sábado, 20 de fevereiro de 2010

pesadelo

Acordei de repente e não conseguia respirar. Estava a tremer e não podia ser do frio porque estávamos em pleno Verão. Podia não ter a certeza de muita coisa, mas disso tinha. Sabia que tinha feito anos ontem. Mas que pesadelo... Tentei respirar mais devagar e já me foi possível sair da cama. Ao acender a luz do meu quarto de banho, tive um flash do meu pesadelo. E fiquei estática. Tentava sair de casa mas todas as portas e janelas tinham sido trancadas. Não estava sozinha, estava com a namorada do meu melhor amigo. Estávamos as duas aterrorizadas e sem saber o que fazer. Chamamos por ele mas não o encontrávamos em lado nenhum. Já começávamos a sentir o fumo a entrar nos nossos pulmões. A sala da televisão estava a arder e nós não conseguíamos sair de casa. Eu não quero morrer... Eu não quero morrer! Quando finalmente os meus olhos viam o presente, respirei fundo e tentei acalmar-me outra vez. Depois de vestida, entrei no quarto do meu melhor amigo e acordei-o.

- Parabéns, Sofia! Dá cá um abraço ao rapaz da tua vida. - disse-me com um sorriso na boca e os olhos ainda meio fechados.
Eu levantei a sobrancelha. - Pedro, Pedro... Ontem à noite foram copitos a mais, não? - e abri a persiana. Espreito pela persiana e vejo a namorada dele a vir em direcção à nossa casa, ao mesmo tempo que o ouço dizer "Não, Sofia. Ontem à noite estivemos a estudar até tarde, não te lembras? Hoje são os teus anos." e tenho um flash.
- A tua namorada está a vir para cá... - digo-lhe ainda virada para a janela. - É a segunda manhã que ela vem para cá.
Ouço um riso distorcido. - Estás a brincar? Ela chegou ontem de Paris. E eu disse-lhe para vir hoje de manhã para te cantarmos os parabéns. - hesita. - Tu não me pareces bem... - agarra na minha mão e pergunta-me: - Estás bem?
Eu fico a olhar-lhe e finalmente lhe digo, ao mesmo tempo que o abraço. - Eu não quero morrer.
Ele ri-se. - Sofia, só ficaste um ano mais velha, tu não vais morrer.
A campainha toca e nós os dois descemos.
O Pedro abre a porta à Carolina e os dois começam a cantar os parabéns, tal e qual como no flash que ainda à pouco tive. Fomos para a cozinha e a determinada altura, eu digo, virada de costas para eles, "o copo vai cair". E dois segundos depois, ouço o estilhaçar do vidro.
Eles os dois ficam sem reacção e eu viro-me para eles e a minha cara espelha o medo que eu nunca tinha sentido.
E acrescento. - O João vem aí. Vai tocar à campainha agora e traz com ele dois embrulhos. Um para mim e outro para ti, Carolina.
A campainha toca. O Pedro arrasta-se para junto do intercomunicador e pergunta quem é. Do outro lado ouve-se "Sou eu, amigo, o John.". Eles os dois olham para mim como se eu fosse uma estranha. E eu não sei que lhes dizer.
O João entra em casa e vai até à cozinha ter connosco. Quando ele entra, para além de ver que ele traz dois embrulhos na mão, tenho outro flash do meu pesadelo.
- Parabéns, Sofia. Este aqui é para ti e este é para a Carolina.
- Presente para mim, porquê? - pergunta a Carolina, contente e desconfiada ao mesmo tempo.
- Oh, porque acho que vais gostar. Não há assim razão especial.
Nós abrimos os presentes. Ele deu-me um lenço turquesa, a minha cor favorita. Passado algum tempo, ficamos apenas eu e o João na cozinha. Perguntei-lhe se queria umas torradas e ele disse-me que sim. Enquanto eu fazia as torradas e punha a mesa para nós os dois, ele contava-me como ia a vida dele." - Sabes, tive a pensar desde aquela nossa conversa no outro dia. E tu tens razão... Eu gosto da Carolina. E magoa-me vê-la com ele. Eu já pensei em lhe dizer o quanto gosto dela e de lhe pedir em namoro." Eu olho para ele e relembro-lhe que ela já tem um namorado. Ele continua a conversa e tudo o que diz é que o Pedro não serve para ela e que ela mereceria alguém melhor. Eu cheia de ouvir aqueles disparates todos acerca do meu melhor amigo, apenas lhe digo "A conversa acaba aqui porque eu não quero continuar a ouvir-te insultar o Pedro na nossa casa. A Carolina está com ele e está feliz. E tu tens de respeitar isso e tentar seguir em frente, se queres ser feliz. Mas não estragues a felicidade dos outros." Antes de me virar costas e sair amuado da cozinha sem tomar o pequeno-almoço, tudo o que me diz é "Se eu não posso ficar com ela, ninguém pode".
De volta ao presente, eu aceito a prenda que ele me deu. Agito o embrulho e digo-lhe. "Bem, eu hoje já advinhei muita coisa. Posso tentar advinhar esta?"
- Claro que sim.
- Um lenço turquesa. - e abro-o ao mesmo tempo, tendo a minha confirmação.
- Uau, incrível.
- É, não é?
Mas eu não acho incrível.
- Carolina, posso falar contigo? - pergunto-lhe.
Depois de nos afastarmos deles, eu conto-lhe o meu sonho de ontem e o que se está a passar hoje. Conto-lhe que a casa vai começar a arder e nós as duas vamos ficar trancadas aqui dentro. Ela não acredita em mim, como seria de esperar. Será que estou a enlouquecer? Ela sai de ao pé de mim e vai ter com o Pedro e o João chama-me até à cozinha e diz que precisa de falar comigo. Eu já sabia qual seria a conversa. Ele acaba com o "Se eu não posso ficar com ela, ninguém pode" e sai da cozinha. No meu sonho, eu fui para o quarto arranjar-me. Mas agora, segui-o silenciosamente para ver o que ele fazia. E vi. Vi-o a fechar as janelas à chave e a guardar a chave noutro local. Quando ele ia para outra janela, eu ia abrir as que ele tinha acabado de fechar. Fiz isso com as portas também.
Alguém agarra-me por trás e pergunta-me "o quê que pensas que estás a fazer?". A voz do João estava carregada de ódio, como eu nunca tinha ouvido. "Eu sei o que queres fazer... Mas eu não vou deixar que tu faças isso". Não sei como, já dou por mim a correr como se fosse para ganhar alguma medalha na rua de minha casa. Passo o banco, o café, a alameda, e corro corro corro em direcção à avenida. Hoje parece-me tão longe. Queria correr mais e chegar depressa ao posto da polícia mas as minhas pernas tramam-me, como sempre. Sinto que ele está quase a alcançar-me e então, sei pensar, eu começo a subir a uma árvore, que lá está. Subo e subo e agarro-me bem aos ramos. Ele tenta subir mas eu sei que não consegue. Nunca conseguiu. Um carro pára ao lado da árvore e eu grito com todo o ar que tenho dentro dos meus pulmões para chamarem a polícia. Eu grito e volto a gritar. Eu peço e volto a pedir. Eu suplico de lágrimas nos olhos, por favor, chamem a polícia. Eles não me ligam e engatam a primeira. Eu agora não sei o que fazer. Limpo as lágrimas e vejo uma camioneta a vir em nossa direcção, cheia de cabeças a espreitar nas janelas. Eu respiro e volto a gritar para chamarem a polícia. Vejo uma senhora toda preocupada que puxa do seu telemóvel e chama a polícia. Quando vejo as fardas, o meu coração reconhece e sente-se seguro. As minhas lágrimas secaram instantaneamente e a minha respiração já me obedece outra vez. Ouço alguém lá em baixo, a esticar-me os braços e dizer "já podes descer".
Eu desço devagar e quando os meus pés tocam no chão, o meu corpo lança-se no corpo dele e digo "Não fazes ideia do quanto eu estou contente por teres vindo. Eu estava a correr para ir ter ao teu posto mas não consegui." Aperto-o mais contra mim. "Obrigada, obrigada, obrigada" E ele envolve-me nos seus grandes braços e diz "Já estou aqui, Sofia. Podes acalmar" e beija-me os lábios.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

