segunda-feira, 26 de maio de 2008

Confia em MIM

E ali estava ela. Tinha-se ido abaixo, literalmente. Estava sentada de joelhos no chão, encostada à parede do meu quarto de banho. Ela, a rapariga que eu admiro por ser capaz de estar sozinha, por não depender os rapazes como as suas amigas dependem e por se orgulhar de ser assim, está agora encostada à parede do meu quarto de banho. De rastos, com o coração completamente partido e toda a sua confiança perdida. Sem saber para onde se virar, eu digo-lhe para confiar em mim. Ela limpa as lágrimas e levanta-se, procurando ganhar forças. Já de pé, arranja a roupa e ajeita o cabelo. Olha-se ao espelho e no seu reflexo repete as minhas palavras «Confia em mim». Disse uma e outra vez, disse-o gritando até confiar. Disse-o sem tirar o olhar dos seus olhos.
Já mais confiante, sai do quarto de banho, fechando a porta e apagando a luz.

domingo, 25 de maio de 2008

25 MAIO 2OO7

E já passou um ano. A noite de 25 de Maio de 2007 foi, sem dúvida, uma noite para ser recordada com sorriso estampado na cara. Nesta noite, juntaram-se os meus professores, actuais e antigos, os amigos que conheço desde o infantário, a Maria do Carmo, os amigos que fui ganhando ao longos dos anos e as amizades recentes. Tudo isto dentro de uma sala, na
Casa da Música.

sábado, 24 de maio de 2008

Take four

Já de bebidas nas mãos, Miguel apresentou Madalena a mais convidados. Entre eles havia advogados, médicos, arquitectos, artistas, todos eles com um interesse em comum: a Arte. Madalena era perita em decorar os nomes. Conheceu Wes Bach e a sua mulher, Jasmine Smith, John Dean, Jennifer Morrison, Amy e Peter Mayfield, entre outros.

Depois de Jimmy ter dado uma volta pela espaçosa sala, reparou que Madalena se encontrava sozinha. Decidiu ir ter com ela. Não sabia o que lhe dizer mas isso não o impediu. Parou ao lado dela, a apreciar o quadro que se encontrava a frente deles. Nesse momento, Madalena inclinou a cabeça para o lado esquerdo e ele fez o mesmo, dizendo:

- É engraçado como desta forma se percebe melhor.
Madalena endireitou-se, surpreendida, e acrescentou, sem tirar os olhos do quadro: - Tem toda a razão.
Olhou para o lado e viu-o, questionando:
- Fala Português? Pensava que era Americano.
Madalena voltou a virar-se para a frente, em sinal de desprezo.
- E sou. Nasci e cresci aqui, em Miami. Falo um pouco Português, com certeza que me sinto mais a vontade falar em Inglês.
- I see... - suspirou Madalena.
- Don't tell me you are still mad at me... Come on!

terça-feira, 20 de maio de 2008

( )

«There are nights when I can't help but cry
and I wonder why you had to leave me.
Why did it have to end so soon?
You said you would never leave me.
Where did I go wrong?
What did I do to make you change your mind completely?
I thought this love would never end
but if this love's not ours to have
I'll let it go with your goodbye.»

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Take three

Às dez horas da noite, os convidados foram sentados à mesa. A sala estava cheia de mesas, com toalhas e conjuntos de cor branca. As paredes eram vermelhas e toda a mobília era de madeira escura. Madalena ficou sentada ao lado de Marin e Miguel. A conversa entre elas as duas ainda durava, desde que foram apresentadas. Já falaram de Portugal e os seus costumes, dos trabalhos de ambas e a vida familiar de cada uma. Madalena soube que Marin e Joseph conheceram-se no primeiro ano da faculdade e desde então que nunca mais se largaram. Casaram-se aos 25 anos e tiveram duas filhas, ao completarem os 30 anos. As gémeas chamam-se Lauren e Louise. Madalena contou-lhe que nunca se tinha apaixonado verdadeiramente e o rapaz que ainda lhe passava pela cabeça, de tempos em tempos, era o seu primeiro namorado, aos 14 anos. Disse-lhe, também, que estava solteira desde que pôs os pés nos Estados Unidos.
A conversa, neste momento, era sobre a actualidade. Madalena conduzia a conversa quando foi rudemente interrompida.

- I don't think that's entirely true, lady.
- I beg your pardon? - questionou, céptica.
- About what you're saying. I really don't think it's the way you're saying to Mrs Marin.
- Well, I believe I know what I am saying.

Todos os que estavam sentados naquela mesa tinham deixado as suas conversas de lado para escutarem o que os dois diziam, uma vez que a conversa parecia encaminhar-se para uma discussão, politicamente correcta.

- Where did you get that information? - ele perguntou.
- It is all over the news...
- Do you believe in everything you hear? - esboçando um sorriso de maneira a provocá-la.

