quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Despedida

Hoje tomei consciência de algo. Pensei bem e soube-o logo. Hoje eu estou a libertar-te de mim. De todo o meu eu. Hoje já não me pertences. Hoje és livre de seres quem tu és na realidade e gostares quem tu gostas de verdade. Hoje já não me deves explicações, nem eu as quero para nada. Hoje contento-me apenas com um cumprimento da tua parte. A partir de hoje, não vou exigir nada de ti, nada de que eu não tenha direito de exigir. Hoje vou deixar-te. Deixar-te em paz. Deixar-te com quem queres. Deixar-te para sempre. Hoje já não ocupas os meus pensamentos o dia todo, todos os dias. Hoje é o dia em que para mim, tu e eu acabámos. Demorou mas é como dizem «mais vale tarde do que nunca». Esta minha despedida veio tarde, mas veio. E aqui está ela. Aqui me despeço de ti e de tudo o que foste para mim. E aqui, também, te dou as boas-vindas como um amigo. E apenas isso.

O que devemos ter?

«Paciência e a altura certa... tudo acontece quando tem que acontecer. Uma vida não pode ser apressada, não pode ser inserida numa programação como tanta gente pretende. Temos que aceitar aquilo que nos é dado em qualquer momento, sem pedir mais. Mas a vida é interminável, o que quer dizer que nunca morremos; na realidade, também nunca chegamos a nascer. Apenas nos limitamos a passar por fases diferentes. Não tem fim. Os seres humanos têm muitas dimensões. Mas o tempo nao é como o vemos, trata-se em vez disso de um conjunto de lições que são aprendidas.»

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Uau

Hoje pisei pela primeira vez uma faculdade de Medicina, como aluna. Eu ainda não estou em mim!!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

a verdade é que...

... não gosto que as pessoas exijam de mim quando não estão em posição para o fazer.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Grey's Anatomy

MEREDITH: "Pain. You just have to ride it out. You can only hope it goes away on its own, hope the wound that caused it heals. There are no solutions, no easy answers, you just breath deep and wait for it to subside."

Albert Camus

«Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.»

terça-feira, 26 de agosto de 2008

undivided

Se pudesses voltar atrás mudavas alguma coisa na tua vida?

Se me tivessem perguntado isso há uns anos atrás, eu teria respondido logo sem pensar duas vezes, SIM. Sim, eu mudava umas coisinhas no meu passado. Mudaria algumas atitudes minhas, algumas opiniões formadas, algumas decisões tomadas. Depois ficava a imaginar como seria a minha vida no presente com as mudanças que faria. Ainda teria o namorado antigo, as amigas de infância com quem perdi contacto; imaginava-me muito feliz. Depois cresci e, obviamente, mudei de ideia. Já não mudaria nada na minha vida se pudesse fazer o ponteiro do relógio rodar para trás uns anos. Imagina que eu mudava. Eu mudava as atitudes, as opiniões e as decisões. Imagina que eu mudava. Teria, de certeza absoluta, o namorado e as amigas? Não teria provavelmente. E todo aquele meu futuro mudaria a partir daquele momento. Tudo o que eu conhecia antes da excelente ideia de voltar atrás no tempo, tudo mudaria. Deixava de ter as novas amizades que fiz, os outros namorados que vieram, as coisas fantásticas que vivi com todos eles. Imagina que eu voltava atrás e tinha um futuro pela frente sem nenhum deles; seria eu feliz? Comecei a pensar que não devemos mudar as coisas que fizemos – até porque nem conseguimos voltar atrás, mas faz de conta. Faz de conta. Se pudéssemos, não devíamos. Porque todo o caminho que nós traçamos por ali fora, é o caminho que nós devemos tomar. Nós aprendemos com cada erro, cada indecisão, cada dilema, cada tristeza, cada alegria, cada amigo. Nós, todos os dias, seguimos o caminho que queremos e abrimos novos caminhos por seguir. Quando dizemos “se eu pudesse voltar atrás…” quer dizer que aprendemos e, que para a próxima, já fazemos da maneira correcta. E, é por isso, que não devíamos voltar atrás. Devíamos ficar contentes por termos aprendido mais uma coisa nesta vida, neste nosso caminho por seguir. Não acham, vocês, um máximo não podermos mudar nada no passado? Isso obriga-nos a mudar no futuro e a evoluir com as novas mudanças. E se voltarmos a errar nada de dizer “ai se eu pudesse voltar atrás”, nada disso! A solução está no futuro. E em relação ao futuro? Preferem olhar ou arriscar?