medo, qual medo ?

Eu já não tenho medo, disse ela. Eu já não tenho medo de corar quando tu me sorris, de trincar o lábio quando tu me olhas, de respirar tão profunda e rapidamente quando tu estás perto de mim, de fechar os olhos quando sinto o teu cheiro, de sorrir quando me dás um beijo. Eu não tenho medo de deixar a minha mão por debaixo da tua, de entrelaçar os dedos com os teus, abraçar-me ao teu braço e resto do corpo. Não tenho medo de me deixar abraçada a ti, de olhos e boca fechada. Sem movimento algum. Quieta como eu nunca consigo, excepto quando sinto o bater do teu coração no meu. Não tenho medo de escrever estas palavras e de mostrar o quanto eu estou apaixonada. Não tenho medo de me ter apaixonado por ti em tão pouco tempo. Não tenho medo de não te conhecer porque conheço os meus sentimentos por ti e os teus por mim. Não tenho medo do que os outros possam pensar ou dizer. Eu não quero saber deles para nada.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

:)

"As mulheres sorriem quando querem gritar. Cantam quando querem chorar. Choram quando estão felizes. Riem quando estão nervosas."

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

tik tok

"Grab my glasses , I'm out the door
I'm gonna hit the city
Before I leave
Brush my teeth with a
Bottle of Jack
Cause when I leave for
The night I aint coming back."

