quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"Don't pretend to not love me at all"

sei lá

todos os dias eu caminho entre pessoas no mesmo sentido que o meu e outras no sentido contrário. todos os dias em passo por elas e nunca reparo nelas. todos os dias eu olho para a calçada do passeio ou o alcatrão da rua. caminho a olhar para baixo em vez de em frente, como se tivesse medo de enfrentar o que me aparece e a olhar as pessoas.
a partir de hoje, isso muda. vou olhar em frente, vou olhar as pessoas, vou olhar o que se passa à minha volta e, claro, de vez em quando para baixo para não tropeçar em nenhuma pedra fora do lugar. mas tirando isso, é sempre em frente. tanto o caminhar na rua como a minha própria vida. está provado que não se volta atrás, então porquê pensar em voltar? porquê pensar no que passou? há coisas que acontecem pelo simples facto de nos apercebermos que não deveriam acontecer. não vou pensar mais.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Descartes.

"os meus sentidos por vezes enganam-me, e é prudente nunca confiar completamente naqueles que nos enganam uma vez que seja".
“Se te convém, despacha; não converses. Eu não dou mais”.
«I pass another day wasting thoughts on what's ahead asking, what if and why not and who's to say? When all I really know of you is you're just as lonely too 'cause desperate hearts are hearts that need someone. I'm careless sometimes. I'm sure that you'll find, but that's now how I want to live my life. I wanna to be sure but don't know how to...»

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tantas vidas 2.

Durante o meu turno, vi várias vezes o doutor que me convidou para logo à noite. Sempre que o via, era um arrepio que sentia em todo o meu corpo. Sentia-me adolescente outra vez, como se estivesse na escola apaixonada por um professor. Não conseguia esconder um sorriso em mim, não conseguia equilibrar-me mesmo usando sapatilhas, não conseguia respirar sempre que ele passava por mim, não conseguia falar nem pensar. A única coisa que conseguia de facto, era ouvir o meu coração a bater cada vez mais rápido e cada vez mais alto. Meu deus, como é que eu já podia estar tão apaixonada?...

No final do turno, regresso novamente ao balneário e troco de roupa. Umas calças e uma camisola que eu tinha trazido de propósito para agora. Reparo que deixei cair um post-it assim que abro o meu cacifo. «Quem é? Quero saber. Catarina». Eu tiro da minha carteira um bloco cheio deles e escrevo num «Dr. Bombarda, o da Neurologia! Vemo-nos em casa, Cat.» e deixo-o no cacifo dela, que é ao lado do meu.
Saio do balneário e vou confiante ter com ele, que me espera na entrada no Hospital.
Na manhã seguinte, acordo muito calmamente. Espreguiço-me à vontade enquanto os meus olhos se adaptam à luz do Sol que entra pelas persianas do quarto. Olho à volta antes de me decidir levantar e enfrentar mais um dia de trabalho. Assusto-me ao perceber de que não reconheço nada do que está a rodear-me. Aquelas cómodas, aquela cadeira ali, esta tinta na parede, esta cama, estes lençóis, estas janelas, este pijama… Nada disto é meu. Dormi em casa dele no primeiro encontro? MEU DEUS, Camila, onde é que tinhas a cabeça? Olho para o outro lado da cama e vejo de facto de que dormiu alguém ali. Mas onde estaria ele agora? Levanto-me da cama e saio do quarto. Desço as escadas. Casa bonita que ele tem. Seria exactamente assim que eu a decoraria. Viro à esquerda e entro na cozinha. Mas como é que eu sabia que a cozinha era aqui? Preparo o pequeno-almoço para mim já que não o encontro em nenhum canto desta casa. Se calhar entrou em urgência, era normal. Não me preocupei mais com isso e tomei o café e comi as torradas calmamente. Só entraria em turno daqui a quatro horas e meia. Depois, vou até à entrada. Pode ser que ele tenha deixado lá qualquer coisa para mim. Olho para as fotografias emolduradas na parede e pousadas na mesa e assusto-me. São fotografias de uma mulher, em todas elas. Meu deus, Camila, o quê que tu fizeste ontem à noite? Não me lembro de nada.

Subo as escadas a correr sem tropeçar em nenhum degrau. Procuro a minha roupa de ontem mas não a encontro em lado nenhum. Sem pensar, abro rapidamente o armário e vejo lá a roupa dela. Pego numas calças de ganga e uma t-shirt qualquer. Só não queria que ela desse por falta disso. Saio de casa a correr e sem olhar para trás, nem queria saber onde ele morava e ficar com esta casa na minha memória. Saí sem carteira e casaco mas pouco me importaria. Vou voltar agora ao Hospital e dizer-lhe que deixei isso lá, para ele depois me devolver sem a mulher dele reparar em nada. Burra, burra, burra.Percorro em passos largos ruas e mais ruas até chegar ao Hospital. Entro pela porta principal, cumprimento a senhora da recepção com um grande sorriso como sempre e ela retribui-me com um bom dia um pouco seco. Pergunto se o Dr. Bombarda estava em cirurgia ou se podia falar comigo. «O Dr. Bombarda não está em cirurgia neste momento mas também não lhe posso dizer onde está. Quer que chame e ele vem cá ter consigo?» e eu respondo «Não se incomode. Eu própria procuro por ele. Obrigada.» Saio rapidamente da frente da senhora e percorro os corredores do hospital que eu tão bem conheço. Entro na área da Neurologia e vejo-o lá ao fundo. Foco-me nele e os meus pés andam automaticamente em seu encontro.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

life got cold

«And even though the last hello has left me on the floor, I don't believe in Romeos or heroes anymore»

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Tantas vidas.