E provocou-a. Se esta era a forma de Jimmy se fazer notar e chamar a atenção dela, com certeza que conseguiu. A conversa continuou e os presentes estavam a adorar as respostas que cada um dava ao outro. Parecia quase como que uma competição em que os outros eram os juízes.
No final da sobremesa, Marin levantou-se e pediu-lhes para se dirigirem à «Drinking Room».

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Take two

- Hey, Miguel... who's she?
- Oh... no no no, Jimmy, she's not for you.
- Why ?! Does she have a boyfriend?
- No...
- Does she have a husband?
- No, she...
- Is she gay?
- Oh nothing like that, she...
- So, she's totally for me... They, women, are all for me!
- That is why SHE is not for you. Just let it go, J!
- Come on Miguel!
- Shhh... !
- Miguel?

Miguel Ventura era o anfitrião da festa e amigo de quase todos os presentes, inclusive de Madalena. Conheceram-se em Portugal, no aeroporto, quando ambos estavam de partida para o desconhecido Miami. Enquanto esperávam pela avião, ficaram a falar um com o outro, na tentativa de ficarem a conhecer-se. Nessa tarde, Madalena soube que Miguel era formado em História da Arte e que se fascinava por todos os pintores e escultores, em que cada um tinha a sua particularidade. Madalena contou-lhe que tirou o curso de Medicina e que esperava fazer da investigação a sua vida. Mas entretanto esse não foi o seu destino.

- Madalena, minha amiga, sempre pudeste vir!
- Claro Miguel! Sabes que eu adoro as festas que organizas em nome da Arte. - disse, cumprimentando-o com dois beijos.
- Vem, quero apresentar-te a dois bons amigos meus, os donos do Museu.
Quando chegaram perto do casal, Miguel acrescentou:
- Marin, Joseph, I'd like to introcude you a friend of mine, Dr Madalena Vilaça. She's Portuguese like me - ele disse, sorrindo e apontando na direcção dela.
- Hi, nice to meet you both - admitiu Madalena, com a sua confiança característica.
- Are all the Portuguese ladies beautiful as you are, sweetheart? - perguntou Marin.

Miguel pediu licença e foi ter com Jimmy, que não parava de lhe mandar sinais pouco discretos.
- Stop it, J!
- Miguel, seriously...
- I don't want to hear anything else. Madalena's a great woman...
- Madalena? What a beautiful name.

Take one

- Que horas são, Graça? - perguntou à secretária.
- São quase seis horas da tarde, Doutora.
- Oh, estou tão atrasada! - disse, enquanto escrevia uns últimos apontamentos na ficha do paciente que tinha acabado de receber.
- Atrasada para quê, Doutora? Vai trabalhar hoje no Hospital? Pensei que à quarta-feira ficava pela Clínica.
- Não é isso. Hoje há um jantar/festa... No museu...
- A uma quarta-feira?
- Aparentemente. Esquisito, não acha? Mas bem, pode chamar o Dr Espírito Santo pelo pager? O meu turno já acabou há vinte minutos.
- Com certeza, Doutora Vilaça.

Vinte minutos depois, ela chegou a casa. Preparou um banho rápido e escolheu a roupa que iria usar esta noite. Era um vestido longo, formal e de cor amarela. Maquilhou-se - apesar de que não era preciso - e não fez nada ao cabelo. Estava perfeito assim como estava, solto e cheio de caracóis naturais. Ela chamou um táxi e, depois de pegar na carteira e no casaco, desceu e ficou à espera lá fora. Estava uma noite quente, como é habitual em Miami.

- Where to, Madam? - perguntou o taxista.
- To the Museum, please.
O táxi parou mesmo à entrada.
- How much is it?

Enquanto subia as numerosas escadas do museu, ela apreciava a decoração antiga e a pedra velha que suportava o edifício. Deu por si a pensar que nunca tinha lá entrado, apesar de que já vivia em Miami há bastantes anos; seis anos, para ser exacta.

- Name, please, Madam.
- Vilaça. Dra Madalena Vilaça. V-I-L-A-Ç-A.
- Very well. Would you like to give me your coat?
- Sure. Thank you.

Pegou num copo de champagne e começou a andar aos circulos pela gigantesca sala, do estilo século XVIII, com pinturas no tecto e candeeiros grandes e brilhantes. Passava de quadro em quadro, escultura em escultura, apreciando todas as obras e tentando decorar todos os nomes dos autores. De certa maneira, para se sentir mais culta nesta área. Madalena era, sem dúvida, uma mulher que fazia girar as cabeças a muita gente. E, sem dúvida, que virou a cabeça de James, um Americano de nascença.

sábado, 10 de maio de 2008

Passado

Não gosto desta época
Onde o céu é tão escuro
Gostava de viver noutra década
Onde nada era inseguro.
Talvez nos anos setenta
Onde os hippies eram a moda
Ou mesmo nos anos oitenta
Onde se podia andar lá fora.
Portas e janelas abertas
Ninguém tinha medo
Pessoas pouco despertas
Não havia um único segredo.
Viam um futuro promissor
Mesmo à sua frente
Agora resta apenas tristeza e dor
Mas nada de surpreendente.