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"i told you so"

Hoje acordei sobressaltada . Sonhei contigo . Outra noite em que tu apareces e eu não sei explicar porquê . Não quero nada sair da cama e enfrentar o mundo sozinha . Não quero nada sair de casa , ainda por cima com esta chuva e ventania que me leva tudo menos os sonhos . E eu já sei que vou ficar a pensar em ti o resto do dia . A contrariar a minha vontade , os meus músculos movem-me para fora da cama e em direcção à casa de banho . Arranjo-me e visto-me rapidamente por causa do frio . Tomo o pequeno-almoço concentrada no que se passa no outro lado da janela e tento prepara-me mentalmente para enfrentar o mau tempo . Pego no guarda-chuva e saio de casa . Entro no autocarro e vou até Belém para as minhas aulas . Tão distraída que eu estava de pensar em ti e eu só olhava para o relógio para ver quando me podia ir embora . Só queria sair dali porque nem sequer estava a ouvir o professor nem o que as minhas amigas conversavam baixinho comigo . Eu simplesmente não estava ali . Oh, se fisicamente também não estivesse...
Depois do ponteiro marcar uma hora da tarde , eu começo a arrumar as minhas coisas e a pensar sair sem ninguém dar por mim . E consigo . Abro o guarda-chuva outra vez - claro que ainda não parou de chover , quer dizer , estamos em Janeiro , não é? - e vou quase como a correr para a paragem de autocarro . Entro no primeiro que pára . A meio do caminho , começo a não identificar as casas e as ruas por onde estou a passar . Queres ver que me enganei no autocarro? Perguntei a uma senhora por onde estávamos a ir e ela respondeu-me que aconteceu um acidente , pelo que o percurso fora alterado . Ah, está bem . Quando começo a situar-me onde estou e vejo o Marquês ao fundo , eu carrego no stop e saio . Bolas, não era bem aqui que eu queria sair . Abro o meu guarda-chuva muito apressadamente , pelo que ele me foge das mãos e cai a quase um metro de mim . Neste preciso momento , está a chover como se não houvesse amanhã e eu já sinto toda a minha roupa molhada exageradamente . Agarro bem nos meus livros para não cairem nas intermináveis poças de água que por ali se formaram e baixo-me , alcançando o guarda-chuva estendido . Ao mesmo tempo , alguém faz o mesmo que eu . Levanto a cabeça para o ver , não precisando de muito porque ele está ao mesmo nível que eu e vejo . Vejo-o por detrás de todas as gotas de água que nos separam , por todos os fios de cabelo que se atravessam na minha cara e por detrás das pálpebras que se teimam em fechar e abrir para ver quando é que ele desapareceria e eu chegasse à realidade de que afinal fora uma ilusão . Ele sorri-me . O mesmo sorriso atravessado que faz em todos os meus sonhos e me faz apaixonar por ele . Ele abre o guarda-chuva e levanta-me pelo cotovelo , abrigando-me . Afasta o meu cabelo da minha cara e levanta o meu queixo na direcção da sua boca.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

às vezes

"Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e ...então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a fazer. E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordeiramente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade. Às vezes, é preciso partir antes do tempo, dizer: aquilo que mais se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um Deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que a vontade de mudar é sempre mais forte, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim. Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito. Somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor. Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo a baixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda-fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo. Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio, paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer."

sábado, 2 de janeiro de 2010

passagem de ano

Faltavam quinze minutos e eu sentada no chão em frente da lareira lá de casa, atenta aos meus primos enquanto tentavam explicar a palavra que lhes saiu. Eu e o meu primo mais velho conseguimos fazer doze palavras seguidas, enquanto que a minha prima mais nova disse que sabia que a palavra escrita era "quimioterapia". Claro que sabias. Ela fez-me rasgar um sorriso naquele momento e eu abracei-a. Faltavam uns dois minutos para a meia noite quando eu estava sentada no sofá, em frente à minha prima e lhe explicava por outras palavras, a palavra que ela tinha que me dizer. Ela tentou e tentou mas eu só pedia "sinónimo disso" e ela continuava a tentar até a minha mãe nos agarrar pelos cotovelos e nos levar para a sala ao lado. Começou a contagem decrescente e eu só pensava "é agora. é agora que saio deste ano e entro na nova década." e eu berrei os números desde 19 até zero e depois abracei a minha família toda e desejei-lhes do fundo do meu coração um óptimo ano para eles. Já em 2010, telefonei aos meus amigos e desejei-lhes o mesmo. Depois, desafiei um dos meus primos num jogo de bilhar. Sempre a meter as bolas e quando eu não conseguia, ele não acertava na branca e tinha que tirar uma das pequenas. Consegui, finalmente, meter todas as grandes e faltava-me a preta. Ficou encostada ao buraco, pelo que ele depois de enfiar a última pequena que tinha, enfia a minha preta. Well done. É hora de ir ter com as amigas e partir para a Trofa. Foi só beber e dançar, sozinha e acompanhada. Claro que não faltaram os rissóis e as tentativas de me arranjar um namorado para dois mil e dez. Adorei tudo. Tudo mesmo.
Na manhã seguinte (ou devo dizer, hora do jantar?) acordo em Braga ao lado da minha irmã. E logo no primeiro dia do ano, fui enganada por uma aranha que se fez passar por morta. Tenho de confiar menos.
Este ano começou ainda melhor que o ano passado. Será que tudo o resto vai ser melhor?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

:D

Year of two thousand freaking ten ! WELCOME