escadas da estação até lá em cima para se encontrar com um seu amigo e apanhar o metro com ele com destino a matosinhos. Procuro-o na multidão e, de repente, alguém me tapa os olhos. Sei que é ele e riu-me. Nesse instante, ainda com os olhos tapados, sinto alguém a aproximar-se pela frente. Então aí sinto quatro mãos na minha cara: duas do meu amigo nos meus olhos e duas nas bochechas de um desconhecido. Em seguida, sinto a língua dele a passar no meu lábio superior e reconheco-o por esse gesto. Damos um beijo e quando as mãos caem dos meus olhos, eu abro-os e aí, tenho a certeza de que é ele. Estava a procura-lo na multidão e, de repente, alguém lhe tapou os olhos. Riu-se porque sabia quem era. De repente, sentiu alguém a aproximar-se pela frente. Sorriu por dentro. Dão um beijo mas não como ela pensou. Quando as mãos cairam dos seus olhos, ela não precisou de os abrir para saber que estava a beijá-lo e que o seu amigo estava atrás de si. O beijo acabou e abre os olhos. Assustou-se e levou as mãos à boca. Tinha acabado de beijar o seu amigo. Então quem me tapou os olhos? Olhou para trás e viu-o. Era ele.
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