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

seis anos e uma vida

Hoje é a véspera do meu casamento. Amanhã, dia dois de Setembro de 2009, vou-me casar com o homem que me faz feliz há seis anos. Estamos os dois deitados na nossa cama da nossa casa. Ele há pouco perguntou-me "Não acreditas naquele mito de que os noivos não devem passar a noite antes do grande dia juntos, pois não?" e eu respondi-lhe que não. Não acredito e aliás nunca passaria mais uma noite sem ele. Agora ele já está a dormir, abraçado a mim, como faz todas as noites. Desejou-me boa noite e deu-me um beijo. Amanhã espera-nos, a mim e a ele, um grande dia. Já pûs o despertador para tocar às oito horas da manhã e agora vou tentar dormir.
Às oito horas da manhã, o despertador toca sem falhas. Desligo-o e viro-me para o lado da cama onde ele dorme sempre. Encontro-a vazia, ele não está aqui. "Estranho", penso, "Ele já se levantou!". Sendo assim, saio da cama e vou até ao quarto de banho que é mesmo aqui ao lado. Visto-me com a primeira peça de roupa que vejo à frente e prendo o cabelo num rabo-de-cavalo. Desco as escadas do meu duplex e entro na cozinha. Preparo o meu rápido pequeno-almoço e, assim que vou ao frigorífico, reparo que as minhas fotografias com ele já não estão coladas na porta. "Devem ter caído, não sei", penso. Depois de ter engolido a torrada e o leite, ligo à minha mãe. Do outro lado da linha, ouço-a a pedir-me para esperar por ela cá em casa. E espero. Assim que toca à campainha, dez minutos depois do telefonema, eu abro-lhe a porta. "Onde é que vamos, afinal?", pergunta-me. "Ao cabeleireiro, como combinado, mãe. Tenho que estar perfeita para logo à tarde, no casamento" respondo-lhe e penso que a minha mãe já se anda a esquecer de muitas coisas, o que não é normal. Depois disso, pergunta-me com cara de interrogação "Que casamento, filha?". Ora, não acho normal tal pergunta e respondo-lhe "O meu". "Deixa-te de brincadeiras" é tudo o que eu ouço da boca dela. Eu, a não achar piada nenhuma, respondo-lhe logo "Mãe, estou não estou a brincar. O casamento é meu. Hoje à tarde vou-me casar. Não me diga que se esqueceu, mãe. Há cinco meses que eu estou a prepará-lo, com a sua ajuda. Não se lembra?" e diz-me muito pausamente "Filha. Se te cassasses hoje, achas mesmo que me iria esquecer? Tu deves ter sonhado ou coisa assim do género. Hoje não te vais casar, não há nada preparado.". Eu respiro fundo. Obviamente que o estado de saúde da minha mãe está a piorar. Uma coisa é não saber onde deixou as chaves de casa ou se não se lembra se sempre chegou a trancar o carro; outra é esquecer-se do casamento da sua filha única. Eu sento-me e faço-lhe um gesto para ela se sentar ao meu lado, também. Sentadas, eu começo a falar. "A mãe tem de se lembrar, até me ajudou a escolher o vestido no outro dia. Ajudou-nos, a mim e ao Guilherme, com os convites, as flores, o local, a igreja. Com tudo praticamente." e tudo o que ela me diz em seguida é "Quem é o Guilherme, minha filha?". Ora, aí eu levanto-me com uma rapidez parva. Quem é o Guilherme?! Minha nossa, o Guilherme é o noivo. Como pode ela não se lembrar de uma pessoa com quem conviveu durante seis anos. Seis. Para lhe mostrar quem ele é, procuro na minha carteira uma fotografia dele. Tenho sempre uma guardada no meu porta-moedas. Uma de nós os dois a festejar o quinto ano juntos. Mas não a encontro. Talvez seja por estar nervosa que não encontro o que procuro. Quando a minha mãe se apercebe que não tenho fotografia dele, começa a falar calmamente como se eu estivesse a endoidecer. EU, a endoidecer. Por favor. Decido ligar à minha melhor amiga para comprovar à minha mãe que o noivo sempre existe e que o casamento hoje à tarde também, obviamente. Quando ela atende o telefone e eu lhe ponho a par o que se passou, ela pergunta-me quem é o Guilherme. Eu desligo o telefone. Mas o quê que se passa para ninguém se lembrar do Guilherme? Estou a ficar preocupada e onde é que está o Guilherme?, pergunto a mim própria. Despeço-me da minha mãe que me olha como se eu estivesse doente e vou a correr para o carro. Tenho de ir ter com ele, só ele pode então provar de que de facto existe. Apanho cinco semáforos todos eles vermelhos, para variar, e condutores lentos e mal educados. Ao longe já vejo o edifício onde ele trabalha como vice-director. Estaciono o carro mesmo em frente à entrada principal e, já no piso onde ele tem o seu escritório, passo pela secretária e dirigo-me com pressa à porta dele. Digo-lhe que quero falar com o Arq. Guilherme Gouveia e ponho a mão na maçaneta da porta. Lá ao fundo ouço-a a dizer que teria primeiro que me anunciar antes de eu poder entrar. Eu não lhe liguei. Bati à porta e ouvi a voz dele do outro lado. Fiquei mais calma. Sempre existe, não estou a ficar maluca como a minha mãe me sentenciou com o seu olhar ainda há pouco. Abro a porta e digo-lhe com um sorriso rasgado "Sou eu, amor, a Sofia.". Ele focou-me o seu olhar e com ar de ponto de interrogação pergunta-me "Desculpe, quem?".