Andei o dia todo de ontem a correr pelos centros comerciais à procura do vestido perfeito para hoje. Depois de ver praticamente todas as lojas existentes em dois centros comerciais diferentes, decidi-me. É mesmo este o vestido que eu quero. É branco, com uma longa fita preta que me cobre do pescoço até aos joelhos, onde o vestido acaba. De um lado e de outro desta fita, é cor branca.
Já perto da hora de jantar, fui-me arranjar. Lavei o meu cabelo e fiz dele caracóis grandes e leves. Vesti umas meias calças pretas e, por cima, enfiei o vestido. Calcei os meus sapatos por estrear e acrescentei umas tantas pulseiras e o anel. De frente para o espelho do meu quarto de banho, começo a maquilhar-me. Base da cor da minha pele, pó nas bochechas até às têmporas, rímel nas pestanas de cima, risco preto por cima do olho e a finalizar, o batom de cor rosa da minha irmã. A sair de casa, vesti o casaco e alcancei a minha carteira cinzenta.
Liguei o carro e arranquei. Percorri quase três quilómetros para apanhar quatro amigas minhas e seguimos viagem. Após quinze minutos a conduzir, finalmente estacionei o carro à frente da casa onde a festa se vai realizar.
Saimos as cinco do carro a comentar os nossos vestidos e a rir de alegria. Este ano seria para festejar esta passagem de ano e a do ano passado, já que não passamos todas juntas. Hoje, eu admito, eu estou feliz.
Tocamos à campainha e abriram-nos imediatamente a porta. Cumprimentamos e começamos a circular pelo enorme salão, tão bem decorado com as cores de preto e dourado. Conhecia praticamente toda a gente daquela sala, excepto, uma. Uma rapariga mais baixa que eu uns bons dez centímetros, magra, que usava uma vestido azul água até um pouco acima dos joelhos e bastante decotado tanto à frente como atrás. Usava o cabelo como se não tivesse tocado nele desde que acordou e a maquilhagem, muito, muito suave. Estava a vê-la agora de lado, a conversar com dois grandes amigos meus. Quem será?
Afastei-me das minhas amigas e fui ter com o anfitrião da festa, que neste momento estava a servir bebidas no bar, junto à mesa de bilhar. Aproximo-me sem ele dar conta.
- Quem é ela? - pergunto sem nunca deixar de olhar.
Ele ri-se por se ter assustado e de ter molhado o balcão com vodka. Ao limpá-lo, pergunta-me. - Quem? - Ele segue o meu olhar e sabe a resposta. - Aaah, ela. - Fez uma pausa e enche o copo até ao fim, entregando-me nas mãos. - É a namorada dele. - E faz-me um sinal com os olhos, para o outro lado da sala, quando pronuncia dele.
Eu viro o olhar e percebo quem é ele. Deixo rapidamente a postura de curiosa e adopto uma surpreendida. - Ele está cá? - pergunto quase engasgando-me. Bebo metade do copo e sinto as minhas mãos a tremer. - E ninguém me diz que ele está cá? - Olho outra vez na direcção dele e ele olha-me de volta. - Bolas! - E fico estática a olhar para o anfitrião, com cara de envergonhada. - Ele reparou, não reparou? Reparou?
- Com licença. – e afasta-se de mim, segurando incrivelmente cinco copos cheios nas suas duas mãos.
Eu viro-me para trás e ele está ali, ao meu lado.
- Olá, estás boa? – com o seu sorriso envergonhado e, ao mesmo tempo, provocador.
- Hum. – bebo um trago da vodka. – Sim, e tu?
- Também. Estou admirado por te ver aqui, ninguém me disse que ias estar cá.
- O mesmo se passou comigo. – admito, olhando em volta, cruzando o olhar com a namorada dele. – E já vi que vieste acompanhado.
Ele olha para ela e depois baixa o olhar até olhar o chão. Em seguida olha para mim. – Pois vim. – e fez um sorriso atravessado. – Vieste com alguém?
- Sim.
- Quem? – olhando para a sala à procura de rapazes que não conhecia.
- As minhas quatro amigas, que estão ali. – disse, apontando-lhes.
