O primeiro verão de Madalena e James com a filha Serena foi passado em Portugal, no Algarve. Juntaram-se a eles, os amigos de Madalena e a mãe dela. Passaram o mês inteiro de Agosto no aldeamento em Vilamoura, perto da praia da Falésia. Madalena mostrou a James a Marina para onde ia todas as noites quentes ter com os seus amigos, depois de longos dias de praia.
- When we were young, we came here every night and every night we talked how big our boat would be, just like all these boats here and what car we would have when we were older.
- Look at that car, gosh! Beautiful.
- I know… Every time I come to Algarve it’s like I’m turning back time. I can’t explain this feeling but I love it.
- I’m glad you do. Where’s our Serena, baby?
- She’s over there with the twins and Inês.
Os dois ficaram em silêncio, de mãos dadas a olhar para o mar e os barcos atracados. James ficou a olhar para a sua filha de seis meses e apercebeu-se de como o tempo passa a correr. A sua expressão ficou cada vez mais pesada, o que fez Madalena perguntar o que se passava.
- Nothing… It’s just… - E fez uma pausa. Olhou-a nos olhos. – It’s just that I realize I’m the luckiest guy on Earth for having you and our baby. And I also realize how fast time passes by and I’m afraid not having enough time for loving you two as I would like…
- Baby, what are you saying? Stop saying that… You, baby, - E apertou-lhe a mão – you have all the time in the world and you will never lose us… You will have all the time in the world for loving us and for us to love you.
- I know, sweetheart… It’s just that I feel time is going really fast and that scares me, you know?
- I feel that too, baby. All we can do is to live life and enjoy every part of it. Right?
James dá um beijo na face de Madalena e volta a olhar novamente Serena, que se encontra a vir na sua direcção no colo da Inês.
- Madalena – Começa Inês. – Já está a ficar tarde, não devíamos ir?
- Sim – respondeu, olhando para o relógio – Vamos embora, tenho que por essa bebé a dormir. Let’s go, baby? – Perguntou olhando na direcção de James.
Madalena com a sua filha ao colo, Inês de mão dada aos gémeos, um de cada lado, Bernardo e Miguel ao lado de James, começaram a andar em direcção da saída da Marina. Desde que Bernardo foi apresentado ao Americano que a relação dos dois tem evoluído, já se consideravam amigo um do outro e, combinavam muitas vezes saída a dois. Os dois iam entretidos a conversar sobre futebol, mais Bernardo que James, visto que este último nunca foi grande adepto. Num momento para outro, deixaram de ver Miguel à sua frente.
- Where’s your son?
Bernardo foi brutalmente interrompido pela preocupação de James. O Português ficou estático a olhar à sua volta. De repente, como num ápice, sentiu uma onda avassaladora de terror. As suas mulheres rapidamente chegaram perto dele, ficando preocupadas pela expressão de ambos.
- Que se passa, querido? – Perguntou Inês. «Não sei do nosso filho» foi tudo o que saiu da boca dele quase nem se mexendo. Inês sentiu um arrepio pela espinha e empalideceu e conseguiu gritar antes de perder a voz «Miiiiiiiiiguel!»
Rapidamente, James se misturou na multidão em direcção à saída. Deu e recebeu encontrões das pessoas que teimavam em não o deixar passar. James ouvia a sua pulsação a bater muito rápido e sentia as mãos suadas. Conseguiu, finalmente, chegar à rua. Madalena abraçou com uma força que não conhecia a sua filha e apertou o braço da sua melhor amiga. Bernardo, entretanto, tinha ido atrás de James. Inês começa a chorar e tudo o que Madalena consegue dizer é para se acalmar mas, apercebe-se rapidamente que é impossível ela acalmar-se nesta situação. James olha em redor com uma rapidez incrível e vê Miguel a preparar-se a atravessar a rua, lá ao longe. Começa a correr mesmo antes do rapaz pôr o pé no alcatrão. Ele empurra umas quantas pessoas e ao mesmo tempo acrescenta um «sorry» e continua a sua corrida até ao Miguel. Bernardo viu James a correr e olhou na direcção que ele ia e viu o seu filho a começar a atravessar a estrada cheia de carros que não têm tempo de travar em segurança. Ele grita pelo nome da sua mulher olhando para trás de si e começa a correr na direcção do seu filho. Inês ouve e começa a andar a passo apressado até ao stítio onde ouviu a chamarem-na. Madalena ia na sua frente, indicando-lhe o caminho, nunca largando o seu braço. James chegou-se perto de Miguel quando este já ia a meio da rua. Ia pegar nele mas rapidamente olhou para a sua direita e viu um carro a aproximar-se a alta velocidade na direcção deles e que não ia ter tempo para travar nem espaço para se desviar. Tudo que ocorre na mente de James é empurrar o Miguel para fora da trajectória do carro, porque sabe que não consegue sair pelo seu próprio pé dali. E, assim, o fez. Miguel caiu para perto do passeio, entre dois carros estacionados. O carro tentou travar e começou a chiar. As pessoas ali à volta deixaram de parte as suas conversas e olharam para o que ia acontecer. Madalena chegou-se perto da rua e segue o barulho do carro e vê James à frente dele. Rapidamente larga a sua melhor amiga e leva a sua mão à cabeça gritando «Nãããããoooo!!». O carro não consegue parar. Ouve-se para além do carro a chiar, o barulho do embate. Madalena fechou os olhos, já cheios de lágrimas, ao ouvir aquele barulho.
Aquele barulho era o seu marido, pai da sua filha, a ser atropelado.