quinta-feira, 24 de abril de 2008

Copo de Água

Levantando o copo de cristal de champagne, ele disse em voz alta perante todos os seus amigos e familiares que se encontravam na sua mesa e nas mesas à sua volta:
- Gostava de fazer um brinde. Um brinde à minha amiga de infância. Ela esteve sempre comigo nos melhores momentos da minha vida e ajudou-me bastante nos maus. Lembro-me uma vez - até foi engraçado - de quando eu fui operado. Tive de ficar duas semanas no Hospital e ela não saia da minha beira, passava lá os dias e as noites. Teve que ser a minha mãe, ao fim de alguns dias, a mandá-la para casa, descansar.
Apenas se ouvia a voz dele e via-se os olhares atentos dos convidados, enquanto falava orgulhosamente da sua amiga. Ele fez silêncio por uns segundos e depois acrescentou:
- Descobri o amor pela primeira vez com ela ao meu lado, descobri sensações que até então desconhecia. O sentimento por dela vinha e vem daqui, bem do fundo.
Silêncio.
- Agora que encontrei outra mulher por quem eu estou terrivelmente apaixonado e quero construir família ao lado dela, - disse, olhando para a mulher, sentada ao seu lado, vestida de branco. - tenho de agradecer à minha grande amiga por me ajudar a tomar as melhores decisões e me pôr, continuamente, os pés no chão quando, de vez em quando, sonho demasiado alto. Queria, também, agradecer-lhe por ter estado comigo hoje enquanto eu me preparava para casar com a minha mulher. Sofia, obrigada por todos estes anos que me fizeste feliz e obrigada por me teres entregue a Matilde.

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