- Aah, está bem. – E fez silêncio.
Mas que silêncio tão constrangedor. Normalmente, os nossos silêncios não eram assim. Conseguia ficar uma tarde inteira sem lhe dizer nada e sem ele me dizer nada, ficando os dois abraçados, apenas. Não que isso normalmente acontecesse. O que era habitual era estarmos constantemente a falar um com o outro, fazendo perguntas um ao outro, tentando descobrir um pouco mais sobre o outro. Normalmente não nos abraçavamos assim. Aliás, não me lembro de ficar abraçada a ele uma tarde inteira. Mas sei, que se tal acontecesse, eu conseguia. E não me sentiria constrangida com o silêncio dele. Ele interrompeu o meu pensamento.
- Hm, vou ter que ir ter com ela.
Eu olhei-lhe nos olhos e em seguida olhei para ela, a fazer-lhe sinais para ir ter consigo.
- Claro, vai, ela está a chamar-te.
- Gostei muito de te ver, sabes? – sorrindo daquela maneira que me deixa sem palavras.
Mas ele tem noção do que me faz quando me sorri assim?
- Eu também.
E saiu do meu lado. Atravessou meia sala e abraçou-a, dando-lhe um beijo na testa. Eu não vi esta demonstração pois, fui incapaz de olhar os dois. Uma das minhas amigas é que me contou mais tarde, quando fomos todas para o pé da pisicina.
- De certeza que estás bem? Eu não devia ter dito aquilo…
- Querida, não te preocupes. Fizeste bem em me dizer que se nota que eles gostam muito um do outro. Eu estou bem, a sério, meninas.
Eu não estou bem. Ainda há pouco admiti a mim própria que hoje estou feliz mas essa felicidade desapareceu no momento em que soube que ele estava naquela festa… acompanhado.
Pedi licença e fui para dentro da casa. Atravessei a cozinha e aproveitei para pousar o meu copo vazio na banca. Continuei para dentro da casa e parei apenas à porta do quarto de banho. Estava ocupada. Encostei-me à parede oposta à porta, à espera. Quando vejo a porta a abrir-se, eu desencosto-me da porta e dirijo-me até ela. Ele sai por detrás da porta. Eu detenho-me, deixando-o passar por mim.
Porquê que o vou deixar ir embora, uma vez mais? Estou sozinha aqui com ele e vou deixar que ele se vá embora ter com ela neste preciso momento quando só estamos nós os dois aqui? Sem ninguém por perto para nos ouvir a conversar. Vou deixar que ele passe por mim sem me dizer nada? E eu a ele? Mas porquê que eu tenho que fazer isso?
Enquanto passa por mim, eu seguro-lhe a mão, apertando-o com a minha. Ele pára, sem me olhar.
Ele vai largar a mão, ele vai largar a mão…
Não largou, em vez disso, retribuiu o meu aperto de mão e olhou para trás, até os seus olhos encontrarem os meus. Parecia-me indeciso. Então, eu decidi por ele. Puxei-o até a mim até o abraçar. E ele, largando a minha mão, abraçou-me também. E ficamos abraçados.
Ao afastar-se de mim, continuou ainda muito perto. Tão perto que o ouvia a respirar e sentia a respiração dele no meu pescoço. E beijou-me aí.
Fomos até ao salão mas paramos antes de passarmos a porta de vidro. Espreitamos por ela e vimos toda a gente de costas voltadas para nós. De repente, contagem decrescente.
Vinte… Dezanove…
- Não era melhor entrares? – pergunto.
- Era. – disse, olhando pela porta de vidro, sem nunca largar a minha mão. -Era melhor entrar.
Dezasseis… Quinze… Catorze…
- Hm, estás à espera do quê? – esperando que ele não notasse o meu tom de voz triste.
- Não consigo. – olhando-me em seguida.
- Não consegues o quê?
- Deixar-te. – admitiu depois de um momento de hesitação.
Eu estava a olhar para ele, ainda espantada por tal afirmação. Ele, por fim, puxa-me para si, aproximando o seu rosto do meu e hesita. Hesita de maneira a prolongar o momento.
- Dez… Nove… - disse, enquanto se aproximava cada vez mais de mim.
