- Que horas são, Graça? - perguntou à secretária.
- São quase seis horas da tarde, Doutora.
- Oh, estou tão atrasada! - disse, enquanto escrevia uns últimos apontamentos na ficha do paciente que tinha acabado de receber.
- Atrasada para quê, Doutora? Vai trabalhar hoje no Hospital? Pensei que à quarta-feira ficava pela Clínica.
- Não é isso. Hoje há um jantar/festa... No museu...
- A uma quarta-feira?
- Aparentemente. Esquisito, não acha? Mas bem, pode chamar o Dr Espírito Santo pelo pager? O meu turno já acabou há vinte minutos.
- Com certeza, Doutora Vilaça.
Vinte minutos depois, ela chegou a casa. Preparou um banho rápido e escolheu a roupa que iria usar esta noite. Era um vestido longo, formal e de cor amarela. Maquilhou-se - apesar de que não era preciso - e não fez nada ao cabelo. Estava perfeito assim como estava, solto e cheio de caracóis naturais. Ela chamou um táxi e, depois de pegar na carteira e no casaco, desceu e ficou à espera lá fora. Estava uma noite quente, como é habitual em Miami.
- Where to, Madam? - perguntou o taxista.
- To the Museum, please.
O táxi parou mesmo à entrada.
- How much is it?
Enquanto subia as numerosas escadas do museu, ela apreciava a decoração antiga e a pedra velha que suportava o edifício. Deu por si a pensar que nunca tinha lá entrado, apesar de que já vivia em Miami há bastantes anos; seis anos, para ser exacta.
- Name, please, Madam.
- Vilaça. Dra Madalena Vilaça. V-I-L-A-Ç-A.
- Very well. Would you like to give me your coat?
- Sure. Thank you.
Pegou num copo de champagne e começou a andar aos circulos pela gigantesca sala, do estilo século XVIII, com pinturas no tecto e candeeiros grandes e brilhantes. Passava de quadro em quadro, escultura em escultura, apreciando todas as obras e tentando decorar todos os nomes dos autores. De certa maneira, para se sentir mais culta nesta área. Madalena era, sem dúvida, uma mulher que fazia girar as cabeças a muita gente. E, sem dúvida, que virou a cabeça de James, um Americano de nascença.
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