Às seis horas da manhã, ela acorda com a porta a bater ao fundo do corredor. Levanta-se da cama e veste uma camisola. Ainda de olhos meios fechados, sai do quarto e vai ter com ele. Ele sorri para ela e ela, depois de arranjar o seu cabelo com os dedos, faz-lhe uma cara de ponto de interrogação. «O que foi?», ele pergunta.
«O que foi?! Não me perguntes o que foi quando sabes exactamente o que se passa. Tu não podes entrar e sair sempre que te apetecer. Não podes fazer isso comigo. Não me sorrias. Não te atrevas a tornar esta conversa num dos meus episódios de histerismo. Não é. Tu entras na minha vida sempre com promessas que dizes que vais cumprir, entras com vontade de lutar por nós e depois desapareces. Desapareces durante dias e não me dizes uma única palavra. UMA ÚNICA PALAVRA. De ti só recebi silêncio. E durante esses dias pergunto-me «o que é que eu fiz?!». Eu pensava e pensava no que tinha feito. Revia todas as nossas conversas e atitudes na minha cabeça. Nada, não fiz nada. Não me olhes com essa cara. Estou a mentir por acaso? Não respondas. Ouve-me... Eu quero estabilidade, quero saber que posso contar contigo quando te preciso. Quero saber que estarás ao meu lado nos meus, nos nossos, dias maus, nos bons, nos óptimos e nos insuportáveis. Quero estar contigo sabendo que estás comigo. Ou estarei a exigir demasiado de ti? Não te chegues perto de mim. Não te quero ver a chegar às horas que te apetece a minha casa. Dá-me a chave. Estou a falar a sério! Dá-me a chave de casa.»
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