- Oito… Sete…
- Amo-te.
- Eu também te amo.
- Três. – e já sentia a sua respiração.
- Dois. – consigo ainda dizer, fechando os olhos.
Um.
Já perto da hora de jantar, fui-me arranjar. Lavei o meu cabelo e fiz dele caracóis grandes e leves. Vesti umas meias calças pretas e, por cima, enfiei o vestido. Calcei os meus sapatos por estrear e acrescentei umas tantas pulseiras e o anel. De frente para o espelho do meu quarto de banho, começo a maquilhar-me. Base da cor da minha pele, pó nas bochechas até às têmporas, rímel nas pestanas de cima, risco preto por cima do olho e a finalizar, o batom de cor rosa da minha irmã. A sair de casa, vesti o casaco e alcancei a minha carteira cinzenta.
Liguei o carro e arranquei. Percorri quase três quilómetros para apanhar quatro amigas minhas e seguimos viagem. Após quinze minutos a conduzir, finalmente estacionei o carro à frente da casa onde a festa se vai realizar.
Saimos as cinco do carro a comentar os nossos vestidos e a rir de alegria. Este ano seria para festejar esta passagem de ano e a do ano passado, já que não passamos todas juntas. Hoje, eu admito, eu estou feliz.
Tocamos à campainha e abriram-nos imediatamente a porta. Cumprimentamos e começamos a circular pelo enorme salão, tão bem decorado com as cores de preto e dourado. Conhecia praticamente toda a gente daquela sala, excepto, uma. Uma rapariga mais baixa que eu uns bons dez centímetros, magra, que usava uma vestido azul água até um pouco acima dos joelhos e bastante decotado tanto à frente como atrás. Usava o cabelo como se não tivesse tocado nele desde que acordou e a maquilhagem, muito, muito suave. Estava a vê-la agora de lado, a conversar com dois grandes amigos meus. Quem será?
Afastei-me das minhas amigas e fui ter com o anfitrião da festa, que neste momento estava a servir bebidas no bar, junto à mesa de bilhar. Aproximo-me sem ele dar conta.
- Quem é ela? - pergunto sem nunca deixar de olhar.
Ele ri-se por se ter assustado e de ter molhado o balcão com vodka. Ao limpá-lo, pergunta-me. - Quem? - Ele segue o meu olhar e sabe a resposta. - Aaah, ela. - Fez uma pausa e enche o copo até ao fim, entregando-me nas mãos. - É a namorada dele. - E faz-me um sinal com os olhos, para o outro lado da sala, quando pronuncia dele.
Eu viro o olhar e percebo quem é ele. Deixo rapidamente a postura de curiosa e adopto uma surpreendida. - Ele está cá? - pergunto quase engasgando-me. Bebo metade do copo e sinto as minhas mãos a tremer. - E ninguém me diz que ele está cá? - Olho outra vez na direcção dele e ele olha-me de volta. - Bolas! - E fico estática a olhar para o anfitrião, com cara de envergonhada. - Ele reparou, não reparou? Reparou?
- Com licença. – e afasta-se de mim, segurando incrivelmente cinco copos cheios nas suas duas mãos.
Eu viro-me para trás e ele está ali, ao meu lado.
- Olá, estás boa? – com o seu sorriso envergonhado e, ao mesmo tempo, provocador.
- Hum. – bebo um trago da vodka. – Sim, e tu?
- Também. Estou admirado por te ver aqui, ninguém me disse que ias estar cá.
- O mesmo se passou comigo. – admito, olhando em volta, cruzando o olhar com a namorada dele. – E já vi que vieste acompanhado.
Ele olha para ela e depois baixa o olhar até olhar o chão. Em seguida olha para mim. – Pois vim. – e fez um sorriso atravessado. – Vieste com alguém?
- Sim.
- Quem? – olhando para a sala à procura de rapazes que não conhecia.
- As minhas quatro amigas, que estão ali. – disse, apontando-lhes.
- Aah, está bem. – E fez silêncio.