«Eu amo-te de uma forma que nunca amei ninguém. Não te amo mais ou menos que os outros que amei na vida. Amo-te diferente. Até porque tu próprio és diferente. Como eu nunca conheci até hoje. És-me o oposto em tantas coisas e, mesmo assim, conseguiste mostrar-me que somos o mesmo em muita coisa também. Despertaste em mim alegria sincera, como eu nunca tinha sentido. Mas mais do que alegria eterna que todos os apaixonados sentem no início, eu experimentei tristeza sobretudo, quase todos os dias. Porque, apesar de estar contigo todos os dias, não me mostravas o teu eu, a tua história de vida. Ficava triste quando desviavas o teu olhar do meu, quando tiravas a tua mão da minha mesmo quando a tinhas tocado por micro segundos, quando ao fim de uma noite te despedias de mim com um beijo na face e um até amanhã. Todos os dias experimentava um cocktail de emoções e não sabia como digeri-las ou mesmo percebê-las. Tu davas-me a volta à cabeça, ao estômago e ao coração.», disse-me a Catarina, enquanto eu trocava de roupa no balneário. Ela proferia cada palavra com cuidado e fazia pausas dramáticas em casa ponto final, quase como se tivesse a representar, mas não o estava a fazer.

Depois de ter vestido as calças e camisola azuis claro, peguei num elástico e prendi o meu cabelo bem em cima, olhando-me ao espelho, enquanto digeria cada palavra sua. Em seguida, olhei para ela, que estava sentada no banco comprido de madeira lascada com uma folha de papel toda enrugada. – Uau. Mas… diz-me uma coisa… tu estás a acabar com ele ou… é que não deu para perceber o que querias… ou não querias nada? – pergunto, confusa.

Ela suspirou e depois disse-me. – Eu tenho que acabar com ele… é que ele não me faz bem… ele… com ele é como andar numa montanha russa… desde o início, e eu andei nessa montanha este ano todo e até agora – pausa – até agora tenho sempre descido o mesmo que tenho subido. – Enruga a testa ao mesmo tempo que me pergunta «percebes?».
- Mas tu não gostas dele?
- Camila… Para mim, ele é tipo… uma droga, estás a ver? Uma droga fortíssima e eu estou completamente viciada… Eu mais do que gostar dele, eu preciso dele para viver… Eu fico de rastos quando não estou com ele, ou quando não falo com ele, ou quando não estou a centímetros dele, quase a tocar-lhe. Quando o meu telemóvel toca, é uma ânsia em saber se é ele e quando não é, meu deus, quando não é apetece-me atirar com o telemóvel à parede. – Enquanto me fala, eu fico estática a olhar-lhe os olhos. – Estás a ver a gravidade do meu sentimento por ele? Parece-te saudável? Eu digo-te por experiência própria que não é. – Percebo que acabou de falar quando fica a olhar para a folha de papel e a começa a dobrar uma e outra vez.
- Não é nada saudável. Não sabia que te sentias assim… Como é que eu não reparei? Eu vi que vocês eram muito chegados, muito íntimos mas não sabia que vocês eram mais do que amigos…. – E interrompe-me.
- Mas nós não somos mais que amigos, aliás, nunca o fomos. E, por isso mesmo, é que eu estou assim e preciso de acabar com ele… mas é um acabar entre aspas porque não começou nada entre nós que se possa acabar.
- Sim. – Respondo, sentando-me ao lado dela no banco. – Acho que deves fazer o que for melhor para ti. E se isso é o melhor, tens todo o meu apoio, Catarina. Vais falar com ele hoje?
- Não, só amanhã. Entro de banco daqui a pouco.
- Hm, está bem. Mudando agora de assunto, para temas mais alegres… Nem sabes quem me pediu para ir tomar café depois do meu turno de hoje… - digo-lhe toda entusiasmada, quase a sair o nome dele da minha boca. Mas controlo-me.

Ela muda de expressão e faz uma cara curiosa como se gritasse «Diz! Diz!» e eu sorrio-lhe. – Quem me convidou para ir tomar café com ele hoje à noite foi o…
Fui bruscamente interrompida pelo bater da porta do balneário e pela entrada pesada e autoritária do nosso assistente. – Chega de conversa, vamos todos trabalhar. Os que vão começar agora o turno, venham rápido que chegaram duas ambulâncias. Não quero ver ninguém aqui dentro.

Eu olho para a Catarina e ela pergunta-me entre os lábios «foi este?» e eu respondo-lhe apenas com o meu olhar horrorizado. Não. Levanto-me, dou-lhe um beijo na testa e lá vou eu atrás do Dr. Castanha.