Mas que silêncio tão constrangedor. Normalmente, os nossos silêncios não eram assim. Conseguia ficar uma tarde inteira sem lhe dizer nada e sem ele me dizer nada, ficando os dois abraçados, apenas. Não que isso normalmente acontecesse. O que era habitual era estarmos constantemente a falar um com o outro, fazendo perguntas um ao outro, tentando descobrir um pouco mais sobre o outro. Normalmente não nos abraçavamos assim. Aliás, não me lembro de ficar abraçada a ele uma tarde inteira. Mas sei, que se tal acontecesse, eu conseguia. E não me sentiria constrangida com o silêncio dele. Ele interrompeu o meu pensamento.
- Hm, vou ter que ir ter com ela.
Eu olhei-lhe nos olhos e em seguida olhei para ela, a fazer-lhe sinais para ir ter consigo.
- Claro, vai, ela está a chamar-te.
- Gostei muito de te ver, sabes? – sorrindo daquela maneira que me deixa sem palavras.
Mas ele tem noção do que me faz quando me sorri assim?
- Eu também.
E saiu do meu lado. Atravessou meia sala e abraçou-a, dando-lhe um beijo na testa. Eu não vi esta demonstração pois, fui incapaz de olhar os dois. Uma das minhas amigas é que me contou mais tarde, quando fomos todas para o pé da pisicina.
- De certeza que estás bem? Eu não devia ter dito aquilo…
- Querida, não te preocupes. Fizeste bem em me dizer que se nota que eles gostam muito um do outro. Eu estou bem, a sério, meninas.
Eu não estou bem. Ainda há pouco admiti a mim própria que hoje estou feliz mas essa felicidade desapareceu no momento em que soube que ele estava naquela festa… acompanhado.
Pedi licença e fui para dentro da casa. Atravessei a cozinha e aproveitei para pousar o meu copo vazio na banca. Continuei para dentro da casa e parei apenas à porta do quarto de banho. Estava ocupada. Encostei-me à parede oposta à porta, à espera. Quando vejo a porta a abrir-se, eu desencosto-me da porta e dirijo-me até ela. Ele sai por detrás da porta. Eu detenho-me, deixando-o passar por mim.
Porquê que o vou deixar ir embora, uma vez mais? Estou sozinha aqui com ele e vou deixar que ele se vá embora ter com ela neste preciso momento quando só estamos nós os dois aqui? Sem ninguém por perto para nos ouvir a conversar. Vou deixar que ele passe por mim sem me dizer nada? E eu a ele? Mas porquê que eu tenho que fazer isso?
Enquanto passa por mim, eu seguro-lhe a mão, apertando-o com a minha. Ele pára, sem me olhar.
Ele vai largar a mão, ele vai largar a mão…
Não largou, em vez disso, retribuiu o meu aperto de mão e olhou para trás, até os seus olhos encontrarem os meus. Parecia-me indeciso. Então, eu decidi por ele. Puxei-o até a mim até o abraçar. E ele, largando a minha mão, abraçou-me também. E ficamos abraçados.
Ao afastar-se de mim, continuou ainda muito perto. Tão perto que o ouvia a respirar e sentia a respiração dele no meu pescoço. E beijou-me aí.
Fomos até ao salão mas paramos antes de passarmos a porta de vidro. Espreitamos por ela e vimos toda a gente de costas voltadas para nós. De repente, contagem decrescente.
Vinte… Dezanove…
- Não era melhor entrares? – pergunto.
- Era. – disse, olhando pela porta de vidro, sem nunca largar a minha mão. -Era melhor entrar.
Dezasseis… Quinze… Catorze…
- Hm, estás à espera do quê? – esperando que ele não notasse o meu tom de voz triste.
- Não consigo. – olhando-me em seguida.
- Não consegues o quê?
- Deixar-te. – admitiu depois de um momento de hesitação.
Eu estava a olhar para ele, ainda espantada por tal afirmação. Ele, por fim, puxa-me para si, aproximando o seu rosto do meu e hesita. Hesita de maneira a prolongar o momento.
- Dez… Nove… - disse, enquanto se aproximava cada vez mais de mim.
- Oito… Sete…
- Amo-te.
- Eu também te amo.
- Três. – e já sentia a sua respiração.
- Dois. – consigo ainda dizer, fechando os olhos.
Um.